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Qual é o estado dos mortos?

por Pr. Natanael Rinaldi - qui maio 25, 10:45 am

Pergunta: Há quem diga que o ser humano, ao morrer, se reduz a nada. Ora, nós cristãos acreditamos que o espírito dos mortos está consciente depois da morte. Em apoio à ideia que com o falecimento as pessoas aniquilam-se ou dormem na inconsciência, são citadas as palavras de Eclesiastes 9.5. O que diz o Pastor?

Resposta: Para responder sua pergunta, devemos considerar as palavras do verso 5 que diz: “os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma…” Tais palavras não provam estar o espírito do defunto inconsciente em algum lugar, revelam apenas que ele ignora aquilo que acontece “debaixo do sol”, isto é, na terra (Eclesiastes 9.6).

Pergunta: Então a Bíblia não defende a doutrina do sono da alma, ou do aniquilamento?

Resposta: Não, e isto podemos ver em Gênesis 35.18 que diz que quando alguém morre, sua alma se retira do corpo. Em Mateus 10.28 Jesus fala que não se pode matar a alma. Em Apocalipse 6.9-11 lemos sobre a alma viva de pessoas mortas, em estado consciente clamando em alta voz, e ainda em Lucas 16.19-31 Jesus conta que o rico ao morrer foi ao Hades e em estado consciente estava em sofrimento.

Pergunta: Como podemos entender o v. 6 que diz “Até o seu amor, o seu ódio, a sua inveja pereceram e já não tem parte alguma, neste século, em coisa alguma que se faz debaixo do sol”?

Resposta: Não vejo muito problema na interpretação dessas palavras, pois com efeito o amor, o ódio a inveja perecem no túmulo, visto haver deixado na terra quem, integrado na sociedade amava, odiava, cobiçava. Como pode, por exemplo, o marido falecido amar a sua esposa que se acha na terra? Será possível odiar-se alguém ainda vivo, quando o corpo jaz na sepultura e o espírito se encontra no céu, ou no hades, aguardando a ressurreição do corpo? Pode-se invejar, na eternidade, o ouro, a posição, a glória de indivíduos que habitam o globo terrestre? Repetimos:’ Eclesiastes 9.5 refere-se à atividade e participação do defunto debaixo do sol, ou seja, no mundo dos vivos.

Pergunta: Essa expressão ‘debaixo do sol’ aparece muitas vezes no livro de Eclesiastes? Quantas vezes encontramos essa expressão nesse livro?

Resposta: Quero dizer que a expressão chave para entender o livro de Eclesiastes é “debaixo do sol”, mencionada 29 vezes num livro relativamente pequeno. Esse pormenor é muitíssimo importante para a exata compreensão de algumas frases obscuras desse livro.

Pergunta: Que frases seriam essas?

Resposta: Os versos 9 e 10 aconselham a aproveitarmos bem o tempo que dispomos “debaixo do sol”, porque após a morte já não nem ciência, nem sabedoria alguma. Evidentemente, o sapateiro morto cessou de consertar sapatos; o pedreiro falecido não prossegue construindo edifícios; o cientista deixa de trabalhar em prol da ciência e assim por diante. Jesus aconselhou que devemos aproveitar a oportunidade enquanto tivermos vida, proclamando o evangelho. Ele frisou: “a noite vem quando ninguém pode trabalhar” (João 9.4).

Pergunta: Na verdade, enquanto vivos podemos evangelizar, pregar, doutrinar, podemos auxiliar os necessitados, visitar os enfermos, numa palavra disseminar o bem. Depois de tombarmos no sepulcro, ao sobrevir a noite, e terminar a nossa missão na terra, findou o nosso trabalho “debaixo do sol”. Mas como se interpreta a expressão de Eclesiastes 9.5 que declara que os mortos não tem jamais recompensa?

Resposta: A sua pergunta é bem interessante, pois se não explicarmos essas palavras corretamente, parece que a Bíblia entra em contradição, haja vista que em outras partes a Bíblia fala da recompensa, do galardão dos justos, como por exemplo Mateus 5.12 e Apocalipse 22.12. O que o escritor de Eclesiastes quis dizer é que devemos gozar a vida debaixo do sol, ou seja, aqui na terra devemos usufruir do fruto do nosso esforço, da recompensa de nossas obras (Eclesiastes 2.24, 3.13, 3.22 e 5.19), visto que no túmulo não existe recompensa material, pois não há obra, indústria, ciência nem sabedoria alguma.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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