|
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS
- CACP

(2º DEBATE)
Prezado sr. Mário!
Já faz algum tempo que nós
trocamos alguns comentários por e-mail pertinentes ao tema reencarnação.
Como já havia lhe avisado em e-mail anterior não pude lhe
responder prontamente, devido aos inúmeros e-mails que preciso
responder, além de trabalhos de cunho secular. Todavia, agora me
sobrou tempo para debruçar-me sobre a questão em debate.
É o que proponho a fazer neste e-mail.
Li suas considerações ao meu e-mail anterior e gostaria
de comentar suas respostas levando em conta a autoridade das escrituras
sagradas.
Minhas respostas estarão em preto enquanto que as suas deixei destacado
em cor azul.

DEBATE
Amigo Paulo Cristiano, que Deus continue
te abençoando. Quando começamos a trocar informações
a partir de um artigo no vosso informativo, já sabíamos
que não concordaríamos sobre o tema Reencarnação.
Prezado Mário, a doutrina da reencarnação não
pode ser substanciada nas escrituras sagradas - a Bíblia. Levando-se
em conta que toda a minha filosofia de vida e crença se baseia
única e exclusivamente nela, nunca poderíamos chegar a um
denominador comum.
Creio que o senhor percebeu a dificuldade em coadunar as duas proposições,
visto que se excluem mutuamente. Partindo deste enfoque lógico,
percebe-se que uma delas deve ser necessariamente falsa.
Mas através de suas expressões,
passei a compreender mais os argumentos contrários a esta doutrina,
que, aliás, não foi criada por Allan Kardec. Kardec, nasceu
católico e depois foi estudar num país protestante, a Suiça,
tornando-se aluno do grande educador Pestalozzi. Fico contente em saber
que você tem consultado o Livro dos Espíritos, mesmo que,
procurando nele discrepâncias doutrinárias.
O senhor tem toda razão quando diz que a doutrina da reencarnação
não foi criada por Allan Kardec, isso eu já lhe havia informado
de maneira sobeja em meu penúltimo e-mail, e volto a reiterar:
a doutrina da reencarnação não foi criada por Kardec,
o papel de Kardec foi dar um sabor distinto e colorido ao gosto ocidental
nesta crença. A reencarnação remonta aos tempos primitivos
dos Hindus, dos brâmanes de onde Buda a tomou emprestada e adaptou-a
aos costumes chineses criando assim o seu "nirvana". Na Grécia,
parece que Pitágoras foi quem introduziu-a primeiramente depois
de ter recebido de seu mestre Ferécides. Já em Roma ela
não teve muita aceitação, haja vista, quase nenhum
escritor famoso tê-la ensinado.
Depois de Kardec difundir tal teoria, apareceram vários grupos
com tipos diferentes de teorias reencarnacionistas, mesclando uma ou outra
concepção provindas do budismo, hinduismo, taoísmo
e cristianismo. Neste último, temos os chamados "reencarnacionistas
cristãos" e os adeptos da Nova Era.
Kardec foi discípulo de Pestalozzi (o tal instituto era de tendência
protestante liberal) e dele absorveu o naturalismo de Rousseau no qual
Pestalozzi tanto se afundara. É interessante salientar que Pestalozzi
desiludido com a carreia religiosa foi influenciado por este último
e descambou para o naturalismo. Era normal que Kardec absorvesse as idéias
naturalistas de seu tempo aplicando-as posteriormente em suas concepções
religiosas. Não cabe aqui comentar, mas a suma das doutrinas kardecistas
refletem apenas o conhecimento da época e não tem quase
nada a ver com doutrina dos espíritos.
A Reencarnação á
apenas um dos pilares em que está apoiada a Doutrina Espírita.
Os outros são a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos.
Todas as doutrinas espiritualistas concordam que o corpo morre, mas a
alma ( para nós, espírito encarnado ), viverá sempre,
eternamente. Poderia aqui dizer a você que biblicamente isto está
manifestado na transfiguração de Jesus e das aparições
de Elias e Moisés a seu lado, de maneira tão forte que os
discípulos perguntaram ao Divino Mestre sobre a possibilidade de
se fazer tendas para os visitantes. Sei que o texto oferece campo imenso
para outras interpretações teológicas e a discussão
seria infindável. E antes que você argumente que, se Elias
era a reencarnação de João Batista, por que não
foi ele a se materializar, respondo que há uma possibilidade do
espírito se apresentar de maneira que melhor lhe agradar. Chama-se
ideoplastia, isto é, o espírito age pela força do
seu pensamento e agrupa o ectoplasma da forma desejada. Isso funciona
também para os maus espíritos, que podem apresentar-se em
formas horrendas, pois essa é a qualidade dos seus pensamentos
perversos.
Conquanto, sabemos deste leque nos fundamentos da teoria reencarnacionista
do kardecismo, não quero, entretanto, me alongar nos outros dois,
isto é, na imortalidade da alma e a comunicação com
os espíritos.
Pretendo me limitar ao primeiro pilar do espiritismo - a reencarnação.
O senhor alega que o episódio bíblico da "transfiguração"
é uma suposta base bíblica para a doutrina espírita.
Permita-me mostrar onde se encontra o equívoco deste argumento.
O que caracteriza uma sessão espírita clássica? Não
é a comunicação entre pessoas vivas com espíritos
dos que partiram? Se tal for o caso, o episódio da Transfiguração,
registrado em Mateus 17:1-8 se caracterizaria exatamente como isso-uma
sessão espírita. Afinal, ali estariam dois que há
muito partiram desta vida, Moisés e Elias, entrevistando-se com
Jesus, na presença de três de Seus discípulos de maior
confiança Pedro, Tiago e João. Mas o que diz a Bíblia?
Primeiramente queremos deixar claro que o assunto tem de ser entendido
dentro do seu contexto. Sair fora dele é falsificar a mensagem,
dando a ela uma conotação errônea.
Darei aqui algumas poucas razões do porquê da Transfiguração.
1º - A transfiguração de Jesus revela a grandiosidade
da glória do seu reino. Ele havia prometido na semana anterior,
que alguns de seus discípulos que ali estavam não morreriam
antes que vissem a glória do seu reino:
"Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão
aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam
o reino de Deus. Cerca de oito dias depois de ter proferido essas palavras,
tomou Jesus consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte
para orar." (Lucas 9:27-28).
Como era essa glória? Vejamos o depoimento das testemunhas "in
loco";
"e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como
o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.." [Mateus
17:2 - Mc. 9:3; Lc. 9:29]
Apesar de Jesus estar em forma de homem, em estado de humilhação,
antecipou aos seus discípulos ver a glória do pós-ressurreição
como aparece em Apocalipse:
"E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete
candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de
homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito
com um cinto de ouro; e a sua cabeça e cabelos eram brancos como
lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo; e os
seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado
numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas." [Apocalipse
1:12-15]
Esta é aquela mesma glória que Ele reclamava ter tido antes
de vir ao mundo:
"Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo,
com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse."
[João 17:5]
2º - Outra razão foi a de sancionar o seu ministério.
Ora, Jesus manifestou-se com o testemunho da lei e dos profetas (Jo. 5:46;
Rm. 3:21 etc...]
Nada mais justo que os principais representantes da lei e dos profetas
- Moisés e Elias - viessem pessoalmente legitimar seu ministério!
3º - A declaração de Deus. No verso 5 Deus confirma
o ministério de Cristo da seguinte maneira:
"Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu;
e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem
me comprazo; a ele ouvi."
Legitimava-se desta maneira o Filho de Deus como superior a Moisés
e Elias. Para entendermos melhor isso teremos de voltar oito dias antes,
quando então Jesus perguntava aos seus discípulos:
"... Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles:
Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros,
Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus,
quem dizeis que eu sou?Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és
o Cristo, o Filho do Deus vivo." [Mateus 16:13-16]
Veja que Jesus pedia uma clara declaração formal de seus
discípulos sobre sua identidade e autoridade. Mais tarde porém,
no episódio do monte, o próprio Deus atesta pessoalmente
esta identidade aos seus discípulos v.5.
Agora vamos à mais algumas considerações:
É impossível conceber que João Batista seja Elias
reencarnado.
Dentre as muitas razões porque cremos que João Batista não
era Elias, queremos citar apenas quatro:
1) - Os judeus criam que João Batista fosse Elias ressuscitado,
não reencarnado (Lucas 9:7,8).
2) - Se a reencarnação é o ato ou efeito de reencarnar,
pluralidade de existência com um só espírito, é
evidente que um vivo não pode ser a reencarnação
de alguém que não morreu. Fica claro assim que João
não era Elias já que este não morreu, tendo sido
arrebatado vivo para Deus (II Crônicas 2:11). A lei reencarnacionista
é bem clara, que inclusive está escrita no túmulo
de Allan Kardec: "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre, esta
é a lei". Logo, é preciso morrer para poder renascer.
Com isso, desfaz-se em definitivo o argumento espírita que João
Batista foi a reencarnação de Elias.
3) - Elias disse abertamente, sobre essa questão, quando lhe perguntaram:
"És tu Elias?", ele respondeu desembaraçadamente:
"NÃO SOU" (João 1:21). Parece que, se a doutrina
da reencarnação existiu entre os judeus, Elias e João
Batista nunca creram nela!
4) Se João Batista fosse Elias, no momento da transfiguração
de Cristo teriam aparecido Moisés e João (que já
que por esse tempo Herodes já tinha mandado degolá-lo) e
não Moisés e Elias (Mateus 17:1-8), pois segundo afirmam
os espíritas, o espírito aparece com a forma da última
reencarnação, o que não se deu naquele momento.
Vamos nos deter aqui um pouco e comentar sua objeção quanto
a este fato; segundo o senhor mesmo diz:
"E antes que você argumente que, se Elias era a reencarnação
de João Batista, por que não foi ele a se materializar,
respondo que há uma possibilidade do espírito se apresentar
de maneira que melhor lhe agradar. Chama-se ideoplastia, isto é,
o espírito age pela força do seu pensamento e agrupa o ectoplasma
da forma desejada. Isso funciona também para os maus espíritos,
que podem apresentar-se em formas horrendas, pois essa é a qualidade
dos seus pensamentos perversos."
Ora este argumento levanta algumas dificuldades para a teoria espírita,
vejamos:
Afirma AK; "A reencarnação fazia parte dos dogmas
judaicos sob o nome de ressurreição. A reencarnação
é a volta da alma, ou espírito, a vida corporal, mas em
outro corpo..." (Livro: O Evangelho Segundo e Espiritismo - pág.24-25).
Vou passar por cima dos erros grosseiros de AK em confundir reencarnação
com ressurreição e chamar apenas a atenção
para o fato de que ele mesmo confessa que é em "outro corpo"
e não "no mesmo" que o espírito volta. Querer
justificar esta incoerência espírita debaixo de eufemismos
tais como "...há uma possibilidade do espírito..."
e frases afins, não salvará esta tese do seu fracasso lógico.
Suposições são suposições e nada mais!
Mas, suponhamos que houvesse essa tal "possibilidade", quem
pode afirmar com certeza que ele a usou realmente? Este episódio
não deixa quaisquer vestígio de que ele tenha procedido
desta maneira.
Pergunto ainda: Moisés também teria usado este recurso espírita
de ideoplastia? Moisés naquela ocasião havia falecido há
dezenas de séculos. Imagina quantas reencarnações
supostamente não houvera passado até aquele momento! Quantas
vidas, quantos corpos...não seria correto ele seguir fielmente
a tal lei esposado por AK? Seria justo ele quebrar uma lei da reencarnação
assim? E como sabem os espíritas que ele usou deste artifício,
ou seja, manipular o ectoplasma? Não há a mínima
razão (se isto de fato fosse possível) deles terem procedido
assim. Este argumento é no mínimo gratuito. Demais disso,
Elias nunca poderia ter usado este recurso chamado de ideoplastia, simplesmente
por que ele não havia morrido conforme vimos na narrativa bíblica
acima descrita. Portanto, esse argumento não procede.
A mim, a Reencarnação é a única
forma de acreditar na Justiça Divina. Nós nos prendemos
apenas a avaliar detalhes reencarnacionistas como pobreza, doenças,
sofrimentos, dívidas etc. Poderia responder pontualmente as suas
explicações, mas sei que elas não te satisfariam.
Eu mesmo, quando saí do protestantismo, demorei muito a apreender
o tema, fiz muitas perguntas, li vários livros até me convencer.
Mas a Lei da Reencarnação não funciona apenas como
uma chance de resgates. Reencarnamos para evoluir intelectual e moralmente.
Sem esta Lei, fica também difícil entender a enorme disparidade
intelecual e moral existente entre as criaturas. Se esta disparidade for
consequência de herança genética, tudo passaria a
ter esta explicação e assim, somos marionetes e não
seres pensantes com liberdade de raciocinar. Mas há tantos gênios
filhos de pais, avós e bisavós ignorantes. E há tantos
ignorantes cujos genitores são intelectualmente avantajados! Não
podemos ser apenas neurônios soltos ao acaso, ou comandados pelos
nossos avoengos. Temos que ser nós mesmos os responsáveis
por tudo o que somos e fazemos. Isso me parece justo, e creio que você
concorda com isso.
O senhor disse há pouco na introdução de sua réplica,
que nós "não concordaríamos sobre o tema Reencarnação".
De fato eu não posso enxergar a justiça divina procedente
de uma doutrina erigida à margem da Palavra de Deus.
Nossos pressupostos determinam nossa cosmovisão; o senhor parte
de pontos de vistas humanísticos, baseados nas idéias e
filosofias de um homem, que nem ao menos conhecia o básico da Palavra
de Deus. Mesmo assim procurou mesclar ensinamentos pagãos com cristianismo.
O senhor por "N" motivos "se convenceu" de que existe
reencarnação, ao invés de deixar que a Palavra de
Deus lhe trouxesse a última Palavra às suas perguntas; foi
embebedar-se em vãs filosofias. Isto é uma pena!
A mim a reencarnação nunca convenceu, mesmo quando não
era evangélico. Por outro lado devo admitir que a filosofia da
reencarnação é bem atraente, e isto por diversos
motivos: ela pois elimina o acerto de contas que todos terão de
fazer no juízo final; exime o pior dos pecadores do inferno de
fogo; aparentemente resolve o caso do sofrimento. O senhor diz: "Mas
a Lei da Reencarnação não funciona apenas como uma
chance de resgates. Reencarnamos para evoluir intelectual e moralmente".
Realmente AK deixou isso explícito no "Livro dos Espíritos
- pergunta nº167". Mas isto corresponde aos fatos?
Estamos de fato vendo este "progresso" em nossos dias? Ora,
após milênios de reencarnações, será
que o mundo não deveria apresentar-se, mais humano, mais desenvolvido
moralmente? E o sucesso deste constante processo de melhora não
deveria aparecer de forma mais visível?
E se todos os seres humanos desde o início do mundo, estão
dentro deste ciclo reencarnacionista, elas deveriam ser visíveis
em massa. Mas onde estão elas? A reencarnação oferece
apenas um consolo moral, sempre adiando o problema.
Existe uma máxima em filosofia que diz: "O que se explica
por menos dispensa o mais" é o princípio da economia
filosófica. Assim o que se explica empiricamente não necessita
de outras explicações ainda que estas pareçam razoáveis.
Todas essas questões trazidas a baila pelo senhor não necessita
da reencarnação para explicá-la.
Sobre as disparidades da vida gostaria de citar Anatole Barthe, um espírita
contrário à reencarnação, diz ele: "Para
desenvolver as desigualdades humanas os espíritas ensinam a reencarnação.
Não sabem estes que não há dois seres, duas coisas
perfeitamente iguais na natureza...Não é precisamente na
diversidade que nasce a harmonia do universo?".
Realmente não existe uma impressão digital igual à
outra. O universo inteiro é feito de diversidades. Tudo ao nosso
redor testifica do bom gosto de Deus pela variedade. Os gênios são
casos que se pode explicar através das circunstâncias. Os
gostos das pessoas são diferentes, assim como a inteligência.
Não existe um homem com inteligência igual ao outro. Os sociólogos
demonstram que o meio influencia na revelação dos gênios,
o gênio seria a junção da capacidade de lastro hereditário
e o de meio favorável. Seja como for, não é preciso
complicar o assunto com vidas sucessivas, que aliás não
poderiam explicar tantos gênios que se notabilizaram pelas novidades
de suas concepções e não pelo acúmulo do seu
conhecimento e experiência do passado adquirida em outras vidas.
Mesmo por que, isso seria supérfluo e até impossível
já que AK admiti que das vidas passadas não há recordação
alguma [conf. O Livro dos Espíritos, pág. 167 perg. 608].
E se não há recordação que proveito há
nisso?!
Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário
à reencarnação é preciso deixar patente a
discrepância em suas idéias quando expõe, "Temos
que ser nós mesmos os responsáveis por tudo o que somos
e fazemos. Isso me parece justo, e creio que você concorda com isso."
Sim, concordo plenamente com o senhor. E por que nós somos responsáveis
pelos nossos atos pessoalmente, é que não posso crer nesta
teoria.
AK explica as causas do carma dizendo que "Deus
criou os espíritos simples e ignorantes" [O Livro dos
Espíritos parte II, nº 115], de modo que a partir daí
todos os espíritos lançam-se na senda da evolução
e do progresso espiritual, enfrentando todo tipo de testes e provações.
De início já percebemos uma nítida diferença
entre a doutrina espírita e a Bíblia. Esta afirma que tudo
que Deus (que é um ser perfeito e bom) criou, inclusive o homem,
era bom em sua perfeição [Gênesis 1:37; Eclesiastes
7:29], enquanto que a doutrina espírita parte de um Deus bom para
criar espíritos inferiores e ignorantes.
A reencarnação pretende explicar o mal no presente mediante
o mal no passado. Mas, de onde vem esse mal no passado? Onde está
o mal primeiro que causou o mal segundo? O mal e o sofrimento têm
de ter sua causa. E a doutrina reencarnacionista afirma que essa causa
é o mal cometido numa vida anterior. Mas como foi na primeira vida?
Se nessa primeira vida já existia o mal e o sofrimento, então
deve ter havido antes nessa primeira vida, algo que era a causa do mal
na primeira vida.
E o que havia antes?
Havia Deus?
Então seria Deus a causa do mal? Isto é o que propõe
a filosofia de Kardec levada às suas últimas conseqüências.
Seria justo um Deus perfeito e bom criar espíritos ignorantes e
deixá-los sofrer seus carmas adquiridos justamente por essa ignorância?
Que Deus é este que o espiritismo apresenta? Esta doutrina poderia
ser chamada de justa, levando-se em conta que a culpa recai sobre o próprio
Deus? Esse Deus do Espiritismo mais me parece um daqueles deuses da mitologia
grega do que o Deus da Bíblia.
Se não bastasse, essa doutrina tem mais um agravante: segundo ela,
o espírito comete faltas em uma existência unida a um corpo,
e deve pagar essas faltas unida a outro corpo em outra existência.
Ora, a Bíblia diz que o homem é formado por espírito,
alma e corpo. Não somos somente almas desencarnadas. O homem é
uma unidade indivisível. Quando eu peco, peco como um todo, todo
o meu ser pecou e não somente uma parte dele. Toda a minha história
é a história do meu corpo. Se porventura o homem reencarnasse
em outro corpo, formaria uma outra pessoa e não a mesma. Todavia,
Deus jamais faria uma pessoa pagar pelos pecados de outra. Quem pecou
foi o homem todo, portanto, é o homem todo que deve se arrepender.
Parece-me que na própria Constituição está
escrito que nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente.
Se o homem deve passar da prova dessa vida à outra, é preciso
que esta se realize no mesmo corpo. Por exemplo: quando "João"
morre com suas faltas e pecados e reencarna em outra vida como "Luiz",
este Luiz já é outra pessoa e não mais o velho João
que se foi. É injusto pensar que Deus faria o Luiz pagar por pecados
que ele não cometeu em vidas anteriores e que nem ao menos se lembra.
Lembra-se: "Temos que ser nós mesmos os responsáveis
por tudo o que somos e fazemos.".
Nas suas observações contrárias
à Reencarnação não há nenhuma objeção
nova. Permito-me porém dizer o seguinte;
Sobre os animais, ele possuem apenas um princípio inteligente,
não uma alma. Quando os pais agem intencionalmente e prejudicam
seus filhos biologicamente, fazendo-os nascer com graves anomalias, a
culpa também é deles e serão cobrados por isso. Se
os pais não agiram com conhecimento, não há porque
serem responsabilizados, pois Deus "julga" segundo as intenções.
Se o filho que, por causa disso, nasceu aleijado e não tinha dívidas
de outras existências, onde encontrar a misericórdia de Deus,
o amor de Deus em fazer com que ele venha a esse mundo dessa maneira,
e provavelmente ao lado de irmãos sadios, fortes, inteligentes?
Quanto aos animais, é claro que eles não
possuem alma, se bem que existe um seguimento espírita que realmente
acredita nesse absurdo! Eu introduzi a questão dos animais para
mostrar-lhe o quanto é inconsistente a alegação de
que o sofrimento, as doenças e as vicissitudes da vida nesta velha
terra é resultado de carmas passados. Se fosse assim, por que então
os animais apresentam essas mesmas mazelas sendo que não possuem
alma? Se não possuem alma, portanto, não podem pecar, não
adquiri carma correto?
Ao contrário do que muitos pensam, Deus não é o responsável
por enviar espíritos em corpos previamente determinados. Mesmo
por que, a alma é criada no momento da concepção,
ficando um véu de mistério de como se dá esse processo.
Quando então uma criança nasce defeituosa numa família
saudável, não devemos buscar as causas fora do que já
conhecemos. Não precisamos buscar explicações obscuras
para as coisas passiveis de explicações nesta vida. Não
podemos pensar em Deus como um exportador de espíritos, preocupado
em qual corpo irá encaixar tal e tal espírito. Isso não
condiz com a idéia bíblica de Deus. O homem está
colhendo apenas as conseqüências de seus erros. Nada tem a
ver o amor e a misericórdia de Deus com crianças que nascem
desta maneira tão ingrata. O homem escolheu seu modo de vida fora
da presença de seu criador, agora deve colher as conseqüências.
A misericórdia e o amor de Deus é bem mais nítido
quando tais pessoas são curadas, como se deu com o episódio
bíblico do cego de nascença.
No caso de Adolf Hitler, sem um ascendente espiritual
que justifique o sofrimento do povo judeu, ficam as mesmas interrogações
a respeito das virtudes divinas. Ainda mais em se tratando do povo escolhido,
como está no Velho Testamento.
Nada justifica essa asseveração. Isso dá
a entender que a lei "divina" da reencarnação
resolveu fazer um arrastão de carmas? Ela então conseguiu
reunir todos aqueles judeus para pagarem juntos seus carmas passados?
Desculpe-me mas isso é até hilariante. Demais disso, não
há uma só palavra no AT que ensine que o povo escolhido
por Deus devesse passar por este tipo de processo purificador. Os pecados,
as faltas e os erros dos judeus eram resolvidos de outra maneira - através
dos sacrifícios de animais que apontavam para a obra redentora
de Cristo - e não pela reencarnação. Os judeus nunca
creram em reencarnação. Se formos levar isso adiante, teríamos
de admitir que Hitler, ao invés de ter sido um monstro megalomaníaco,
foi apenas um instrumento nas mãos de Deus para aplicar a justa
pena nas dívidas carmáticas que aqueles judeus haviam adquirido
numa suposta vida pregressa. O que aconteceu com os judeus é facilmente
explicado no AT. Quando Deus fez um concerto com seu povo, este jurou
fidelidade para com Deus. A partir do momento que este povo se desviasse
de seguir os seus mandamentos, Deus iria permitir que eles (os hebreus
e seus descendentes) fossem levados por outras nações para
serem castigados [Deut. 4:27]. Este fato ocorreu diversa vezes na História
bíblica, vindo culminar no terrível holocausto de Hitler.
Não precisamos buscar explicações reencarnacionistas
para esse fato tão bem explicado biblicamente.
Mais, na parábola de Rico e Lázaro,
o que é mais importante: o fato do cara ser rico, ou de usar mal
a riqueza, pela falta de caridade O pobre foi direto para o seio de Abrahão
por ser pobre, ou por ter suportado a provação com dignidade?
É claro que ninguém é condenado por
ser rico, mas por colocar o dinheiro em primeiro lugar em sua vida, destronando
Deus do seu lugar de direito; e ninguém vai para o céu por
ser pobre. Há muitos pobres que estão afundados neste pecado,
em contrapartida existem tantos ricos que são liberais! A questão
é que o texto que o senhor me apresentou é um duro golpe
na doutrina de AK, pois mostra que após a morte há somente
dois destinos: céu ou inferno. Pois diz a Bíblia que ao
homem está ordenado morrer uma só vez (não muitas)
vindo depois disso o juízo [Hebreus 9:27]. Ao passar a barreira
da eternidade não há uma nova chance de se arrepender; o
arrependimento é tomado nesta única vida aqui na terra,
é aqui que precisamos optar. Do ponto de vista bíblico fica
descartada a reencarnação.
Sobre
abandonarmos um espírito encarnado em condições difíceis,
sob pena de, ajudando-o de forma caridosa, atrapalharmos a sua expiação,
digo o seguinte: o espírito em prova ou expiação,
além de estar se reajustando com as leis divinas, está aprendendo
também a amar, a perdoar e tendo esses exemplos ao seu lado, ele
apenas cresce. A caridade, além de tudo, é boa para quem
pratica, antes de ser boa - embora seja - para quem recebe.
Compreendo o que o senhor quer dizer, todavia, o fato
permanece: pois na doutrina espírita quem quiser ser fiel às
exigências reencarnacionistas não deve prestar assistências
aos doentes, nem dar esmola ou socorrer alguém que sofre, pois
assim estaria impedindo o progresso do próximo, diminuindo ou anulando
o sofrimento necessário e merecido. Se está sofrendo é
porque mereceu! Desta maneira é irreconciliável a filosofia
de Kardec de: "fora da caridade não há salvação"
com a da punição para pagamento de dívidas (O céu
e o Inferno pág. 64). Salientando ainda que a primeira entra em
flagrante contradição com a Bíblia que afirma categoricamente
que nós somos salvos pela fé e não por boas obras
[Efésios 2:8-10].
Finalmente, Deus não permite a
doença sem que exista o remédio. Um espírito que
compreende o seu estado reencarnatório sem discutir a Justiça
Divina, com certeza vai aliviar as suas dores morais, normalmente mais
pesadas que as dores físicas, passageiras e na verdade, quase nada
na eternidade.
Sim, novamente concordo com o senhor na questão
da doença e o remédio, com uma pequena mas substancial diferença:
o antídoto para os nossos pecados é Jesus Cristo e não
a reencarnação.
É muito mais fácil e justo acreditar que o sacrifício
de Cristo na cruz, nos liberta de uma vez por todas nessa vida de nosso
pecados do que ficar esperando dezenas de reencarnações
para alcançar tal fim. A tão almejada purificação
da alma é obtida unicamente em Jesus Cristo através de sua
obra redentora. Ele tomou sobre si nossas faltas e culpas para que nós
pudéssemos tomar sua justiça. O evangelho segundo Jesus
é tão simples, porque então complicá-lo com
um evangelho segundo o espiritismo?!
Paulo, obrigado pela sua paciência.
Mário Luiz
Mário, aprouve a Deus que por intermédio
de debates havidos entre nós, chegasse até você o
que acabara de ler. Não se esqueça: um dia, todos nós
teremos de comparecer diante DELE, de DEUS, o que tudo vê e perscruta,
então você jamais poderá alegar que não sabia,
que o verdadeiro evangelho nunca lhe fora anunciado.
Interessante notar que o homem, com toda a sua natureza pecaminosa, tem
o péssimo hábito de criar uma determinada filosofia de vida
para si e pretende que Deus, o Todo Poderoso, se enquadre nela. Agora,
não deseja o homem, em hipótese nenhuma, enquadrar-se no
modo de pensar de Deus, externado em sua Palavra, na Bíblia Sagrada.
Daí, com devaneios e sofismas buscam por intermédio da religião,
criar situações convenientes, com o fito a justificar-se
perante Deus. Por isso a Bíblia diz:
"Ora, o homem natural não aceita as coisas
do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não
pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."
[I Co. 2:14]
Continuo orando por você, um forte abraço,
Presbítero Paulo
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO
DE PESQUISAS
Fale Conosco
Voltar
© Copyright CACP 2003
Pr. João Flávio &
Presb. Paulo Cristiano
|