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Refutando o aniquilacionismo e o sono da alma

por Itard Víctor Camboim de Lima - seg dez 23, 11:02 am

sono da alma na mira da verdade

Para defender a crença errônea do aniquilacionismo,os Tnetopsichitas ou Mortalistas  conhecidos como Testemunhas De Jeová e Adventistas Do Sétimo Dia,tem insistido por vários anos que a alma do homem após a morte é aniquilada caso morra sem ser salva e se for salva fica em um sono profundo até o dia da ressurreição ;e um dos versos usado para tentar provar isso é o do evangelho de Lucas 23:43 que a Sociedade Torre De Vigia traduziu da seguinte forma:

“Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.(Lc 23:43) .

Essa tradução profana tem sido defendida pelos sectários com o argumento inútil de que no Códice Vaticano(B) datado do século IV há uma vírgula depois da palavra hoje  e que isso indica que Jesus estava somente falando sobre a Sexta-Feira dia da sua crucificação, que iria salvar o ex-ladrão ,porém, Jesus  não dissera que o salvaria naquele presente dia.Seria isso verdade?

Confira abaixo o Códice Vaticano(B):Século IV.

aniquilacionismo 01

Esse argumento não tem fundamento algum,pois eles desprezam no mínimo duas regras da crítica textual que são elas: Datação do manuscrito e quantas ocorrências há da mesma palavra nos demais manuscritos,pois só assim após haver uma averiguação minuciosa é que o crítico decide qual o melhor texto e o tradutor se for fiel traduzirá de forma coerente.

A seguir algumas notas de especialistas sobre o tal sinal ou ponto no Códice:

O reputadíssimo crítico textual Bruce Metzger nada diz sobre essa mancha.

A T Robertson diz:

[1] “O ponto no topo da linha (·) (stigmh teleia, ‘ponto alto’) era um ponto final; aqueles sobre a linha (.) (upostigmh) era equivalente ao nosso ponto e vírgula, enquanto um ponto médio (stigmh mesh) era equivalente à nossa vírgula. Mas gradualmente surgiram mudanças sobre estas pausas até que o ponto alto tornou-se equivalente aos nossos dois pontos, o ponto baixo tornou-se um ponto final, e o ponto médio desapareceu, e por volta do século IX dC a vírgula (,) tomou o seu lugar” (Robertson, Grammar, p. 242).

[2] Ver nota 1. No entanto, a pontuação em manuscritos antigos, e particularmente no Codex Vaticanus, estava longe de ser consistente. Por conseguinte, devemos admitir que é possível que um escriba ou corretor pudesse usar um ponto-baixo de uma forma consistente com a nossa vírgula moderna, no entanto dado o fato de que o ponto-baixo não parece ter sido usado de modo nenhum pelo escriba do século IV ou pelo seu corretor contemporâneo, ao mesmo tempo que eles (raramente) usaram tanto o ponto-alto como o ponto-médio, parece muito improvável que um deles fizesse isso aqui. Robertson diz: “B tem o ponto-alto como um período, e o ponto-baixo para uma pausa curta” (Ibid.). No entanto, Robertson não diz que o “ponto baixo” foi feito pelo escriba original ou pelo seu corretor do século IV.

AT Robertson na obra (Robertson’s Word Pictures in the New Testament):

Hoje estarás comigo no Paraíso (Σημερον μετ εμου εσηι εν τωι παραδεισωι – Sēmeron conheceu ‘emou ESEI en toi paradeisōi). No entanto bruto pode ter sido ideias messiânicas do assaltante Jesus limpa o caminho para ele. Ele promete-lhe a comunhão imediata e consciente após a morte com Cristo no Paraíso, que é uma palavra persa e é aqui não é usado por qualquer suposto estado intermediário, mas a própria felicidade do céu em si. Esta palavra persa foi usado para um parque fechado ou terra de prazer (assim Xenofonte). A palavra ocorre em duas outras passagens no N. T. (2 Coríntios 00:04, Apocalipse 2:7), em ambas as quais a referência é claramente para o céu. Alguns judeus fizeram uso da palavra para a morada dos piedosos mortos até a ressurreição, interpretando “seio de Abraão” (Lucas 16:22). Nesse sentido também. Mas a evidência para tal estado intermediário é muito fraco para justificar a crença.

Dr.Wieland Willker especialista em grego, tem uma página dedicada ao Códice Vaticano : O ponto em B(Códice Vaticano) não é de grande relevância, pois a questão de pontuação existe independente dela. A pontuação, se houve algum, foi, como ortografia, irregular no início do MSS. Qualquer pontuação no MSS antiga é muito duvidoso. A pontuação na Nestle-Aland ou GNT NUNCA é baseado em uma pontuação em um MS. É sempre uma decisão baseada em gramática, sintaxe, lingüística e exegese (Willker, Textual Commentary , p. 436, grifo no original).

Observem como é a escrita de forma mais clara e sua tradução fiel:

καὶ εἶπεν αὐτῷ· ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ᾽ ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ. (Luk 23:43 BNT)

Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Luk 23:43 ARA)

Logo vemos a diferença em relação as das Testemunha De Jeová:

E ele lhe disse: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” – Lucas 23:43, TNM.

Como pôde-se notar, o advérbio de tempo ‘’hoje’’ está modificando o primeiro verbo, ‘’digo’’. Esta é a estratégia que aniquilacionistas ao usarem a vírgula e dois pontos de forma errada  já que o idioma original não possuía vírgulas para separar as orações. Assim, a ênfase de Jesus está sobre o ato de dizer.

Com duas versões possíveis para o texto, como então resolver qual a melhor tradução? Muitas pessoas têm respondido a esta última tradução, alegando que o verbo no presente juntamente com o advérbio hoje seria uma repetição desnecessária. No entanto, esta argumentação ignora que o idioma grego também pode se valer de repetições para enfatizar algo.

Por outro lado, acredito que uma análise do contexto e da sintaxe do texto são capazes de esclarecer quaisquer dúvidas sobre a tradução deste texto. Jesus estava respondendo um pedido do ladrão, então, vamos começar analisando este pedido, que Lucas registra como:

Lucas 23:42         Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

και ελεγεν ιησου μνησθητι μου οταν ελθης εις την βασιλειαν σου

A sintaxe desta frase nos revela detalhes muito interessantes, que nossas traduções não costumam trazer. Observem este pedido: O ladrão pede para que Jesus se lembre dele. A palavra usada aqui é μνησθητι, que é um imperativo aoristo passivo. Qual é a função sintática de um imperativo aoristo? Em sua gramática, Daniel Wallace nos revela que este imperativo aoristo pode ser colocado sob duas categorias: o ingressivo e o constativo. O ingressivo tem como foco, o início da ação. No verso acima, seria como se o ladrão pedisse para Jesus começasse a se lembrar dele. Por outro lado, o imperativo aoristo constantivo parece se encaixar muito melhor no contexto deste relato:

Essa é uma ordem solene ou categórica. A ênfase não está no “comece uma ação”, nem “continue a agir”. A ênfase, porém, está na solenidade e urgência da ação. Assim, “Eu solenemente conjuro-te a agir e faço-o agora!”. Esse é o uso do aoristo em preceitos gerais. Embora o mesmo esteja aqui transgredindo o papel do tempo presente, ele acrescenta certo gosto. É como se o autor dissesse: “Faça disso sua prioridade número um”. Como tal, o aoristo é frequentemente usado para ordenar uma ação que está em estado de processo. Nesse caso, tanto a solenidade quanto a urgência destacada são sua força.

Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 720, Editora EBR.

Mas Daniel Wallace explica isto de forma ainda melhor:

Em sumário sobre o imperativo aoristo constativo, pode ser dito como uma regra geral que essa ordem nada fala sobre o começar ou continuar uma ação. Ele basicamente tem a força de: “fazer de algo sua prioridade número um”. Nosso conhecimento sobre o autor e o contexto nos ajudará a ver se os ouvintes têm feito qualquer prioridade quanto a isso, ou se eles o têm negligenciado completamente.

Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 479, Editora EBR.

Assim, o nosso ladrão não apenas pede para Jesus se lembrar dele, mas também pede que se lembre dele com prioridade, tamanha é a ansiedade deste homem por redenção.

Embora ele demonstrasse tanta certeza sobre o fato de Jesus ser o Messias e sobre Jesus entrar no reino celestial, ele não tem certeza sobre quando isto iria acontecer. Por isto ele utiliza também a construção οταν + verbo no subjuntivo. Daniel Wallace em outro lugar explica esta construção:

O subjuntivo frequentemente é usado depois de um advérbio temporal (ou preposição imprópria) com o sentido de até que (ex., ἕως, ἄχρι, μέχρι). Ou ainda mesmo, depois da conjunção temporal ὅταν com o sentido de quando quer que. Ele indica uma contingência futura da perspectiva do tempo do verbo principal.

Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 479, Editora EBR.

O pedido do ladrão portanto, seria como: “Jesus, quando quer que você entre em teu reino, lembre-se de mim em primeiro lugar!”. Este é o pedido do ladrão, e a forma de se traduzir a resposta de Jesus deve levar este pedido em conta. Pois uma resposta que não o responde, estaria violando o contexto do relato.

Conhecendo portanto o pedido do ladrão, voltemos à resposta dada por Jesus. Sua resposta foi:

Lucas 23:43 – Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

και ειπεν αυτω αμην σοι λεγω σημερον μετ εμου εση εν τω παραδεισω

Aqui, Jesus inicia sua resposta com a expressão αμην λεγω (Verdade, te digo). Sobre a expressão, o BDAG nos diz:

… partícula asseverativa, verdadeiramente, sempre com λεγω, iniciando uma declaração solene mas usada somente por Jesus (Eu te asseguro que, Eu solenemente te digo). – BDAG, verbete αμην

Assim, esta era uma expressão solene usada apenas por Jesus. Digno de nota é que em nenhuma das instâncias que Jesus a usa, ela é modificada pelo advérbio σημερον (hoje), como pode ser visto em Mt 5:18; Mt 5:26; Mt 6:2; Mt 6:5; Mt 6:16; Mt 8:10; Mc 8:12; Mc 9:1; Lc 4:24; Lc 12:37 e outros.

F. Blass e A. Debrunner, em sua gramática, notam que:

A posição de nomes e advérbios

(1) A regra é que um atributivo adjetivo anarto geralmente segue seu substantivo. (2) Um advérbio que define um adjetivo (ou um verbo) também toma a segunda posição. (3) Mt particularmente tem o hábito de colocar advérbios depois de imperativos enquanto coloca-os antes de indicativos.

A Greek Grammar of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDF), parágrafo 474.

Assim, o item 2 deste texto do BDF tem sido usado às vezes para se defender que σημερον deve modificar o verbo λεγω, que o antecede. O terceiro ponto, no entanto, mostra que isto não era uma regra, já que Mateus os coloca antes de infinitivos. Além disto, o BDF comentando o segundo ponto, nos diz:

(2) Mt 4:8 υψηλον λιαν, 2:16 εθυμωθη λιαν, cf. μέλας δεινῶς Aelian, NA 1.19, ἔρημος δεινῶς 4.27. Mas também λιαν (om. D) πρωι Mk 16:2, λιαν γαρ αντεστη, 2Ts 4:15.

Ou seja, o próprio BDF nos traz exemplos onde um advérbio de tempo precede o verbo que ele modifica. Que motivos Lucas teria para colocar o advérbio antes? O BDF, falando sobre ordem de palavras no grego, comenta:

472. A ordem de palavras no Grego e assim no NT é mais livre do que em línguas modernas. Há, contudo, certas tendências e hábitos (no NT especialmente em narrativas) que tem criado algo como uma ordem de palavras comum.

Mais adiante, o BDF comenta ainda:

(2) Estas posições, contudo, não são de qualquer forma mandatórias. Qualquer ênfase em um elemento da sentença faz aquele elemento ser movido para frente…

Assim, se o elemento precisa de destaque, é natural que ele seja movimentado para frente. Se a palavra hoje precisava de destaque, seria de se esperar que ela fosse movida para o início da declaração. A pergunta é: ela precisava de destaque? Agora voltamos ao contexto.

Observamos que o pedido do ladrão demonstrava urgência. Ele pedia algo como “Jesus, dê prioridade para isto”, e Jesus respondia: “Não se preocupe: hoje mesmo você colherá os frutos de sua confissão”.

Por outro lado, o ladrão expressou também uma dúvida sobre o tempo que Jesus poderia cumprir esta promessa. Ele disse algo como “Quando quer que você entre em seu reino”, e a resposta de Jesus faz um grande contraste com esta dúvida: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

Certamente esta tradução se encaixa bem melhor no contexto, do que a ênfase sobre o momento da promessa. O ladrão não queria saber quando a promessa era feita, mas quando ela se cumpriria.

Há ainda alguma contra-argumentação contra esta tradução, mesmo que a forma “te digo hoje” não se encaixe no contexto. Costuma-se alegar que, se Lucas desejasse deixar claro que hoje modifica o verbo estarás, ele teria usado a conjunção οτι (que) antes de σημερον. Este argumento é irrelevante, pois da mesma forma, Lucas poderia usar οτι depois de σημερον.

Por outro lado, costuma-se também citar as palavras de Jesus ressurreto, no evangelho de João:

Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. – João 20:17

O objetivo é demonstrar que Jesus não poderia ter ido ao paraíso naquele mesmo dia, pois depois, ao ressuscitar, ele teria dito que não tinha subido ao Pai ainda. Esta argumentação também é irrelevante, pois Jesus Cristo é Deus e o fato do seu corpo não estar glorificado como ele bem falou em (Jo 20:17)não o impediu cumprir sua promessa.

Antes de finalizar que ainda mostrar outros códices que não trazem o tal ponto entre a palavra SEMERON e MET.   σήμερον μετ:

Códice Sinaítico:Século IV.

aniquilacionismo 02

Códice Alexandrino:Metade do século V.

aniquilacionismo 03

Códice Bezae:Século VI.

aniquilacionismo 04

Códice Washingtoniano.Século  V ou VI.

aniquilacionismo 05

Conclusão:

Acreditamos que o contexto é primordial na seleção de qual a melhor tradução deste texto. E como observamos aqui, a tradução que melhor preserva o contexto é a tradução que faz o advérbio hoje modificar o verbo estarás. Como Daniel B. Wallace disse em sua gramática, e que já citamos antes, “Nosso conhecimento sobre o autor e o contexto nos ajudará a ver se os ouvintes têm feito qualquer prioridade quanto a isso, ou se eles o têm negligenciado completamente”. Quando Jesus diz que hoje o ladrão estaria no paraíso, Jesus estava demonstrando que realmente estava tratando aquele assunto com a mais alta prioridade. Não era apenas uma promessa feita naquele dia, mas era uma promessa cumprida naquele dia.

As fontes:

http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/2013/08/a-pontuacao-de-lucas-2343-e-o-codex.html

http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/apologetica/a-pontuacao-de-lucas-23-43.ht

Autor: Itard Víctor Camboim de Lima


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

10 Comentários

Comentários 1 - 10 de 10Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. Bem refutei um ARTIGOZINHO SEU, e irei refutar esse outro ARTIGOZINHO sobre o aniquilacionismo, alías, os meus artigos refutando o seu sobre A MARCA DA BESTA, contiuna SEM RESPOSTA SUA.

    1. Vc é um soberbo e prepotente. Vem num post que não lhe pertence e quer menospreza-lo, referindo-o no diminutivo.

    2. Este Marcos Alvez não está com Jeito de Cristão não, está com jeito de Teólogo ateu.

    3. Marcos.

      Você deve ter uma base linguística, histórica, gramatical e melhor do que esta. Porque se você não tiver e duvido que tenha. Pergunto: Porque chamar de artigozinho? Faz o seguinte:Comente cada original grego. Você por certo é especialista.

  2. Ótimo texto. Deus abençoe.

  3. a última dispensação, ou seja o período entra o nascimento de Cristo, e a sua volta, digo isto, como uma hipótese, sem a pretensão de querer estabelecer, nenhuma doutrina, abraços a todos.

  4. Olá, como será o corpo dos perdidos no inferno e depois no lago de fogo? sua composição seria o mesmo ou haveria alguma transformação?

    1. ” … depois no lago de fogo? sua composição seria o mesmo ou haveria alguma transformação?

      o foco do evangelho é salvação e vida, porém quanto a sua pergunta Jesus deixou uma pista :

      “o verme não morre e nem fogo apaga” marcos 9: 44, 46, 48

      ele falou 3 vezes.

    2. Daniel 12:2 ” … dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne.”

    3. Grato jcp. Realmente o verme lembra algo horrível, ignominioso e repugnante, mas existente, consciente, físico e eterno! pois o texto é claro: “o verme NÃO morre”.

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