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Refutando Adventista reclamante

Certo adventista tentou refutar o meu artigo “Sete considerações sobre o Sétimo Dia [1]”. Abaixo dou apenas algumas considerações naquilo que achei necessário. Também no artigo vou classificar o tal adventista de “Adventista reclamante”, pois minha argumentação não é pessoal, mas doutrinal, por isso não citarei o nome dele. O “reclamante” tem a ver com o jeito com que ele choramingava devido ao meu singelo artigo. Ele chega a dizer que meus argumentos são “resíveis” – acho que ele queria dizer risíveis. Claro, como quase todos os adventistas, ele tenta o argumento “ad homini”, ou seja, procura desqualificar o outro, tentando levá-lo ao descrédito pessoal.

1º) Diz o Adventista reclamante – “Deus descansou no sétimo dia e não em qualquer dia… é absurdo argumentar que Deus trabalhou no sétimo dia”.

Resposta apologética: A ideia de que Deus descansou no sétimo dia só pode ser interpretada antropomorficamente, uma vez que Deus não pode cansar-se (Is 40.28), sendo Ele o sustentador de toda a criação. Além do mais, devemos notar ainda o tempo em que o Gênesis foi escrito e a utilização de vocábulos babilônicos na sua composição sendo “shabbatum”  o que mais corresponde à intenção judaica de significar que Deus completou a sua obra no sétimo dia. E, se completou, trabalhou, o que tiraria a validade do sábado judaico como lei. Esta parece ser a ideia de que Jesus quis mostrar aos escribas e fariseus quando disse: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também”, João 5.17 (A Bíblia Responde, Rio de Janeiro: CPAD, 1983).

2º) Argumenta o Adventista reclamante – “você não está na moral sabática se descansa em qualquer outro dia e trabalhar no sábado”.

Resposta apologética: Felizmente não estamos debaixo da lei e podemos santificar todos os dias da semana ao Senhor. E como foi no primeiro dia da semana que o Senhor Jesus ressuscitou (Mt 28.1; Mc 16.2; Lc 24.1; Jo 20.1) nesse dia denominado Domingo, do latim “dies dominicu”, dia do Senhor (Ap 1.10), procuramos nele servir mais demoradamente à obra de Deus. Agora, quanto à santificação, não temos de escolher esse ou aquele dia, mas vive-la a todo o momento, pois, sem santificação, ninguém verá o Senhor – “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” Hebreus 12.14

3º) Ele, cheio de risos maliciosos, diz – “hahahahahahahaha, é muito engraçada a argumentação dele, ele tenta inventar algo que não está na bíblia, dizendo que Adão não tinha trabalhado seis dias como iria guarda o sábado? Mas isso não tem lógica, Adão guardou o sábado”.

Resposta apologética: Aqui ele se refere ao meu argumento que prova que o sábado não poderia ser guardado por Adão, pois a Bíblia diz claramente que “seis dias trabalharás <antes de guardar o sétimo dia>” (Ex. 20.9) e se o homem foi criado no sexto dia (Gn 1.31), como Adão iria guardar o sábado sem antes ter trabalhado seis dias? Ou seja, meu simples argumento explicita claramente que Adão e Eva nunca estiveram sob a obrigação de observar qualquer dia da semana como dia santo de guarda. Isso é uma invenção teológica e não um argumento bíblico razoável. Aliás, a Bíblia é clara quanto ao porque Deus deu o sábado aos judeus como dia santo: Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado. Dt 5.15

4º) Com muita ironia, ele critica a ideia do tempo ter parado devido a batalha de Josué onde Deus deteve o Sol por quase um dia e na narrativa do Rei Acaz que retrocedeu o sol alguns graus (Js. 10; Is. 38.8) – “o tempo não parou, o sábado não deixou de ser sábado ou virou domingo…”.

Resposta apologética: É verdade que o sábado não virou teologicamente o domingo por causa desse fenômeno milagroso em que o tempo parou por um dia. Mas a minha ideia sempre foi de trazer luz a “sabadolatria” dos adventistas, mostrando que tão valido como o argumento de que “Adão guardou o sábado”, era a ideia que o sábado, devido a esse hiato no tempo, estaria ocupando hoje o lugar do domingo. Isso não é uma doutrina, apenas uma reflexão, que entendo ser interessante.

5º) “Os dias da criação não seriam dias de 24 horas por causa do tempo da luz das estrelas chegarem até nós… O João Flávio Martinez virou evolucionista…isso pode ser uma tensão entre a teoria da evolução e a bíblia, mas não uma tensão teológica… a bíblia é clara em dizer que os dias da criação são dias de 24 horas”.

Resposta apologética: Não, eu não sou evolucionista por acreditar que os dias da criação são hiatos maiores de tempo. E sim, existe tensão teológica sobre isso.  O artigo “Dias da criação [2]” publicado pelo site do CACP responde teologicamente a questão:

“Em favor da tese de considerar os seis dias como longos períodos há o fato de que a palavra hebraica yôm, «dia», é às vezes usada para se referir não a um dia de vinte e quatro horas, mas a um período mais extenso. Vemos isso quando a palavra é usada, por exemplo, em Gênesis 2.4, “No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus” (ias), oração que se refere a toda a obra dos seis dias de criação. Entre outros exemplos em que a palavra dia significa um período indeterminado de tempo encontram-se: Jó 20.28 (“no dia da ira de Deus»); Salmos 20.1 (“O SENHOR te responda no dia da tribulação»); Provérbios 11.4 (“As riquezas de nada aproveitam no dia da ira»); 21.31 (“O cavalo prepara-se para o dia da batalha»); 24.10 (“Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena»); 25.13 (“no tempo [yclnu] da ceifa»); Eclesiastes 7.14 (“No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele»); muitas passagens que se referem ao “Dia do SENHOR” (como Is 2.12; 13.6, 9;Jl 1.15; 2.1; Sf 1.14); e muitas outras passagens do Antigo Testamento que profetizam tempos de juízo e bênçãos. Uma concordância mostra que esse é um sentido frequente da palavra dia no Antigo Testamento. Outro argumento a favor de que esses «dias» representam um período longo é o fato de o sexto dia incluir tantos eventos que só poderia mesmo ter mais de vinte e quatro horas. O sexto dia da criação (Gn L24-31) contém a criação dos animais e do homem e da mulher (“homem e mulher os criou”, Gn 1.27). Foi também no sexto dia que Deus abençoou Adão e Eva., dizendo-lhes: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28). Mas lemos significa que o sexto dia incluí a criação de Adão, a introdução de Adão no Jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo e as orien­tações divinas sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.15-17), a apre­sentação dos animais ao homem, para que ele lhes atribuísse nome (Gn 2.18-20), o fato de não se achar uma auxiliadora adequada a Adão (Gn 2.20) e o pesado sono que Deus impôs a Adão para criar Eva a partir da costela dele (Gn 2.21-25), A natureza finita do homem e o número incrivelmente grande de animais criados por Deus exigiriam, por si sós, um período muito mais longo do que apenas parte de um Único dia para a ocorrência de tantos acontecimentos — pelo menos essa seria uma compreensão «comum» da passagem para os primeiros leitores, consideração que não deixa de ter importância num debate que muitas vezes enfatiza aquilo que uma leitura comum do texto pelos primeiros leitores os levaria a concluir. Se puder ser demonstrado pelas considerações contextuais que o sexto dia foi consideravelmente mais longo do que um dia comum de vinte e quatro horas, então será que o próprio contexto não favorece a acepção de um “período de tempo” de duração indeterminada para a palavra dia?”.

6º) “Cada pessoa deve guardar o sábado no seu próprio fuso horário… o argumento do Martinez, do fuso horário, não é lógico”.

Resposta apologética: Sim, meu argumento é tão lógico quanto bíblico, pois a Palavra de Deus diz: “… de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado” – Levítico 23.32. Então faz todo sentido perguntar “como guardaria o sábado as pessoas que moram nos polos ou nos países nórdicos, onde uma tarde pode demorar meses?”. O fato é que isso aponta para a localidade geográfica do sábado. Aponta para uma nação pequena (de um só fuso horário) que tinha seus dias pouco afetados pelos solstícios de inverno e de verão – ou seja, o sábado sempre foi restrito ao território de Israel.

7º) “hahahahahahaha, Martinez quer argumentar que Deus trabalhou no sétimo dia. Absurdo, a Bíblia é clara – Deus descansou no Sábado”.

Resposta Apologética: Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? Is 40.28. Deus nunca poderia descansar no mesmo sentido que os homens – a linguagem é antropomórfica, argumentar que Deus precisa descansar como nós é realmente risível e não teológico.

No demais, o articulista adventista procura mesmo é denegrir o CACP dizendo que com nossos argumentos só demoveríamos pessoas de baixa capacidade cognitiva. Mal sabe ele, que pela Graça de Deus, centenas de pessoas estão saindo do sectarismo e voltando para a Cruz de Cristo, devido ao trabalho apologético feito por nós.

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