Esqueceu a senha?

Refutação das teorias de um pastor adventista (II)

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - sáb set 15, 7:41 pm

Caro Pastor Adventista …

Atendendo ao seu apelo, no sentido de visitar seu estudo sobre a questão do domingo no site ” Resplendor”, constatei ser os mesmos argumentos usados por todos os adventistas em geral, não há nada de novo ou que mereça minha atenção especial. Pude constatar outrossim, que minhas conclusões a respeito de adulterar a historia em proveito próprio, estava correta, o senhor não constitue exceção à regra. Os outros tópicos serão discutidos posteriormente devido a falta de tempo. Muito bem, vamos analisar seus argumentos e veremos se conseguem resistir a uma exegese honesta. Não pretendo ser exaustivo mas apenas dar uma pincelada no assunto.


DO COMEÇO

Segundo diz o senhor “a guarda do domingo precede a era cristã, originou na Pérsia”

REFUTAÇÃO: 
Primeiro: A guarda do domingo não originou na Pérsia, pois a própria etimologia da palavra descarta tal hipótese, (domingo = Dia do Senhor). Não se guardava na Pérsia um dia dedicado ao Senhor Jesus. Muito menos se guardava em qualquer religião pagã, um dia de Domingo, mas todos os dias, inclusive o “sábado”, era apenas dedicado (cf. site cacp) a um deus pagão e não guardado em honra ‘aquele deus. Como o dia de saturno (sábado) era dedicado ‘as festas saturnais de orgias.

“e daí, mais especificamente em Alexandria, foi inserida gradativamente, a partir do II século da era cristã, no seio do cristianismo. E com esse sincretismo religioso esse dia tomou ares de dia santo “por isto” ou “por aquilo”, menos por causa da palavra de Deus!”

REFUTAÇÃO:
 O “mais especificamente em Alexandria”, é apenas um modo forçado para ajustar a tese de paganismo e poder joga-la nos pais da igreja em Alexandria, haja vista o mitraismo ter tido inicio na era cristã e ganhado seu apogeu no quarto século d.c. Não há de se falar em sincretismo, pois não há indício forte o bastante para isso. Mande-me por favor o nome de algum apologista ou pai apostólico que inicio esse tal sincretismo? Quando iniciou? Pois o senhor mesmo disse na introdução que iria dar: “e situar também o momento exato em que esse dia passou a fazer parte do mundo cristão” O senhor ainda não deu esse momento exato!Qual o nome deste personagem? Mande-me por favor? Ao que parece seu argumento se baseia apenas no “achismo”! Demais disso, muitos pais da Igreja que não pertenciam a Alexandria era favorável ao domingo como o dia cristão. Tais como Inácio de Antioquia (107) Irineu (202), não eram de Alexandria e seus testemunhos quanto ao domingo, são muito mais antigos do que o daqueles. Na verdade, Antioquia era uma escola teológica que rivalizava com a de Alexandria quanto a exegese bíblica.

“O 1º dia da semana, séculos depois da criação, passou a carregar sobre si uma solenidade pagã segundo o costume dos antigos babilônicos”

REFUTAÇÃO: 
Ora, sera´ que foi só o primeiro dia da semana? Como o senhor mesmo disse: “Os caldeus atribuíram aos sete dias da semana nomes dos deuses astros ” Todos os dias carregavam esse estigma, ate mesmo o sétimo dia.

“Foi no Egito, em meio a esse costume, que surgiram os primeiros supostos “pais da igreja”, mais precisamente na cidade de Alexandria, são eles Barnabé, Justino “o Mártir”, Clemente e Orígenes. Nesta cidade havia uma escola onde os alunos discutiam seus conceitos. A igreja em Alexandria ficou contaminada com o gnosticismo e pela filosofia grega, adoravam imagens, adoravam o sol e guardavam o primeiro dia da semana (o dia do sol) como especialmente santo. Em contra partida, em outros paises a igreja continuava a guardar o sábado bíblico (o dia que recebeu a bênção e santificação direta de Deus”

REFUTAÇÃO:
 Seu paralelismo entre Alexandria – os pais da igreja – mitraismo e domingo e´ de uma debilidade evidente. O que tem a ver esses homens com o paganismo? Dizer que o domingo cristão começou por um sincretismo em Alexandria por causa de Justino, Barnabé e Clemente e´argumento pueril! Seu argumento é incrivelmente idêntico ao das Testemunhas de Jeová que forçam ao máximo a historia para combater a doutrina da Trindade (cf. a brochura: Deve-se Crer na Trindade, Sociedade Torre de Vigia). Nesta apostila eles usam os mesmíssimos argumentos dos Adventistas para que os seus adeptos crêem que foi em Alexandria por influencia do paganismo que Atanásio (de Alexandria) furtou costumes das religiões pagãs e introduziu-os no cristianismo inventando assim a doutrina da Trindade.

O pior vem agora! Dizer que eles adoravam imagens!!! Ridículo! Amigo, leia um pouco de historia eclesiástica. Mesmo um pouco de patrologia iria lhe fazer bem! Outra besteira e´insinuar que em outros paises os cristãos guardavam só o sábado em detrimento do domingo. Quais eram estas igrejas ? Especifique por favor? Onde eles guardavam só o sábado? Desafio-lhe a me mostrar um só exemplo? Dizer que muitos vieram do paganismo não é novidade alguma! Mas quando estes homens se convertiam, voltavam-se contra o sistema pagão do qual vieram (cf. as obras apologéticas de Tertuliano, Irineu, Origines, Justino, ad infinitum…) Eram obras combatendo o paganismo, Gnosticismo, Mitraismo e outros.

“O afirmado aqui tem respaldo histórico, a saber, falando sobre esse período, Sócrates, historiador do quinto século, disse: “Conquanto quase todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de fazer isto” (grifo é meu), Eclesiastical History, tomo V, cap.2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.a série, vol. 2, pág. 132.”

REFUTAÇÃO:
 E´ realmente de causar espanto o referido acima. “Respaldo histórico” , muito bem! Vejamos se ele agüenta uma acurada investigação textual! Parece que este testemunho e´de muito valia para o senhor, haja vista te-lo citado duas vezes no site.
Comentarei mais adiante.

DOS TESTEMUNHOS DA HISTORIA

O senhor catalogou alguns “testemunhos” históricos para reforçar sua tese querendo aparentar seriedade e veracidade em seus argumentos. Todavia não passam de adulterações, distorções e evasivas que ao contrario do que o senhor pensa, não o ajudam em nada, mas depõe contra o senhor. Vamos então aos “testemunhos”.

“O povo de Constantinopla e de outras cidades, congrega-se tanto no sábado como no dia imediato; costume esse que nunca é observado em Roma, nem em Alexandria”, Eclesiastical History, livro VII, cap. 19.”

REFUTAÇÃO:
 Este depoimento e´de Hermas Sozomeno, historiador do IV séc. O depoimento assim como os demais foi truncado dando a entender que as igrejas de Roma e Alexandria eram as únicas a não observar o sábado. Dando uma aparente ajuda a tese das influencias do Mitraismo nestas duas cidades.
Todavia o que se observa lendo o livro dentro de seu respectivo contexto e´que longe de insinuar isto, o que ele discute e´algo totalmente aleatório ‘a guarda sabática. O verdadeiro assunto no capitulo 19 e´sobre as diferenças de tradições entre todas as igrejas quanto a celebração DA PÁSCOA E NADA MAIS.

Vejamos o que ele diz realmente lendo os contextos imediatos: “Não são as mesmas assembléias em todas as igrejas no mesmo tempo ou da mesma maneira. As pessoas de Constantinopla, e quase em todos os lugares, congrega-se no Sábado, como também no primeiro dia da semana costume este que nunca é observado em Roma ou em Alexandria. Há várias cidades e aldeias no Egito onde, ao contrário do uso estabelecido em outros lugares, as pessoas se congregam nas noites de Sábado e participam dos mistérios. As mesmas orações e salmos não são recitados nem mesmo as leituras são as mesmas nestas ocasiões.” O que se observa são as diferenças de costumes quanto aos jejuns aos sábados, santa ceia, períodos de tempos (noite e dia) sobre a celebração da Páscoa e não tem a menor evidencia de guarda sabática. Neste livro ele faz uma nítida diferença entre o dia do Senhor (domingo) e o sábado judaico.

“João Cássio, em fins do século segundo escreveu: “Pelo que, exceto as horas canônicas e noturnas, não há reuniões públicas diurnas, entre eles, a não ser aos sábados e domingos, quando às nove horas se congregam para a comunhão”. Institutes, tomo II, cap. 18.”

REFUTAÇÃO:
 Joannes Cassianus historiador do IV séc. Novamente não há indicio algum de guarda sabática, mas apenas sobre o Horário sagrado dos monges egípcios celebrar suas reuniões religiosas. Sendo que eles consideravam a hora nona como separada por Deus na Bíblia (cf. Bíblia) e aproveitavam para se congregarem a fim de cear. Novamente este testemunho saiu pela culatra, pois reunirem-se as nove horas no sábado não quer dizer absolutamente nada. Ate´mesmo eu faço isto, e com este exemplo não quero dizer que guardo o sábado! O livro correto onde isto se encontra e´livro III cap. 2. O que o contexto diz claramente lendo o livro, e´que eles reuniam-se em certos períodos de tempo para seus afazeres seculares e religiosos e aos sábados pela manha em horário diferente.

“Nas “Constituições Apostólicas”, escritas entre fins do século terceiro e início do quarto, diz o seguinte “Guarda o sábado e a festividade do dia do Senhor, porque o primeiro é a memória da criação, e o último, da ressurreição”. Livro 7, cap. 23″

REFUTAÇÃO:
 Mais um testemunho que não ajuda em nada os adventistas, posto que se trata de jejuns e não da guarda deste ou daquele dia. Vejamos na integra:

“Mas não jejue como os hipócritas ; porque eles jejuam no segundo e quintos dias da semana. Mas, ou você jejua os cinco dias inteiros, ou no quarto dia da semana, e no dia da Preparação, porque no quarto dia o Senhor foi condenado, Judas que prometeu trai-lo por dinheiro; e você tem que jejuar também no dia da Preparação, porque naquele dia o Senhor sofreu a morte da cruz debaixo de Poncio Pilatos. Mas mantém o Sábado, e o festival do dia do Senhor; porque o anterior é o comemorativo da criação, e o posterior da ressurreição. Mas há pessoas que observam o Sábado o ano inteiro, pois neste nosso Senhor foi sepultado no qual os homens deveriam jejuar mas não comemorar uma festividade.”

Novamente nada da a entender que aquelas igrejas tinham que observar o sábado judaico, mas apenas jejuar nestes dias que antecediam a páscoa.

“Conquanto quase todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de fazer isto” (grifo é meu), Eclesiastical History, tomo V, cap.2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.a série, vol. 2, pág. 132.”

REFUTAÇÃO:
 E bom frisar que Sócrates nem de longe quer dar margem a guarda sabática, mas ele reporta-se apenas as diferenças na comemoração da páscoa. E sabido que nos primeiros séculos ouve não pouca divergência quanto o dia exato para se comemorar a páscoa. As igrejas estavam divididas quanto a isto, umas diziam que era no 14 Nisan de acordo com o calendário judaico, outras porem afirmavam que era no dia imediato, ou seja no domingo. Sócrates ainda diz que os que preferiam o sábado do 14 Nisan alegavam terem recebido esta tradição do apostolo João, enquanto os outros como Roma e Alexandria alegavam te-la recebido dos apóstolos Pedro e Paulo. Este e´o significado da palavra tradição neste trecho. Nem Sócrates, nem qualquer historiador insinua a guarda do sábado pelas igrejas primitivas. Muito pelo contrario, Sócrates chega a declarar nos capítulos antecedentes que nós não estamos sujeitos ao sábado, pois este foi apenas sombra do que havia de vir.

Sobre Constantino e o decreto dominical, não comentarei por estar devidamente explicado em meu estudo “Domingo, dia do Senhor ou Dia do sol ?” Também quanto ao Concilio de Laudiceia, não há nenhuma obrigação quanto a guardar o domingo, mas as sanções eram quanto a judaizar , ou seja, não voltar a lei de Moises juntamente com o sábado judaico. “Depois os Conciliares de Laudiceia tiveram o cuidado de acrescentar as palavras “se possível”, o que tira o caráter de obrigatoriedade da guarda do domingo”. (A Verdade sobre o Sábado, pág. 49 – S.V Milton)

Diante de tudo isto desafio o senhor a retificar essas incoerências históricas em seu estudo, creio firmemente que não foi por desonestidade que as inseriu lá, mas por falta de investigação. Já virou uma tradição citar historiadores fora do contexto entre os adventistas!

DO PRINCIPIO DA APOSTASIA

Já estou acostumado com toda esta balela sobre apostasia. Alias este e´um dos pilares exegéticos do Jeovismo e Mormonismo e Cia. para apoiar suas teorias. Agora gostaria de comentar algo interessante que o senhor disse:

Nesse período, pouquíssimos tinham acesso às Escrituras, a maioria dos cristãos “comiam com as mãos dos outros”. Porém, após a reforma, as cadeias foram quebradas e povo pode, por si mesmo, investigar as Escrituras e aos poucos foi brotanto novamente aqui e acolá remanescentes da igreja primitiva.

Pelo que pude entender, o senhor afirma que devido a reforma protestante muitos puderam investigar por si as escrituras e voltar ao sábado. Mas o irônico de tudo isso e´que os próprios reformadores que foram levantados por Deus, e eram letrados e estudados, era a favor da guarda do domingo e contra o sábado. Interessante não!!


DO MITRAÍSMO

Toda esta historia de Mitraismo não convence. Essa religião de mistérios era tão parecida com o cristianismo que muitos estudiosos ateus usam deste artifício para tentar “provar” que Jesus nunca existiu, mas foi apenas uma copia destas religiões, levada a cabo pela Igreja. O tal sincretismo não prevalece pois os pais da Igreja detestavam e combatiam essas religiões pagãs, como pois então poderiam copiar algo que eles mesmos combatiam ? A tentativa de criar uma origem pagã para o domingo usando de ponta, o Mitraismo e os pais da Igreja, e´algo desonesto e aviltante.

Todavia devo admitir que os historiadores estão com a razão quanto a sobrevivência das influências exteriores do mitraismo no Catolicismo, como nas vestes dos sacerdotes, nas palavras, nos nomes etc… Já as influencias interiores permaneceram em seitas como dos Maniqueístas e outras.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Advertisement