Esqueceu a senha?

Projeto divino

por Norman Geisler - qua jun 25, 12:05 am

ciencia-fe

Somente um principiante que não sabe nada sobre ciência diria que a ciência descarta a fé. Se você realmente estudar a ciência, ela certamente o levará para mais perto de Deus.  JAMES Tour, NANOCIENTISTA

A evidência astronômica que comprova a existência de Deus passa a ser muito forte quando os físicos ateus admitem que “o Universo explodiu do nada” e os astrônomos agnósticos afirmam que “forças sobrenaturais” estavam de tal modo ativas no início de tudo que os cientistas se deparam com “um grupo de teólogos que estão sentados ali há vários séculos” (v. o capo 3). Mas a comprovação científica que aponta para Deus não termina com o argumento cosmológico. Para muitos, a precisão com a qual o Universo explodiu e veio a existir nos dá provas ainda mais persuasivas sobre a existência de Deus.

Essa evidência, tecnicamente conhecida como argumento teleológico, tem seu nome derivado do termo grego telos, que significa “plano”. O argumento teleológico apresenta-se da seguinte maneira:

1.Todo projeto tem um projetista.

2.O Universo possui um conceito bastante complexo.

3.Portanto, o Universo teve um Projetista.

Isaac Newton (1642-1727) confirmou de maneira implícita a validade do argumento teleológico quando se maravilhou diante do projeto de nosso sistema solar. Ele escreveu: “Este belíssimo sistema no qual estão o Sol, os planetas e os cometas somente poderia proceder do desígnio e do poder absoluto de um Ser inteligente e poderoso”.[1] Contudo, foi William Paley (1743-1805) que tornou famoso esse argumento por meio de sua declaração, de muito bom senso, de que todo relógio implica a existência de um relojoeiro. Imagine que você está caminhando por uma floresta e encontra um Rolex cravejado de diamantes jogado no chão. A que conclusão você chega em relação à causa do relógio? Ele foi criado pelo vento ou pela chuva? Pela erosão ou alguma combinação de forças naturais? É claro que por nenhuma dessas opções! Não haveria absolutamente nenhuma dúvida em sua mente de que algum ser inteligente fabricara o relógio e que alguma pessoa desafortunada o deixara cair ali acidentalmente.

Os cientistas estão agora descobrindo que o Universo no qual vivemos é como um Rolex cravejado de diamantes, embora tenha sido planejado com muito mais precisão do que aquele relógio. O fato é que o Universo é especialmente adaptado para permitir a existência da vida na Terra — um planeta com uma quantidade enorme de condições improváveis e interdependentes para dar suporte à vida que o transformam num pequenino oásis no meio de um Universo vasto e hostil.

Essas condições ambientais altamente precisas e interdependentes (às quais chamamos de “constantes antrópicas”) formam o que é conhecido como o “princípio antrópico”. “Antrópico” vem de uma palavra grega que significa “humano” ou “homem”. O princípio antrópico é apenas um título bonito para a evidência básica na qual acreditam muitos cientistas, a saber: que o Universo é extremamente bem ajustado (planejado) para permitir a existência da vida humana aqui na Terra.

Neste Universo vasto e hostil, nós, os terráqueos, somos muito semelhantes a astronautas que só conseguem sobreviver no pequeno espaço em que estão confinados dentro de sua nave espacial. Tal como uma nave espacial, nossa Terra sustenta a vida enquanto viaja pelo espaço sem vida. No entanto, assim como numa nave espacial, uma pequena mudança ou um mal funcionamento em qualquer um dos fatores — presentes no Universo ou na própria Terra — pode alterar de maneira fatal as condições ambientais tão minuciosamente definidas para que possamos sobreviver.

A missão Apollo 13, uma das mais desafiadoras e famosas da história da NASA, vai nos ajudar a compreender esse ponto. Passaremos as próximas páginas a bordo da Apollo 13. Enquanto fazemos isso, vamos destacar algumas das constantes antrópicas que tornam a vida possível.

 

“HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA!”

São 13 de abril de 1970, dois dias depois que o comandante da missão Jim Lovell e dois outros astronautas saíram da atmosfera terrestre na Apollo 13. Eles estão agora voando no espaço a mais de 3 mil quilômetros por hora, ansiosamente esperando por uma caminhada que apenas alguns homens fizeram: andar na superfície da Lua. Tudo está saindo conforme a planejada em sua espaçonave tão. magnificamente projetada. Nas palavras do própria Lavell, ele e sua equipe estão “felizes da vida’. Mas tudo. isso. está prestes a mudar.

Depois de 55 haras e 54 minutos da início. da missão., lago. depois de completar uma transmissão. de televisão. para a Terra, Lavell está arrumando. alguns fios quando ouve um barulho. muito farte. Num primeiro momento, acha que é apenas a piloto Jack Swigert fazenda uma brincadeira ao. acionar secretamente uma válvula barulhenta. Mas, quando. ele vê a expressão de preocupação na rosto. de Swigert — aquela expressão. que diz “Não. fui eu!” -, Lavell rapidamente percebe que não. é uma piada.

O diálogo entre as astronautas Lavell, Swigert, Fred Haise e Charlie Duke (Duke está na Terra, em Houston) é mais ou menos assim:

Swigert: — Houston, temos um problema.

Duke: — Aqui é Houston. Repita, por favor.

Lovell: — Houston, houve um problema. Tivemos uma queda de voltagem na linha B.

Duke: — Entendido. Queda de voltagem na linha B.

Haise: — O.k. Neste momento, Houston, a voltagem parece … estar boa. Ouvimos um barulho bastante forte, juntamente com sinais de alerta aqui no painel. Até onde me lembro, a linha B foi aquela que apresentou um pico algum tempo atrás.

Duke: — Entendido, Fred.

Haise: — Esse solavanco deve ter abalado o sensor de oxigênio número 2. Ele estava oscilando para baixo, em torno de 20 a 60%. Agora ele está no ponto máximo.

Nesse momento, as astronautas não estão totalmente cientes da que está acontecendo. Os sensores dos tanques de oxigênio parecem trabalhar de maneira errática. Estão mostrando que a quantidade de oxigênio nos tanques está variando de 20% até a impossível quantidade de 100%. Enquanto isso, a despeito da observação inicial de Haise de que “a voltagem parece estar boa”, diversas luzes de advertência na categoria “Avisos Principais” do sistema elétrico do espaço nave estão dizendo o contrário.

Dentro de poucos minutos, a terrível natureza do problema torna-se aparente. A Apollo 13 não. tem apenas um problema nos sensores. Ela tem um problema real. A nave — localizado agora a mais de 200 mil milhas náuticas da Terra e afastando-se de casa — está rapidamente perdendo oxigênio e força. Duas das três células de combustível estão inativas e a terceira está deteriorando-se rapidamente. Haise notifica Houston sobre a situação da energia:

Haise: — AC 2 está vazia … Temos agora uma queda na voltagem do circuito A. .. Está mostrando 25 e meio.  circuito B está zerado agora.

Então Lovell relata o problema do oxigênio:

Lovell: — … e a quantidade de 02 no tanque 2 está marcando zero. Entenderam?

Houston: — Quantidade de 02 no tanque 2 é zero.

Então, quando olha por uma escotilha, Lovell vê aquilo que parece ser um gás escapando para o espaço pela parede lateral da espaço nave.

Lovell: — Está me parecendo, ao olhar pela escotilha, que alguma coisa está escapando.

Houston: — Entendido.

Lovell: — Estamos … estamos perdendo alguma coisa, algo está vazando para o espaço.

Houston: — Entendido. Copiamos, algo está vazando.

Lovell: É algum tipo de gás.

Mais tarde, confirmou-se que o gás era oxigênio. Embora a tripulação não soubesse disso ainda, o tanque de oxigênio número 2 havia explodido e danificado o tanque 1 no processo. Lovell não podia ver o dano, apenas o gás escapando.

Constante antrópica 1: Nível de oxigênio. Aqui na Terra, o oxigênio responde por 21 % da atmosfera. Esse número preciso é uma constante antrópica que torna possível a vida no planeta. Se o oxigênio estivesse numa concentração de 25%, poderia haver incêndios espontâneos; se fosse de 15%, os seres humanos ficariam sufocados. Lovell e sua equipe precisavam encontrar uma maneira de manter o nível correto de oxigênio dentro da espaçonave.

Mas o oxigênio não era o único problema. Do mesmo modo em que acontece na atmosfera da Terra, qualquer mudança em uma das constantes dentro da espaçonave pode afetar as várias outras que também são necessárias à vida. A explosão gerou um decréscimo não apenas no oxigênio, mas também na eletricidade e na água. Na Apollo 13, a água e a eletricidade são produzidas ao combinar-se oxigênio com hidrogênio em células de combustível. Sem oxigênio, não haveria maneira de produzir ar, água e energia. Uma vez que eles estão no vácuo do espaço, não existe nenhuma fonte de oxigênio do lado de fora.

A situação é tão inimaginável que Jack Swigert diria mais tarde: “Se alguém colocasse um acidente como esse no simulador”, significando uma falha quádrupla das células de combustível 1 e 3 e dos tanques de oxigênio 1 e 2, “nós diríamos ‘escute aqui, pessoal, vocês não estão sendo realistas’ “.

Infelizmente não estavam no simulador, mas enfrentavam uma emergência real numa espaço nave a dois terços do caminho para a Lua. O que eles podem fazer? Felizmente existe um bote salva-vidas. O módulo lunar (ML) tem provisões que podem ser usadas numa emergência. O ML é a nave acoplada na parte superior do módulo de comando (MC) que, controlada por dois dos astronautas, descerá na Lua, enquanto o terceiro astronauta permanece em órbita. É óbvio que descer na Lua é uma atividade que está prestes a ser cancelada: salvar a vida dos astronautas é a nova missão da Apollo 13.

Num esforço de economizar energia para a reentrada, os astronautas rapidamente desligam o módulo de comando e sobem para o ML. Mas não é por estarem no ML que os astronautas estão fora de perigo. Eles ainda precisam circundar a Lua para conseguir voltar para a Terra. Isso vai levar tempo — um tempo que não têm. O ML tem condições de sustentar dois homens por cerca de 40 horas, mas precisa sustentar três homens por quatro dias!

Como resultado disso, todo esforço é feito para economizar água, oxigênio e eletricidade. Todos os sistemas não essenciais são desligados — incluindo o aquecimento -, e os astronautas diminuem o consumo de água para apenas um pequeno copo por dia. Sentindo-se mal, Haise logo começa a ter febre, e os outros astronautas lentamente ficam desidratados. Isso torna a concentração ainda mais difícil.

Infelizmente, pelo fato de todos os sistemas automáticos estarem desligados, a situação exige uma grande concentração por parte dos astronautas. Além de circundar a Lua, a tripulação precisa fazer várias correções de curso manuais para assegurar que atinjam o ângulo correto de reentrada e aumentem a velocidade de sua viagem de volta para casa. Para fazer isso, eles terão de navegar manualmente pelas estrelas. Uma vez que os escombros da explosão continuam em volta da espaçonave no vácuo do espaço, os astronautas não podem distinguir as estrelas da luz do Sol refletida nos escombros. Conseqüentemente, só lhes resta usar a Terra e o Sol como pontos de referência navegacionais observáveis pela escotilha da espaço nave.

Usando esse método bastante rudimentar, verificam seus cálculos repetidas vezes para assegurar-se de que estão certos. Há pouca margem para erro. O fato é que eles precisam colocar a espaço nave num ângulo de entrada que não pode ser menor que 5,5 graus e não maior que 7,3 graus abaixo da linha do horizonte da Terra (do ponto de vista da espaçonave). Qualquer desvio dessa faixa fará a nave ricochetear para o espaço, para fora da atmosfera terrestre, ou ser queimada durante a descida.

Constante antrópica 2: Transparência atmosférica. A pequena janela que os astronautas devem atingir reflete os padrões perfeitos pelos quais o Universo foi planejado. Enquanto a atmosfera apresenta-se como um problema de entrada para os astronautas, ela também mostra qualidades que são absolutamente essenciais para a vida aqui na Terra. O grau de transparência da atmosfera é uma constante antrópica. Se a atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície da Terra. Se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com muito mais radiação solar aqui embaixo (além da transparência atmosférica, a composição da atmosfera, com níveis precisos de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono e ozônio, é, por si só, uma constante antrópica).

Constante antrópica 3: Interação gravitacional entre a Terra e a Lua. Enquanto começam a se preparar para circundar a Lua, os astronautas deparam-se com outra constante antrópica.[2] Essa constante está relacionada à interação gravitacional que a Terra tem com a Lua. Se essa interação fosse maior do que é atualmente, os efeitos sobre as marés dos oceanos, sobre a atmosfera e sobre o tempo de rotação seriam bastante severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam instabilidades no clima. Em qualquer das situações, a vida na Terra seria impossível.

Após seu encontro com a Lua, os astronautas são finalmente direcionados para a Terra. Contudo, surge ainda outro problema. As delicadas condições de vida dentro da espaçonave estão ficando contaminadas. A medida que o oxigênio é consumido, os astronautas geram um novo problema simplesmente por exalar, ou seja, o dióxido de carbono está começando a alcançar níveis perigosos dentro da espaçonave. Se não conseguirem achar uma maneira de filtrar o dióxido de carbono no ML, os três astronautas serão envenenados por sua própria respiração!

O Controle da Missão pede que os astronautas desembalem filtros extras criados para o módulo de comando (a parte da espaçonave que foi descartada e que teve sua energia desligada) para verificar se eles podem ser usados no ML. Contudo, em vez de receberem as tão esperadas boas notícias, os astronautas logo percebem que os filtros do MC são de tamanho e forma diferentes dos usados no ML! O fornecedor A aparentemente não estava de acordo com o fornecedor B! Frustrado, o diretor de vôo Gene Krantz — que pronunciou a famosa frase “O fracasso não é uma opção!” no Controle da Missão — vocifera: “Isso não pode ser um projeto do governo!”.

Revirando-se em busca de uma solução, os engenheiros da NASA em terra começam a trabalhar freneticamente: procuram uma maneira de encaixar os filtros quadrados do MC nos buracos redondos do ML apenas com os materiais que podem ser encontrados na espaçonave. Eles descobrem uma maneira de fazê-lo e começam a explicar o processo de montagem para a tripulação. Esse processo engenhoso envolve o uso de papelão, pedaços da, roupa dos astronautas, sacos para acondicionamento de materiais e fita crepe (sim, ela também conserta qualquer coisa no espaço — não deixe de ter uma em sua casa!).

Constante antrópica 4: Nível de dióxido de carbono. É claro que esse tipo de implementação não é necessária aqui na Terra porque a atmosfera terrestre mantém o nível correto de dióxido de carbono. Essa é outra constante antrópica. Se o nível de CO2 fosse mais alto do que é agora, teríamos o desenvolvimento de um enorme efeito estufa (todos nós seríamos queimados). Se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma fotossíntese eficiente (todos nós ficaríamos sufocados — o mesmo destino que os astronautas estavam tentando evitar).

Felizmente os filtros adaptados trabalham bem e dão à tripulação um tempo valioso (além de fornecer ar respirável). Logo chega o momento de se livrar do módulo de serviço danificado. Quando o módulo de serviço se afasta, a tripulação vê pela primeira vez a extensão dos danos: a explosão do tanque de oxigênio arrancou um pedaço da cobertura do módulo de serviço com uma área de cerca de 3,5 m por 2 m, atingiu as células de combustível e danificou uma antena. Se uma explosão com a metade da intensidade tivesse acontecido perto do escudo do módulo de comando, o resultado seria um problema catastrófico para a espaçonave e a perda da tripulação.

Ao se aproximarem da reentrada, a tripulação volta para o módulo de comando para tentar religá-lo. Essa é sua única esperança de chegar em casa (o ML não possui um escudo para proteção contra o calor). Mas com as três células de combustível inoperantes e tendo apenas a eletricidade fornecida por uma bateria, o procedimento normal de ligação do MC não funcionaria. Não é possível religar todos os sistemas simplesmente porque não existe força suficiente nas baterias! Como resultado, precisam confiar em um novo procedimento de ligação que os engenheiros e astronautas da NASA haviam acabado de desenvolver na Terra.

Para complicar, a água condensada está agora pingando dos painéis de controle do Me, onde a temperatura abaixou, atingindo 3,30 C. Será que os painéis poderiam entrar em curto-circuito? Os sistemas necessários entrariam em funcionamento? Esse é um ambiente perigoso para usar eletricidade, mas eles não têm escolha.

Apesar do perigo, a nova seqüência de ligação dos sistemas é bem-sucedida, e os astronautas colocam o cinto de segurança para a reentrada. De volta à Terra, o mundo está de olho no destino daqueles três homens. Novos boletins e coletivas de imprensa fornecem informações atualizadas. O Congresso emite uma resolução pedindo que o povo norte-americano ore, o papa pede ao mundo que faça o mesmo, enquanto a bordo de uma cápsula espacial danificada aqueles três bravos norte-americanos aceleram rumo à atmosfera terrestre com grande velocidade. Dentro de instantes, serão puxados pela gravidade da Terra para uma velocidade máxima de aproximadamente 40 mil quilômetros por hora. Isso equivale a pouco mais de 11 quilômetros por segundo!

Constante antrópica 5: Gravidade. A gravidade que está puxando os astronautas de volta para casa é outra constante antrópica. Sua força pode ser impressionante, mas não poderia ser em nada diferente para que a vida existisse aqui no planeta. Se a força gravitacional fosse alterada em 0,00000000000000000000000000000000000001 por cento, nosso Sol não existiria e, portanto, nós também não.[3] Isso é que é precisão!

Enquanto nossos astronautas se encaminham para a Terra em sua espaço nave avariada, ninguém tem certeza se sobreviveriam à violenta e intensamente quente reentrada. Muitas perguntas permaneciam sem resposta: O escudo térmico está intacto? A nave está realmente no ângulo de entrada correto? As baterias do MC funcionariam durante a reentrada? Os pára-quedas abririam corretamente? Para deixar as coisas ainda piores, havia um alerta de furacão na área de recuperação da cápsula.

À luz de todas essas incertezas, os astronautas elogiaram a equipe de terra pouco antes do silêncio de rádio de três minutos que acompanha a reentrada:

Swigert: — Olha, quero dizer que vocês estão fazendo um ótimo trabalho.

Houston: — Vocês também, Jack.

Swigert: — Sei que todos nós aqui queremos agradecer a todos vocês aí embaixo o trabalho maravilhoso que fizeram.

Lovell: — É isso aí, Joe.

Houston: — Digo a vocês que foi muito bom fazer tudo isso.

Lovell: — É muito atencioso de sua parte.

Houston: — Essa é a coisa mais amável que alguém já me disse! Houston: — O.k., perda de sinal em um minuto … Bem-vindos ao lar.

Swigert: — Obrigado.

Durante a reentrada, um avião militar C-135 está voando em círculos pela área de recuperação para prover o elo de comunicação necessário com o centro de controle da missão. Contudo, depois de três minutos, não há contato com os astronautas. A tensão cresce:

Houston: — A Apollo 13 deveria sair do blecaute agora. Estamos esperando por algum relatório do ARIA (Apollo Range Instrumentation Aircraft).

Vôo: — Rede, nenhum contato do ARIA?

Rede: — Até agora nada, Vôo (longa pausa).

Já se passaram quatro minutos desde a reentrada — ainda não houve nenhum contato. Nenhuma reentrada durou tanto tempo.

Houston: — Aguardando um relatório sobre captação de sinal (pausa).

Finalmente o avião recebe um sinal da cápsula:

Houston: — Temos uma informação de que o ARIA 4 captou um sinal.

Mas ainda não há nenhuma confirmação de que alguém esteja vivo.

Houston: — Odyssey, aqui é Houston aguardando. Câmbio.

Para o alívio de todos, Swigert finalmente fala:

Swigert: — O.k., Joe.

Houston: — O.k., nós recebemos a transmissão, Jack!

Os astronautas estão vivos, mas ainda há um último obstáculo: os dois estágios dos pára-quedas, primeiramente o de desaceleração e depois o principal, precisam funcionar, ou tudo estará perdido. Sem a abertura correta dos páraquedas, os astronautas serão esmagados quando a cápsula atingir o oceano a 480 quilômetros por hora.

Houston: — Menos de dois minutos para a abertura do pára-quedas.

Momento de espera …

Houston: — Relatório de que dois pára-quedas de desaceleração abriram corretamente. Vem agora a abertura dos pára-quedas principais (pausa). Aguardando confirmação da abertura dos pára-quedas principais.

Os pára-quedas principais abrem conforme planejado, e Houston obtém contato visual.

Houston: — Odyssey, Houston. Estamos vendo seus pára-quedas abertos. Isso é maravilhoso!

Finalmente, depois de quatro dias de um suspense de roer as unhas, os astronautas, o Controle da Missão e o resto do mundo dão um suspiro de alívio:

Houston: — Está todo mundo aplaudindo muito aqui no Controle da Missão! … muitos aplausos enquanto os pára-quedas principais da Apollo 13 aparecem claramente nos monitores de televisão aqui.

A cápsula toca o oceano às 13h07 (fuso horário do leste dos EUA) de 17 de abril de 1970.

 

O PRINCÍPIO ANTRÓPICO: O PROJETO ESTÁ NOS DETALHES

Quando algumas pessoas do Controle da Missão Apollo 13 começaram a expressar dúvidas de que os astronautas pudessem voltar vivos, o diretor de vôo Cene Krantz respondeu ao seu pessimismo com a seguinte frase: “Senhores, eu acho que este será nosso momento mais agradável”. E realmente foi. A Apollo 13 ficou conhecida como o “fracasso bem-sucedido”. Os astronautas não puderam caminhar na Lua, mas voltaram com sucesso à Terra apesar das condições quase letais que enfrentaram.

Assim como a tripulação sobreviveu apesar de todas as dificuldades que enfrentou no meio dessas condições quase mortais, nós também sobrevivemos contra todas as dificuldades neste pequeno planeta chamado Terra. Tal como a nossa Terra, as espaço naves da série Apollo foram projetadas para preservar a vida humana no meio do ambiente bastante hostil do espaço. Uma vez que os seres humanos só conseguem sobreviver dentro de um estreito espaço de condições ambientais, essas naves precisam ser planejadas com incrível precisão e milhares de componentes. Se apenas uma pequena coisa der errado, a vida humana correrá perigo.

Na Apollo 13, a pequena coisa que colocou a tripulação em risco parece insignificante demais para ser importante: o tanque de oxigênio número 2 caiu no chão de uma altura de 5 cm em algum momento antes de sua instalação. Esses pequenos 5 cm danificaram a fina parede do tanque e deram início a uma cascata de acontecimentos que culminaram com a sua explosão.[4] Devido à natural interdependente dos componentes, o problema no sistema de oxigênio levou à falha os outros sistemas e quase à perda da espaçonave e da tripulação. Pense nisto: aquela pequena queda de uma altura de 5 cm gerou todos os problemas que os astronautas precisaram vencer para que pudessem sobreviver. Isso resultou em pouco oxigênio, pouca água e eletricidade, em muito dióxido de carbono e em erro de navegação.

Tal como uma pequena mudança na espaçonave, uma pequena mudança no Universo resultaria em grandes problemas para todos nós também. Como já vimos, cientistas descobriram que o Universo — tal como uma nave espacial — foi projetado com precisão para criar o próprio ambiente que suporta as condições de vida em nosso planeta. Um pequeno desvio em qualquer um dos inúmeros fatores ambientais e físicos (que estamos chamando de “constantes”) impediria, até mesmo, que existíssemos. Tal como os componentes da Apollo 13, essas constantes são interdependentes — uma pequena mudança em uma delas pode afetar as outras, chegando até mesmo a impedir ou destruir as condições necessárias à vida.

O alcance da precisão do Universo faz o princípio antrópico ser talvez o mais poderoso argumento para a existência de Deus. Não se trata de simplesmente haver algumas constantes definidas de maneira bem aberta que talvez tenham aparecido por acaso. Não. Existem mais de cem constantes definidas com bastante precisão que apontam definitivamente para um Projetista inteligente.[5] Já identificamos cinco delas. Vejamos outras dez:

1.Se a força centrífuga do movimento planetário não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada poderia ser mantido numa órbita ao redor do Sol.

2.Se o Universo tivesse se expandido numa taxa um milionésimo mais lento do que o que aconteceu, a expansão teria parado, e o Universo desabaria sobre si mesmo antes que qualquer estrela pudesse ser formada. Se tivesse se expandido mais rapidamente, então as galáxias não teriam sido formadas.

3.Qualquer uma das leis da física pode ser descrita como uma função da velocidade da luz (agora definida em 299.792.458 m por segundo). Até mesmo uma pequena variação na velocidade da luz alteraria as outras constantes e impediria a possibilidade de vida no planeta Terra.

4.Se os níveis de vapor d’água na atmosfera fossem maiores do que são agora, um efeito estufa descontrolado faria as temperaturas subirem a níveis muito altos para a vida humana; se fossem menores, um efeito estufa insuficiente faria a Terra ficar fria demais para a existência da vida humana.

5.Se Júpiter não estivesse em sua rota atual, a Terra seria bombardeada com material espacial. O campo gravitacional de Júpiter age como um aspirador de pó cósmico, atraindo asteróides e cometas que, de outra maneira, atingiriam a Terra.

6.Se a espessura da crosta terrestre fosse maior, seria necessário transferir muito mais oxigênio para a crosta para permitir a existência de vida. Se fosse mais fina, as atividades vulcânica e tectônica tornariam a vida impossível.

7.Se a rotação da Terra durasse mais que 24 horas, as diferenças de temperatura seriam grandes demais entre a noite e o dia. Se o período de rotação fosse menor, a velocidade dos ventos atmosféricos seria grande demais.

8.A inclinação de 230 do eixo da Terra é exata. Se essa inclinação se alterasse levemente, a variação da temperatura da superfície da Terra seria muito extrema.

9.Se a taxa de descarga atmosférica (raios) fosse maior, haveria muita destruição pelo fogo; se fosse menor, haveria pouco nitrogênio se fixando no solo.

10.Se houvesse mais atividade sísmica, muito mais vidas seriam perdidas; se houvesse menos, os nutrientes do piso do oceano e do leito dos rios não seriam reciclados de volta para os continentes por meio da sublevação tectônica (sim, até mesmo os terremotos são necessários para sustentar a vida como a conhecemos!).

O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes — 122 ao todo — pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso (i.e., sem um projeto divino). Partindo da idéia de que existem 1022 planetas no Universo (um número bastante grande, ou seja, o número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma chance em 10138 — isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros![6] Existem apenas 1070 átomos em todo o Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista inteligente por trás de tudo.

O ganhador do Prêmio Nobel Amo Penzias, um dos descobridores da radiação posterior ao Big Bang, expõe as coisas da seguinte maneira:

A astronomia nos leva a um acontecimento único, um Universo que foi criado do nada e cuidadosamente equilibrado para prover com exatidão as condições requeridas para a existência da vida. Na ausência de um acidente absurdamente improvável, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano por trás de tudo ou, como alguém poderia dizer, algo sobrenatural.[7]

O cosmologista Ed Harrison usa a palavra “prova” quando considera as implicações do princípio antrópico na questão de Deus. Ele escreve: ”Aqui está a prova cosmológica da existência de Deus — o argumento do projeto de Paley atualizado e reformado. O ajuste uno do Universo nos dá evidências prima facie do projeto deístico”.[8]

 

PROVA PARA A EXISTÊNCIA DE DEUS! COMO RESPONDEM OS ATEUS?

De que maneira os ateus respondem a essa “prova a favor de Deus”? Alguns ateus admitem que não existe esse tipo de Projetista lá fora. O astrônomo Fred Hoyle teve seu ateísmo abalado pelo princípio antrópico e pela complexidade que observou na vida (que vamos abordar nos dois capítulos seguintes). Hoyle concluiu: “Uma interpretação de bom senso dos fatos sugere que um superintelecto intrometeu-se na física, na química e na biologia e que não há forças ocultas e dignas de menção na natureza”.[9] Embora Hoyle tenha sido vago sobre quem seja exatamente esse “superintelecto”, ele reconheceu que o ajuste refinado do Universo exige inteligência.

Outros ateus admitem um projeto mas, então, afirmam que não existe um Projetista. Dizem que tudo aconteceu por acaso. Mas de que maneira podem sugerir cegamente o acaso quando existe uma probabilidade praticamente zero de que todas as mais de cem constantes pudessem ser como são na ausência de inteligência? Isso não é fácil. Os ateus precisam dar vazão a uma monstruosa especulação para que o acaso tenha uma chance. Sua especulação é chamada de teoria do universo múltiplo.

De acordo com a teoria do universo múltiplo, existe, na verdade, um número infinito de universos, e nós simplesmente tivemos sorte demais para estar num universo com as condições corretas. Dado um número infinito de universos, dizem esses ateus, qualquer conjunto de condições vai acontecer, incluindo as condições que dão suporte à vida em nosso Universo.

Existem múltiplos problemas com essa explicação do universo múltiplo. Primeiramente e de maneira mais significativa, não existe evidência para isso! A evidência mostra que tudo o que faz parte da realidade finita passou a existir com o Big Bang. A realidade finita é exatamente aquilo que chamamos de “o Universo”. Se existe outra realidade finita, então ela está além de nossa capacidade de detectá-la. Ninguém jamais observou uma evidência sequer de que tais universos possam existir. É por isso que essa idéia de múltiplos universos nada mais é do que uma elaboração metafísica — um conto de fadas construído com base em uma fé cega — tão distante da realidade quanto o “tempo imaginário” de Stephen Hawking.

Em segundo lugar, como discutimos no último capítulo, um número infinito de coisas finitas — quer dias, livros, explosões quer universos — é uma verdadeira impossibilidade. Não é possível haver um número ilimitado de universos limitados.

Em terceiro lugar, mesmo que fosse possível haver outros universos, precisariam de um ajuste refinado para ter início, assim como o nosso Universo teve (lembre-se da extrema precisão do Big Bang que descrevemos no último capítulo). Assim, postular a idéia de múltiplos universos não elimina a necessidade de um Projetista — na verdade, isso multiplica a necessidade de ter um!

Em quarto lugar, a teoria do universo múltiplo é tão ampla que qualquer acontecimento pode ser explicado por ela. Por exemplo, se perguntarmos “Por que os aviões atingiram as torres do World Trade Center e o Pentágono?”, não poderemos culpar os terroristas islâmicos: a teoria nos permite dizer que simplesmente aconteceu de nós estarmos no universo onde aqueles aviões — embora parecesse que estivessem voando deliberadamente na direção daqueles prédios — verdadeiramente atingiram os prédios por acidente. Com a teoria do universo múltiplo, podemos até mesmo tirar a responsabilidade dos atos de Hitler. Talvez tenha calhado de estarmos no universo onde o Holocausto parece ser assassinato, mas, na verdade, os judeus secretamente conspiraram com os alemães e entraram sozinhos nos fornos.

O fato é que a teoria do universo múltiplo é tão aberta que pode ser até mesmo usada como desculpa para os ateus que a criaram. Talvez estejamos por acaso no universo onde as pessoas são suficientemente irracionais para sugerir que tal falta de sentido é a verdade!

Por fim, a teoria do universo múltiplo é simplesmente uma tentativa desesperada de evitar as implicações do Projeto. Ela não multiplica as possibilidades, mas, sim, os absurdos. Ela é aparentada da idéia de que os astronautas da Apollo 13 negaram o fato de que a NASA projetou e construiu sua espaçonave e é a favor de uma teoria não fundamentada de que existe um número infinito de espaçonaves criadas naturalmente lá fora e que os astronautas simplesmente tiveram a sorte de estar em uma que, por acaso, permite a existência de vida. Naturalmente, uma teoria assim não tem sentido, e seu óbvio absurdo revela quão forte é a evidência de um projeto. Evidências extremas pedem teorias extremas para contradizê-las.

 

DEUS? “OLHEM PARA AS ALTURAS”

Em 1º de fevereiro de 2003, o presidente George W Bush olhou solenemente para uma câmera de televisão e dirigiu-se ao povo norte-americano: “Meus compatriotas norte-americanos, este dia traz notícias terríveis e grande tristeza ao nosso país. Às 9 horas da manhã de hoje, o Centro de Controle de Missões Espaciais em Houston perdeu contato com o ônibus espacial Columbia. Pouco tempo depois, destroços foram vistos caindo do céu sobre o Texas. A Columbia se perdeu; não há sobreviventes”.[10]

Viajando a 20 mil quilômetros por hora, a Columbia desintegrou-se na tentativa de reentrada na atmosfera terrestre. A segunda grande tragédia com o ônibus espacial deixou a nação abalada mas não dissuadida. “A causa pela qual eles morreram continuará”, jurou o presidente. ”A humanidade é levada rumo às trevas além do nosso mundo pela inspiração da descoberta e pelo desejo de entender. Nossa jornada ao espaço prosseguirá.”

Mesmo assim, qualquer jornada humana rumo ao espaço penetra tão-somente numa pequena fração dele. Existem 100 bilhões de estrelas em nossa galáxia, e a distância média entre essas estrelas é de 50 trilhões de quilômetros (a propósito, essa distância é outra constante antrópica. Se as estrelas estivessem mais perto ou mais longe umas das outras, as órbitas planetárias seriam afetadas).

Que distância é esta, de 50 trilhões de quilômetros? Vamos colocar as coisas da seguinte maneira: quando o ônibus espacial está em órbita, viaja a cerca de 27 mil quilômetros por hora — quase 8 km por segundo. Se você pudesse entrar no ônibus espacial e viajar pelo espaço na velocidade de cerca de 8 km por segundo, seriam necessários 201.450 anos para cobrir a distância de 50 trilhões de quilômetros! Em outras palavras, se você tivesse entrado no ônibus espacial na época de Cristo e começado a viajar do nosso Sol rumo à outra estrela que estivesse nessa distância média, provavelmente estaria a apenas um centésimo da distância total à frente do lugar onde começou. Incrível!

Agora, tenha em mente que essa é a distância entre apenas duas estrelas dos mais de 100 bilhões que estão presentes em nossa galáxia. Quantas estrelas existem em todo o Universo? O número de estrelas no Universo é quase igual ao número de grãos de areia em todas as praias da Terra. Viajando a 8 quilômetros por segundo, seriam necessários mais de 200 mil anos para ir de um grão de areia a outro! Os céus são demais!

A Bíblia recomenda “olhar para os céus” se quisermos ter uma idéia de como é Deus. Expressando o argumento teleológico muito antes de Newton e Paley, Davi escreveu o seguinte no salmo 19: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos”. Alguns séculos mais tarde, o profeta Isaías cita uma pergunta de Deus: “Com quem vocês me vão comparar? Quem se assemelha a mim?” (40.25). A resposta está no versículo seguinte: “Ergam os olhos e olhem para as alturas” (v. 26). Isaías prossegue dizendo que Deus conhece todas as estrelas do céu pelo nome!

Por que Deus nos diz para compará-lo com as alturas? Porque Deus não tem limites, e, da nossa perspectiva, os céus também não têm. Deus é outro limitador ilimitado — o Criador incriado — de todas as coisas. Ele é o Ser auto-existente e infinito que criou este vasto e maravilhoso Universo do nada e que mantém todas as coisas juntas hoje. Existe apenas uma entidade em nossa experiência que pode fornecer uma analogia à infinitude de Deus. Uma imagem que pretende representar Deus não o fará.[11] Ela simplesmente limita a sua majestade. Somente as alturas dos céus representam a infinitude.

A infinitude é o que descreve cada um dos atributos de Deus, dentre eles o poder, o conhecimento, a justiça e o amor. É por isso que a Bíblia usa as alturas para nos ajudar a compreender a altura infinita do amor de Deus. Lemos o seguinte em Salmos 103.11: “Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem”. Quão altos estão elevados os céus acima da terra? Quando você considera que existem 50 trilhões de quilômetros entre as estrelas tão numerosas quanto os grãos de areia da praia, é levado a dizer que “os céus são infinitamente altos”. Isso é verdadeiro, e assim é a altura do amor de Deus.

O infinito amor de Deus é talvez aquilo que levou o presidente Bush a citar Isaías no seu tributo à tripulação da Columbia:

Hoje vemos nos céus apenas destruição e tragédia. Contudo, além daquilo que podemos ver, há conforto e esperança. Nas palavras do profeta Isaías: ‘Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!’ [Is 40.26J. O mesmo Criador que dá nome às estrelas também conhece os nomes dos sete tripulantes pelos quais choramos hoje. A tripulação do ônibus espacial Columbia não voltou em segurança à Terra, mas podemos ser gratos a Deus por estarem em segurança no lar celestial. [12]

 

CONCLUSÃO

Há aproximadamente 2 mil anos, Paulo escreveu o seguinte, logo no início de sua carta aos Romanos:

Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (1.20).

 

A evidência de um Projetista certamente está clara na Criação, mas freqüentemente não levamos isso em conta.

Em seu livro clássico The Screwtape Letters, C. S. Lewis dá um grande insight em relação à tendência que temos de desprezar o mundo maravilhoso que nos cerca. a demônio principal, Coisa-ruim, escreve alguns conselhos ao demônio aprendiz, Pé-de-cabra, sobre como evitar que uma pessoa se torne um cristão. Coisa-ruim escreve:

Faça-o lembrar-se constantemente da mediocridade das coisas. Acima de tudo, não tente usar a ciência (quero dizer, as ciências verdadeiras) como uma defesa contra o cristianismo. Elas vão encorajá-lo a pensar positivamente sobre as realidades que não podemos tocar nem ver. Casos tristes têm acontecido entre os físicos modernos.[13]

 

Os “casos tristes” são, naturalmente, físicos que têm sido honestos com as evidências que vêem e se tornam cristãos.

Lewis atingiu em cheio a tendência que muitos de nós temos. Em nossa vida apressada, raramente paramos para observar o mundo ao redor e, portanto, temos a tendência de considerar toda faceta maravilhosa deste belíssimo Universo como uma coisa comum. Mas como temos visto, isso está longe de ser medíocre. Hoje em dia, como em nenhuma outra época da história, a ciência está nos mostrando que este é um Universo de incrível planejamento e complexidade. Ela está nos dando uma nova perspectiva de um mundo que nós também freqüentemente desprezamos.

Os astronautas têm uma nova perspectiva baseando-se em suas naves, a qual os ajuda a perceber que este Universo é qualquer coisa, menos medíocre. Quando os primeiros astronautas caminharam pela superfície lunar e viram a Terra nascer — algo que nenhum ser humano tinha visto antes — reverentemente leram o livro de Gênesis: “No princípio Deus criou os céus e a terra”. O que seria mais apropriado para o momento? Uma recitação da teoria do universo múltiplo certamente não teria enfatizado a maravilha que os astronautas estavam experimentando. Testemunharam o projeto de um ângulo que ninguém vira antes e estavam maravilhados com a percepção de que uma criação maravilhosa exige um Criador maravilhoso. John Glenn fez eco às suas convicções quando, aos 77 anos de idade, olhou pela janela do ônibus espacial Discovery e comentou: “Olhar para este tipo de criação e não acreditar em Deus é algo impossível para mim”.

O impacto brutal de suas experiências revela a natureza intuitiva do argumento teleológico. Não é preciso que ninguém me diga que alguma coisa maravilhosamente projetada exige um projetista. Isso é uma coisa evidente em si mesma. Contudo, vamos reafirmar o argumento, com ênfase naquilo que descobrimos neste capítulo:

1.Todo projeto tem um projetista.

2.Conforme verificado pelo princípio antrópico, sabemos sem sombra de dúvida que o Universo é projetado.

3.Portanto, o Universo teve um Projetista.

Não existe outra explicação plausível para o princípio antrópico que não seja a existência de um Projetista Cósmico. Os ateus precisam tomar medidas extremas para negar o óbvio. Quando eles sonham com teorias hipotéticas que não são apoiadas por nenhuma comprovação — e que, de fato, são impossíveis -, deixam o reino da razão e da racionalidade e entram no reino da fé cega. O físico Paul Davies escreve: ”Alguém pode achar mais fácil acreditar numa matriz infinita de universos do que numa divindade infinita, mas tal crença deve basear-se na fé em vez de na observação”.[14]

Acreditar sem observação é exatamente aquilo de que os ateus acusam as pessoas “religiosas” de fazerem. Mas, ironicamente, são os ateus que estão imputando a religião da fé cega. Os cristãos têm boas razões baseadas na observação (como o Big Bang e o princípio antrópico) para acreditar no que acreditam. Os ateus não têm. É por isso que não temos fé suficiente para sermos ateus.

Essa fé cega dos ateus revela que a rejeição de um Projetista não é um problema de cabeça — não se trata de termos falta de provas ou de justificativa intelectual para a existência de um Projetista. Ao contrário, a evidência é impressionante. O que ternos aqui é um problema de vontade — apesar das provas, algumas pessoas simplesmente não querem admitir que existe um Projetista. De fato, um crítico do princípio antrópico admitiu ao New York Times que sua verdadeira objeção era “totalmente emocional” porque “tem cheiro de religião e projeto inteligente”.[15] Isso é demais para a objetividade científica.

No capítulo 6, trataremos mais dessas motivações de negar as provas decisivas da existência de Deus. Primeiramente, porém, no capítulo 5, vamos explorar mais provas convincentes da existência de um Projetista — a evidência encontrada na própria vida.


[1] “General Scholium”, in: Mathematical Principles of Natural Philosophy (1687). In: Robert M.

HUTCHINS, ed. Great Books of the Western World. (Chicago: Encyclopedia Britannica, s.d.), p. 369.

[2] Como é o caso da maioria das constantes, essa constante depende de outras. A interação gravitacional, por exemplo, também é uma função do tamanho da Lua, que é maior que outras luas em relação ao seu planeta.

[3] Correspondência pessoal com Jeffrey A. Zweerink, físico pesquisador da DCLA, October 23,2003.

[4] Você poderá encontrar o texto completo e mais informações sobre o acidente no relatótio “Apollo 13 Review Board”, disponível no site da NASA em http://spacelink.msfc.nasa.gov/NASA.Projects. Você poderá encontrar uma transcrição da missão com comentários explicativos em http://209.145.176.71 -090/awh/as13.html.

[5] V comentários adicionais em Hugh Ross, “Why I Believe in Divine Creation”, in: Norman GEISLER & Paul HOFFMAN, eds. Why I Am a Christian: Leading Thinkers Explain Why They Believe. Grand Rapids, Mich.: Baker, 2001, no capo 8. Mais dessas constantes são descobertas a cada instante, tantas que Ross pretende atualizar a lista a cada trimestre. Verifique seu site em www.reasons.org. Você poderá ler mais sobre a razão de a vida animal ser rata no Universo em Peter WARD & Donald BROWNLEE, Rare Earth: Why Complex Life Is Uncommon in the Universe. New York: Copernicus, 2000 [publicado em português pela Editora Campus, Sós no Universo?: por que a vida inteligente é improvável fora do planeta Terra].

[6] “Why I Believe in Divine Creation”, 138-41.

[7] Apud Walter BRADLEY, ”The ‘Just-so’ Universe: The Fine-Tuning of Constants and Conditions in the Cosmos”, in: William DEMBSKl & James KUSHINER, eds. Signs of Intelligence. Grand Rapids, Mich.: Baker, 2001, p. 168.

[8] Apud GEISLER & HOFFMAN, eds. Why Iam a Christian, p. 142.

[9] “The Universe: Past and Present Reflections”, Engineering and Science (November 1981): 12.

[10] Você poderá encontrar o comentário completo do presidente em http://www.whitehouse.gov/newslreleases/2003/02/2003020 1-2.html.

[11] O Segundo Mandamento proíbe “imagens” talvez por essa mesma razão. As imagens limitam a majestade de Deus. Ídolos são ídolos, quaisquer que sejam: de metal ou mentais. O Segundo Mandamento proíbe “imagens” talvez por essa mesma razão. As imagens limitam a majestade de Deus. Ídolos são ídolos, quaisquer que sejam: de metal ou mentais.

[12] V http://www.whirehouse.gov/news/ releases/2003/02/2003020 1-2.html.

[13] Ver nora na p. 32.

[14] Apud Fred HEEREN, Show Me God, vol. 1. Wheeling, Ill.: Daystar, 2000, p. 239.

[15] Dennis OVERBYE, “Zillions of Universes? Old Ours Get Lucky?”, The New York Times, October 28,2003, FÉ.

Extraído do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” – Norman Geisler & Frank Turek


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Comentários fechados neste artigo.

Advertisement