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Purgatório Milenial

Purgatório Milenial é um título estranho. Estranho porque é sabido que a Igreja Católica mantém o dogma do Purgatório sem tempo definido.

O Purgatório segundo o ensino católico é o lugar onde as almas dos que morrem na graça, mas que ainda não estão livres de toda a imperfeição, fazem expiação pelos pecados veniais não perdoados.

O católico que vai para o Purgatório não sabe quanto tempo ficará à espera de transferir-se para o céu. Para que possam abreviar o seu tempo de castigo no Purgatório existe o sacrifício das missas em sufrágio das almas que lá estão e orações feitas peloso parentes e amigos.

Para os leitores da Bíblia é conhecido que o único meio de expiação de pecados é o sangue de Cristo.

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (1JO 1:7)

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1JO 1:9)

“Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,” (Ap 1:5)

Os evangélicos crêem, segundo a Bíblia, que existe apenas dois lugares finais e definitivos depois da morte. Com a morte do corpo cessam as oportunidades de salvação. A base bíblica é Hb 9.27, que reza:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo.” Entendem que depois da morte, juízo. Do juízo individual resulta então a ida da alma e espírito para o céu. “Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. Mas temos confiança e sejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2 Co 5.6,8)

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.” (Fp 1.21-23).

O oposto ao céu, é inferno (Hades) para onde foi o rico, “E aconteceu que… morreu também o rico, e foi sepultado.E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.” (LC 16:22-23)
Jesus ensinou que há dois caminhos que levam a dois destinos diferentes. Ele disse, “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (MT 7:13-14)

PURGATÓRIO MILENIAL

Se os Católicos, repetimos, ensinam o dogma do Purgatório de tempo indefinido para os seus fiéis, quem ensina algo sobre o Purgatório Milenial? São as Testemunhas de Jeová. Ensinam que “… `a ressurreição de juízo´ é para aqueles cujos coraçóes talvez quisessem fazer o que era direito, mas que morreram sem terem tido a oportunidade de ouvir falar dos propósitos de Deus ou de aprender o que ele espera dos homens. Muitos destes talvez fossem pessoas decentes. Podem ter sido sinceros na sua crença.
Mas, assim mesmo `praticaram coisas vis´. Nunca tiveram oportunidade de saber da justiça de Deus. Estes receberão tal oportunidade. Eles a receberão na ` ressurreição do juízo´. Estas pessoas serão trazidas de volta à terra paradisíaca. Serão instruídas na verdade. Mostrar-se-lhes-á o que é correto. Se obedecerem às ordens de Deus, receberão a vida.” (Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 229/10)

No livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p. 175/1, STV, dizem,

“Alguns imaginam um grande trono e, em frente dele, uma longa fila de pessoas ressuscitadas dentre os mortos. À medida que cada pessoa passa diante do trono, ela é julgada pelas suas ações passadas, todas as quais estão anotadas no livro do Juiz. Com base nas coisas que a pessoa fez, ela é enviada, quer para o céu, quer para o inferno de fogo. …

“Ao contrário à opinião popular, ele não julgará as pessoas à base de seus pecados passados, muitos dos quais talvez tenham sido cometidos em ignorância. ” … Isto significa que quando a pessoa for ressuscitada, ela será julgada à base daquilo que fizer durante o Dia do Juízo, não à base do que fez antes de morrer.” …
“As pessoas que escolherem servir a Jeová estarão em posição de receber a vida eterna.”Mas, mesmo nestas melhores das circunstâncias, alguns se recusarão a servir a Deus.” … “Assim, depois de terem recebido plena oportunidade de mudar seu comportamento e de aprender a justiça, tais iníquos serão destruídos.”

MUDANÇAS DOUTRINÁRIAS

Declaração:
“Jesus mostrou que pelo menos algumas das pessoas injustas das antigas Sodoma e Gomorra estão presentes na terra, durante o Dia do Juízo. Embora tenham sido bastante imorais, podemos esperar que algumas delas sejam ressuscitadas. A citação é do livro na edição de 1983.

Contradição:
Na edição do mesmo livro, edição de 1989, a verdade ensinada pelas testemunhas de Jeová sofreu mudança e hoje ensinam sobre os habitantes de Sodoma e Gomorra, “Serão essas pessoas, tão terrivelmente iníquas, ressuscitadas durante o Dia do Juízo? Pelo que parece, as Escrituras indicam que não.”(p. 179/9)

Jeová, em sua misericórdia, as trará de volta de modo a terem oportunidade de aprender a respeito de seus propósitos. Mas as palavras de Jesus mostram também que alguns dos injustos aos quais ele e seus discípulos pregaram pessoalmente estarão presentes durante o Dia do Juízo.
Eles também serão ressuscitados e terão uma oportunidade adicional para aprenderem os propósitos de Deus. Para quem, naquele tempo, serão mais difícil aceitar Cristo qual rei? Para as pessoas de antiga Sodoma ou para os que rejeitaram a pregação de Jesus e de seus discípulos? De modo que para certos `injustos´ ressuscitados será mais fácil aprender sobre Deus e servi-lo do que para alguns outros `injustos´. “… o Dia de Juízo terá a duração de 1.000 anos, durante o qual Cristo e seus 144.000 fiéis seguidores ungidos reinarão…” (Idem, p. 179 ,180)

No livro mais recente – CONHECIMENTO que Conduz à Vida Eterna, p. 186, reza, “… quando bilhões de `injustos´ forem libertados dos grilhões da morte.” … “Os injustos serão ressuscitados numa Terra bonita e pacífica.” … “À medida que bilhões de ressuscitados vierem a conhecer e a amar o Criador, o conhecimento sobre Jeová encherá a terra como nunca antes.”

As Testemunhas de Jeová crêem que uma pessoa como Adolf Hitler (um injusto) terá uma segunda chance; ou seja, será ressuscitada e aprenderá os ensinos sobre como amar o Criador.

JUSTOS, INJUSTOS E INÍQUOS

Para as testemunhas de Jeová existem três classes de pessoas: a primeira são os justos, isto é, aqueles que aceitaram a mensagem delas; a segunda classe são os injustos que, no conceito delas, indicam as pessoas que não ouviram a mensagem que pregam como sendo o reino de Deus estabelecido no céu em 1914 e que praticaram coisas vis; e terceira classe a dos iníquos que são aqueles que não ressuscitarão porque como associados da sua organização aceitaram transfusão de sangue e os que deliberadamente recusaram a mensagem depois de serem associados. Os justos por sua vez estão subdivididos em duas classes: a classe das Outras Ovelhas ou da Grande Multidão, que viverão na terra. Número ilimitado os desta classe. A classe dos Ungidos, com esperança celestial, o número de seus membros é de apenas 144 mil.

RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

Jesus falou a respeito de dois tipos de ressurreição. A ressurreição para a vida e a ressurreição para a condenação, não para uma segunda chance de salvação na terra paradisíaca para os que fizeram coisas vis.

“Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.” (JO 5:28-29)

Paulo também se referiu a esses dois tipos de ressurreição. Disse ele, “Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos.” (AT 24:15)

Sobre a ressurreição dos justos, ensinou ele que ela ocorrerá no arrebatamento da Igreja, ou na segunda vinda de Jesus.

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” (FP 3:20-21)

Ensinou mais, “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1TS 4:16-17)

Logo, segundo o ensino citado, haverá uma primeira ressurreição. quanto ao tempo, ” os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”

“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” (AP 20:4-6)

Segundo Ap 20.5 a ressurreição dos ímpios ocorre, não antes, nem durante o milênio.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.” (AP 20:5)

A última ressurreição que ocorrerá mil anos depois é a do Juízo Final ou também chamada do Trono Branco para a condenação como afirmou Jesus em João 5.29, citado acima. O livro do Apocalipse 20.13-15 descreve essa ressurreição:

“E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”

O SENTIDO DA PALAVRA JUÍZO

Irreverente e abusivamente, as testemunhas de Jeová procuram dar um sentido diferente para a palavra `juízo´ com o sentido de ` prova´ , ` teste´ ou como dizem enfaticamente, uma ` segunda oportunidade `. Acrescentam então que não há nada a temer senão, pelo contrário, motivo de grande regozijo para todos que estão na expectativa do dia de juízo final.

Quão absurda é essa interpretação se pode notar pelo que está escrito em Hebreus 10.27-31, que reza:

“Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.”

Sobre o Juízo Final Paulo declara:

“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;” (RM 2:4-8)

Tão terrível é o dia de juízo final que se lê, “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.” (AP 20:11)

Para nós, cristãos, é verdadeiro motivo de alegria não tomar parte nesse juízo Final.

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (JO 3:18)

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (JO 5:24)

EXISTE PUNIÇÃO ADICIONAL PELO PECADO APÓS A MORTE?

Citando o texto de Romanos 6.7, está escrito no livro Raciocínios à base das Escrituras, p. 287, STV, “Quem morreu, ficou livre do pecado.” (MC: “Aquele que morreu está absolvido do pecado.”)

Ensinam, então, que, como o salário do pecado é a morte (Rm 6.23) e que morte significa cessação de existência consciente e inteligente, a pessoa que morre, com a morte física, fica absolvida do pecado cometido em sua vida.

Ora, qualquer pessoa que lê o contexto vai observar que Paulo está falando do batismo e que a pessoa que se batiza, no simbolismo do batismo, está representada sua morte para o pecado, enquanto viva.

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado.Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.” (RM 6:4-11)

Será que alguém tem dúvida de que o ensino da segunda oportunidade é exatamente como o ensino católico do purgatório, com a diferença que o Purgatório católico não tem prazo definido, mas o ensinado pelas testemunhas de Jeová tem o prazo definido de mil anos. Julgado o ser humano não pelas coisas vis que praticou mas pelo que fará durante o prazo de mil anos no paraíso na terra. Dizem que cerca de 20 bilhões de pessoas vão ressuscitar para terem uma segunda oportunidade de obter vida eterna. Sem dúvida, é um evangelho diferente do pregado por Jesus e pelos apóstolos.

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (MC 16:15-16)

Disse Paulo, “(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação).” (2CO 6:2)

“Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto.” (HB 3.7-9)

Se existe uma segunda oportunidade de salvação para os que ouviram e rejeitaram o evangelho, as admoestações dos escritores da Bíblia, que já temos citado, perdem totalmente o seu valor e força. Se o pecador que comete coisas vis pensa que haverá uma segunda oportunidade no Purgatório Milenial das testemunhas de Jeová, é o caso de repetir o que disse Paulo sobre os filósofos dos seus dias, “… Comamos e bebamos, que amanhã morreremos. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.” (1CO 15:32-33) É sem dúvida, um outro evangelho anatematizado. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” (GL 1:8)

Muito cuidado, amigo leitor, tenha presente o ensino das próprias testemunhas de Jeová sobre suas mudanças doutrinarias. Dizem, “A verdade não admite a existência de todas as espécies divergentes de doutrinas religiosas no mundo.” Por exemplo, o povo de Sodoma e Gomorra vão ressuscitar ou não?

“O que faria se alguém lhe apontasse o erro? Será que o orgulho e a obstinação lhe impediriam admitir que está na estrada errada?” (Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra, p. 32/10)

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