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Quem foi “a senhora eleita”?

por Artigo compilado - sex set 14, 11:51 pm

PROBLEMA: João enviou sua segunda carta a uma “senhora eleita”. Alguns sugeriram que, por ter sido esta uma carta estritamente pessoal, dirigida a uma senhora em particular, ela não deve pertencer ao cânon das Escrituras. A “senhora eleita” era uma pessoa, ou não?

SOLUÇÃO:
 Primeiro, mesmo que a “senhora eleita” tenha sido uma determinada pessoa, isso não seria razão para excluir essa carta do cânon das Escrituras. Várias das epístolas de Paulo foram cartas pessoais escritas a pessoas em particular (por exemplo: Timóteo, Tito, Filemom).

Segundo, é possível que a senhora eleita não tenha sido uma pessoa em particular. Os comentaristas que têm feito proposições a respeito disso enquadram-se em duas categorias: os que defendem uma posição literal e os que aceitam a expressão como sendo figurativa.

Aqueles da posição literal dizem que se tratava de uma determinada pessoa, conhecida de João. Destacam-se alguns pontos na defesa dessa posição. Primeiro, parece ser mais natural considerar as palavras como destinando-se realmente a uma senhora e a seus filhos. Essa posição é compatível com as referências aos filhos da senhora eleita, à sua irmã (v. 13) e aos filhos da sua irmã (v. 13). A estrutura básica do cumprimento encontrado no versículo 1 está de acordo com a estrutura básica do cumprimento feito em 3 João 1 (“Ao… a quem eu amo na verdade”), que foi dirigido a uma pessoa em particular.

Finalmente, se o termo “senhora” refere-se à igreja, então a quem se refere a palavra “filhos”? Os “filhos” não fazem parte da igreja? São eles de alguma maneira diferentes em relação à igreja?

Terceiro, os que sustentam que se trata de uma figura de linguagem dizem que essa é uma referência à igreja como um todo ou a uma igreja local em particular. Os seguintes pontos são considerados em favor dessa posição. Primeiro, João afirma que essa senhora é amada não somente por ele, mas por “todos os que conhecem a verdade” (v. 1). Isso significaria que ela era conhecida de todos. Entretanto, essa observação é mais própria no caso de uma referência a uma igreja local do que a uma pessoa em particular.

Segundo, embora João tenha começado a carta com o tratamento na segunda pessoa do singular [“teus” filhos (v. 4), “peço-te” (v. 5)J, ele muda para a segunda pessoa do plural a partir do versículo 6] [“ouvistes” (v. 6), “perderdes” (v. 8), “convosco” (v.10)]. Agora, se ele estivesse se dirigindo literalmente a uma mulher, por que usaria o plural?

Terceiro, o apelo a que “nos amemos uns aos outros” (v. 5) faz mais sentido quando dirigido a uma comunidade de crentes do que a uma mulher e seus filhos.

Quarto, a personificação da igreja em termos femininos é comum na Bíblia (por exemplo, Efésios 5:29ss, onde Paulo desenvolve a idéia de que a igreja é a noiva de Cristo; 1 Pedro 5:13, onde Pedro usa uma expressão feminina com referência à igreja).

Embora não tenhamos como decidir essa questão em termos definitivos com base na informação disponível, é certo que, mesmo que essa carta tenha sido dirigida literalmente a uma mulher, isso não a excluiria do cânon das Escrituras. E não está claro que a referência seja a uma determinada senhora.

Fonte: MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia


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