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Quem é o deus das Religiões?

Ao longo de dois milênios, a igreja cristã sempre man­teve uma unidade essencial concernente à natureza de Deus como proclamado nos credos, sermões e livros. Assim como é revelado na Bíblia Sagrada, Deus é ilimi­tado em seus atributos, contudo pessoal em sua relação com a criação. Além disso, essa Deidade infinito-pessoal é indivisível em sua natureza e essência, não obstante existir eterna e simultaneamente como Pai, Filho e Espírito Santo.

Várias falsas religiões na história da igreja, inclusive al­guns grupos contemporâneos, repudiaram o verdadeiro co­nhecimento de Deus apresentado pela Bíblia. Esses erros geralmente consistem em mudanças extremistas. Geralmente, os cultos e religiões veem Deus como infinito, mas não pessoal, ou pessoal, mas não infinito. Outros cultos e religiões negam a doutrina da Trindade, compreendendo o divino como consistindo em vários deuses e, quando não, interpretam a divindade como meras manifestações de uma só pessoa, ou ainda negando a legítima divindade de Jesus e do Espírito Santo.

Recentemente, até mesmo alguns evangélicos têm abra­çado algumas dessas perspectivas incorretas sobre Deus. A razão para os erros que surgiram é a tentativa de se entender Deus sem a ajuda da revelação divina, ou seja, a razão huma­na combatendo contra a revelação clara de Deus encontrada nas Sagradas Escrituras. Assim, estas compreensões dese­quilibradas e heréticas acerca de Deus somente poderão ser evitadas se as pessoas permitirem que a Bíblia dê seu vere­dicto, não forçando a interpretação para que haja uma conformação com a razão humana, mas aceitando sua sentença como revelação divina. Este foi o testemunho da igreja orto­doxa pelos séculos e deve ser nossa posição hoje.

UM DEUS PESSOAL E INFINITO

O apóstolo Paulo, em sua primeira epístola aos cris­tãos de Corinto, disse: “Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na ter­ra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1Co 8.5,6).

O que Paulo deixou claro nessas palavras é que somente o fato de usar o termo Deus ou Senhor, ou ter objetos de adoração, não significa, necessariamente, estar falando do mesmo ser divino. A importância de conhecer e adorar o verdadeiro Deus, o único revelado pela Bíblia, é essencial nestes dias de pluralismo religioso que estamos vivendo. Esta relação entre a fé bíblica e as religiões não-cristãs pode ser perigosa para a promoção da verdade e causar confusão para o entendimento do verdadeiro evangelho.

A concepção histórica de Deus mantém um equilíbrio de ideias que revelam sua majestade de maneira contrária ao que é apresentado nas religiões não-cristãs do mundo.

Esta matéria demonstrará que a concepção que Deus retratou na Bíblia está entre os extremos teológicos dentro das falsas religiões e especialmente nos cultos. O Deus da Bíblia é pessoal e infinito, a Trindade é a união de três pes­soas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em uma única divin­dade, sendo iguais, eternas, da mesma substância, entre­tanto distintas, sendo Deus cada uma dessas pessoas (Mt 28.19; Ef 4.4-6). Examinaremos as perspectivas das várias religiões, contrastando suas visões com os ensinos bíbli­cos e sugestionando razões para tais erros doutrinários.

CONCEITOS ERRÔNEOS SOBRE DEUS

Apontaremos alguns grupos religiosos representando- os por meio dos conceitos pelos quais distorceram a natu­reza e a personalidade de Deus.

■ Crença em uma deidade pessoal-finita

Se desejamos ter comunhão com Deus e acreditamos em sua ação em nossos momentos de necessidade, o reconhe­cimento de que Ele é pessoal torna-se fundamental. Até mesmo a própria designação de Deus como “Pai” revela que Ele ama e cuida de seus filhos, atitude esta que o título “Criador” não consegue denotar. Além disso, Jesus, o filho de Deus, nos diz que devemos orar ao “Pai”, pois Ele nos imputa imenso valor (Mt 10.29) e que este mesmo “Pai” galardoará aqueles que lhe pedirem (Mt 7.11). Esse aspecto de Deus é concordado pela maioria dos grupos “cristãos”. Já os grupos influenciados pelo gnosticismo ou pelas reli­giões orientais parecem rejeitar a natureza pessoal de Deus, enquanto aqueles que a aceitam acabam erroneamente en­xergando esta deidade com várias limitações.

Concepções de um deus finito são cridas pelos mórmons e pelas testemunhas-de-jeová. A teologia mórmon necessi­ta de um deus finito, pois creem que deus evoluiu e que ele realmente foi um homem assim como nós: “Deus foi uma vez como somos agora, ele é um homem exaltado…”. Além dis­so, possuindo corpos físicos,  os deuses mórmons tam­bém não são onipresentes: “Deus não é onipresente […] não pode estar fisicamente presente em mais de um lugar ao mesmo tempo” E este conceito inclui o Espírito Santo. O deus mórmon também é limitado em outros sentidos, pois não é onisciente, não é eterno, e não é imutável.

A falha das testemunhas-de-jeová em expor os atributos de Deus não é tão explícita quanto vemos no mormonismo; no entanto, elas também rejeitam alguns dos atributos infinitos da Deidade. Embora aceitem a onipotência de Deus, as testemunhas-de-jeová revelam dificuldades com sua onisciência e onipresença De acordo com o pesquisador David Sherril, apologista que estuda o jeovismo, a rejeição à onipresença de Deus se deve à convicção da Sociedade Torre de Vigia (stv) em ensinar que todos os seres têm de possuir algum tipo de corpo, seja físico ou espiritual, fazendo que seus seguidores conce­bam Deus localizado em um determinado lugar. Consideran­do que Deus seguramente está em um trono no céu, Ele não pode estar em todos os outros lugares; por conseguinte, é o poder dele que está em todos os lugares, não sua pessoa.

■ Crença em uma deidade impessoal-infinita

Os tipos de grupos religiosos discutidos anteriormente são considerados heterodoxos, pois distorcem a concepção da Deidade; entretanto, mesmo com tais divergências, po­dem ser classificados, em certo sentido, como grupos que observam “cultos cristãos”. Isso se deve à semelhança de nomenclatura cristã empregada por tais grupos em seus cul­tos. Por outro lado, religiões que proclamam uma deidade impessoal, mas infinita, geralmente refletem uma concepção gnóstica ou oriental de Deus, utilizando a terminologia cristã para se enredar com maior facilidade na cultura ocidental.

Defensores de um deus impessoal e infinito são facilmente encontrados nos campos da “metafísica” ou “ciência da men­te”; também compartilham dessa concepção os diversos segmentos da Nova Era, que têm se proliferado rapidamente nas últimas décadas sob a máscara de uma ampla variedade de nomes. Esses compartilham a perspectiva de que Deus não é pessoal,  conceituando-o como a essência de toda a reali­dade que está na mente ou na consciência. Essa visão ge­ralmente se identifica com o panteísmo, ensinamento que pre­ga que Deus é infinito porque tudo é Deus e Deus é tudo. A Ciência Cristã, um dos grupos que creem na chamada “ciência da mente”, também não acredita em Deus como um ser pessoal e define a Trindade nos termos de vida, verdade e amor.

A espiritualidade da Nova Era vem em grande parte da religião oriental e, por conseguinte, envolve o monismo e o panteísmo. Isso acabou “ocidentalizando” a perspectiva religiosa oriental que acredita que Deus é tudo aquilo que existe e que tudo e todo mundo é Deus. Vemos esse concei­to demonstrado de forma interessante em uma declaração famosa do Upanishads, antiga escritura do hinduísmo, repetida pelo “guru” Maharishi Mahesh Yogi: “Eu sou aquilo, você é aquilo, tudo isso é aquilo, aquilo sozinho está, e não há mais nada além daquilo”.

■ Crença no modalismo

Conforme esta crença, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são apenas três aspectos da divindade, sendo, portanto, uma só Pessoa, ou seja, ensinam que as três pessoas da Trindade se manifestavam de vários modos, daí o nome modalista, conhecido atualmente como Sabelianismo por ter sido um ensino propagado pelo bispo Sabélio.

A Igreja Local, fundada por Witness Lee, é um claro exemplo da visão modalista de Deus. Outros grupos que possuem a mesma concepção são: Tabernáculo da Fé, fundado por William Marrion Braham; Só Jesus, funda­do por John Schepp; e Voz da Verdade,  fundado por Carlos Moysés, entre outros.

Provavelmente, nenhum culto contemporâneo é mais famoso em sua posição politeísta do que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os mórmons creem na existência de milhões de deuses: “Existem mais deuses do que partículas de matéria”. Entretanto, apenas três — Pai, Filho e Espírito Santo — são objetos da adoração mórmon.

A última divergência doutrinária que inserimos nesta perspectiva histórica do cristianismo é a heresia do arianismo. Essa concepção foi condenada no famoso Con­cilio de Nicéia (325 d.C.). Na ocasião, o bispo Ario defen­deu a doutrina de que o Filho de Deus era um ser criado, mas seu ensinamento foi veementemente combatido por Atanásio que, por sua vez, teve seus argumentos aceitos pelo Concilio. Atanásio ensinou que o Filho possuía a mesma essência do Pai, sendo, portanto, igualmente Deus. Meio século depois (381 d.C.), o Concilio de Constantinopla afir­mou a igualdade da Deidade do Espírito Santo; Deus, en­tão, é uma essência indivisível em três pessoas.

Sem dúvida nenhuma, o culto arianista mais difundido está atualmente representado pela Sociedade Torre de Vi­gia, mais conhecida pela identidade de seus seguidores, as testemunhas-de-jeová. A estratégia utilizada pela organiza­ção das Testemunhas de Jeová foi subverter a doutrina da Trindade aproveitando a grande discussão cristã acerca desse ensinamento. Igualmente ensinam que Jesus foi o primeiro ser criado por Deus, sendo um deus de categoria “inferior”, poderoso, mas não Todo-Poderoso.

Raciocínio semelhante a este também pode ser encon­trado entre o grupo dos cristadelfianos.

AVALIAÇÃO DOS CONCEITOS ERRÔNEOS SOBRE DEUS

Podemos observar nesta breve matéria que os vários cultos e falsas religiões aqui apresentados não mantêm o equilíbrio bíblico da concepção de Deus. Avaliando a ques­tão, logicamente concluímos que há um só Deus (Dt 6.4, 1Co 8.6). E que o Pai, o Filho e o Espírito Santos são chamados de Deus e possuem os atributos da Deidade (Ef 5:20; Rm 9:5; At 5.4).

Quando um culto é apresentado biblicamente com base nessas duas declarações ortodoxas, os seguidores das fal­sas religiões concluem que uma delas necessariamente está errada, ou seja, que existe mais de um deus (politeísmo, como vimos no mormonismo), que as três pessoas devem ser a mesma pessoa (modalismo, como vimos na Igreja Local) e/ ou que o Pai é Deus e o Filho e o Espírito não possuem a mesma essência, sendo diferentes de Deus (arianismo, como vimos nas testemunhas-de-jeová). Todavia, a concepção bíblica e histórica de Deus está bem declarada no Credo de Atanásio (no qual inserimos alguns versículos bíblicos que comprovam suas declarações):

“Assim, o Pai é Deus (Ef 5.20), o Filho é Deus (Rm 9.5) e o Espírito Santo é Deus (At 5.4). E, no entanto, não são três deuses, mas um só Deus (Dt 6.4; 1Co 8.6). Igualmente, o Pai é Senhor (Ap 21.22), o Filho é Senhor (Jd 4; 1Co 8.6), o Espírito Santo é Senhor (2Co 3.17). E, no entanto, não são três senhores, mas um só é Senhor (Ef 4.5). Pois, da mesma forma que somos compelidos pela verdade cristã a reconhe­cer cada Pessoa, por si mesma, como Deus e Senhor, assim também somos proibidos pela religião católica (universal) de dizer: existem três deuses ou três senhores”.

O mesmo pode ser esclarecido sobre o fato de Deus ser infinito e pessoal ao mesmo tempo. A Bíblia revela que Deus é transcendente sobre todo o universo (SI 57.11; Zc 14.9) e que Deus está intimamente envolvido com o universo (Gn 1.1; SI 113.6). Ele é o Criador do tempo e do espaço, por isso Ele transcende o universo. Como pode tal Deus realmente estar interessado em nós ou se envolver com nossas vidas, até mesmo a ponto de enviar seu Filho (Deus) para compar­tilhar nossa humanidade e sofrimento? Não podemos com­preender o amor de Deus, mas a Bíblia, infalível em suas declarações, nos conduz à conclusão de que ambas as di­mensões de Deus são verdadeiras. A doutrina bíblica inspi­rada por Deus tem capacidade plena de conciliar harmonio­samente os “elementos divergentes” (para alguns) da infi­nidade divina com o relacionamento pessoal, elementos indispensáveis para o genuíno sentido da adoração.

Temos de nos centrar em Deus, não no homem. Os cris­tãos ortodoxos estão dispostos a aceitar o ensinamento bíblico sobre Deus até mesmo quando eles não podem ex­plicar todos os aspectos de sua revelação. Às vezes, pode­mos entender o “qual”, mas não podemos entender o “como”, ou, frequentemente, o “porquê”. Deus simplesmen­te quer que confiemos em sua Palavra. A diferença entre a verdadeira religião e a falsa religião é a adesão à ego-revelação de Deus na Bíblia, ou seja, as interpretações que revelam um deus que satisfaça nossas limitações em entendê-lo. É a rejeição da adoração ao Deus Santo apresentado pela Bíblia para fabricar um deus sob as concepções humanas, o que, como analisamos, podemos considerar a causa dos erros que se desenvolveram desde o início da igreja primitiva e continua nos assolando até hoje.

WAYNE HOUSE, REVISTA DEFESA DA FÉ – ANO 8 – N° 55

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