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Rushdie conta como é viver condenado

por cacp - ter set 18, 2:28 pm

É no mínimo uma coincidência mórbida que as memórias de Salman Rushdie, lançadas mundialmente hoje e que chegam às livrarias brasileiras na quinta-feira, venham à luz quando o mundo islâmico ferve em resposta ao que considera uma blasfêmia contra sua religião.

Rushdie, 65, conhece bem essa ira. Em vez de se insurgirem contra um país, como fazem agora com os EUA por causa de um filme sobre o islã, há 23 anos muçulmanos ao redor do mundo começaram a pedir a cabeça do escritor anglo-indiano.

Ele escrevera o romance “Os Versos Satânicos” considerado ofensivo a Maomé e ao islã.

Um decreto religioso emitido no Irã pelo aiatolá Khomeini em 1989, sentenciando Rushdie à morte, inaugurou um período de trevas na vida do autor, forçado a viver escondido por nove anos, até 1998, quando o governo iraniano desistiu de incentivar o cumprimento da sentença.

Em “Joseph Anton” –o título vem do codinome que o escritor foi forçado a adotar, juntando os prenomes de dois autores que admira, Joseph Conrad e Anton Tchékov—, Rushdie detalha pela primeira vez como foi o seu degredo.

Embora conte um pouco da infância na Índia e dos anos de formação na Inglaterra, o livro, escrito em terceira pessoa, se concentra no período de reclusão forçada do romancista.

Começa com o telefonema da repórter da BBC que o avisou da “fatwa”, em 14 de fevereiro de 1989, e termina em 27 de março de 2002, dia em que a polícia de Londres lhe comunica que não seria mais necessária a proteção que ele teve durante 13 anos.

Ao longo de 616 páginas, no mesmo estilo elíptico e elegante que marca sua prosa inventada, Rushdie narra sua história real, mais incrível de que muita ficção.

No livro, há muito de thriller: os deslocamentos de domicílio do condenado, as ameaças anônimas, os planos para matá-lo abortados pela polícia, o bastidor de negociações diplomáticas, a angústia da família etc.

Mas há também um painel grandioso do universo literário e cultural da segunda metade do século 20, tecido microscopicamente -a base para o livro são os diários do autor- pelo protagonista.

Enquanto esteve submerso, Rushdie virou amigo de Bono, do U2, conviveu com Ian McEwan, Vargas Llosa, Harold Pinter e Gunter Grass, jantou em Nova York com o recluso Thomas Pynchon e trafegou pelo establishment do mercado literário.

Só pôde deixar o Reino Unido quase três anos após a “fatwa”, e passou a viajar o mundo como símbolo da luta contra o fundamentalismo.

NOVA AMEAÇA

Assim, parece não ser coincidência que o clérigo iraniano que desde 1989 ofereceu uma recompensa milionária para quem matasse o escritor surja agora para aumentar o valor e dizer que, se Rushdie tivesse sido morto, a atual revolta não ocorreria.

Em entrevista à Folha, realizada em Londres há duas semanas –antes, portanto, do início da atual revolta e da nova ameaça do Irã–, Rushdie desdenhou dos extremistas. Contatado de novo por causa dos acontecimentos dos últimos dias, só quis falar sobre o ataque à Líbia no qual morreu o embaixador americano no país.

“Não sabemos exatamente o que houve na Líbia. A administração dos EUA disse ser incerto se o ataque em Benghazi está relacionado ao vídeo. Pode ter sido um ataque jihadista pré-planejado relacionado ao aniversário do 11 de Setembro.”

E aproveitou para alfinetar o candidato republicano à Presidência dos EUA, Mitt Romney, que usou eleitoralmente o caso. “Não comento quando não sei sobre o que estou falando. Deixo isso para Mitt Romney.”

No livro, Rushdie mexe em temas sensíveis. Refere-se a Khomeini como “velho assassino” e ridiculariza extremistas islâmicos como o anglo-indiano Kalim Siddiqui (1931-1996), chamado a todo instante de “gnomo de jardim”.

O romancista conta que hoje não tem mais proteção policial alguma. “Veja bem, eu não pretendo, por exemplo, passar férias em Teerã. Há lugares no mundo que seriam perigosos para mim, como também o Paquistão.”

Em retrospecto, Rushdie avalia o saldo como positivo.

“[Quando fui sentenciado à morte] Eu tinha 41 anos, e achava muito improvável que chegasse ao meu 42º aniversário. Agora estou com 65. Então, não fui tão mal.”

Autor: FABIO VICTOR

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

1 Comentário

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  1. Eu fico indignado quando leio certas notícias acerca das atrucidades cometidas pelos islâmicos, cujas atrocidades são cometidas por um louco fanatismo, mediante alguma crítica ao seu profeta e ao alcorão. Nós, cristãos bíblicos, nunca atacamos ou processamos alguém por detratar a pessoa de Cristo ou mesmo, queimar, criticar, zombar da nossa Bíblia Sagrada, porque sabemos que o nosso Deus é capaz de se defender, sem precisar de ninguém. Nós defendemos, sim, a palavra de Deus através do diálogo e não da violència. Que o Senhor nos abençoe e tenham compaixão dessas pessoas, que necessitam com urgência da Pessoa do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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