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Salvação: escolhida por Deus e por nós

por Norman Geisler - dom jun 22, 12:05 am

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Outro exemplo da soberania divina e de nossa responsabilidade na Escritura e encontrado nesta afirmação de Jesus em João 6.37:

“Todo aquele que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei”.

E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.  Jo 12.32

De um lado, somente aqueles que o Pai prepara virão a Cristo (Jo 6.44). Do outro lado, e também verdadeiro que “todo aquele que” escolher vir, será salvo (Rm 10.13).

Salvação: destinados e persuadidos a ela

Ha uma passagem interessante em Atos. Ela afirma que “creram todos os que haviam sido designados (preparados) para a vida eterna” (At 13.48).

Todavia, no mesmo contexto, Lucas diz que Paulo e Barnabé “foram à sinagoga judaica. Ali falaram de tal modo que veio a crer grande multidão de judeus e gentios” (At 14.1). De acordo com esse texto, na primeira passagem somente os que foram preparados para a salvação é que viriam à fé. Mas é também verdadeiro que a pregação persuasiva e um meio pelo qual as pessoas vêm à fé em Cristo. Assim, a Bíblia ensina tanto a soberania divina quanto a responsabilidade humana no mesmo contexto. O mesmo ato pode ser determinado por Jesus e escolhido pelos homens. Não ha qualquer contradição entre essas duas coisas no que diz respeito à Escritura.

Alguns calvinistas moderados, como J. O. Buswell negam que isso seja uma referencia a predestinação (e não é mesmo). Ele escreveu: “Na verdade, as palavras de Atos 13.48,49 não são necessariamente uma referencia a doutrina do decreto eterno de Deus sobre a eleição. O particípio passivo tetagmenoi pode simplesmente significar pronto’, e podemos muito bem ler: ‘Todos os que foram preparados para a vida eterna, creram’”.

E ele acrescenta: “Comentando esse versículo, Alford diz: ‘O significado dessa palavra deve ser determinado pelo contexto. Os judeus tinham julgado a si mesmos indignos da vida eterna (v. 46); quanto aos gentios, todos os que foram dispostos para a vida eterna creram […] Encontrar neste texto a afirmação de preordenação para a vida é forçar tanto a palavra quanto o contexto a um significado que eles não contem”’. (ou seja, o contexto mostra que a passagem não fala de decreto Soteriológico).

Seja como for, mesmo que esse texto seja tomado como tal, no sentido absoluto, não ha nenhuma contradição entre preordenação e persuasão, visto que Deus preordenou tanto os meios (persuasão) quanto o fim (a vida eterna).

Rejeição a Cristo: tanto pelo destino dado por Deus quanto pela nossa desobediência.

Como mencionado anteriormente, a harmonia entre predeterminação e livre-escolha e evidente nas palavras de Pedro: “Os que não creem tropeçam, porque desobedecem a mensagem; para o que também foram destinados’ (lPe 2.8). Não ha nenhuma incoerência aqui: eles foram destinados para a desobediência, e Deus sabia com certeza que escolheriam rejeitar a Cristo. Buswell comenta que “Atos 13.46 observa que os judeus, por escolha própria, rejeitaram a mensagem. Então, Paulo volta-se para os gentios. A escolha individual determinou a rejeição a mensagem; assim, por inferência, parece que, quando essa rejeição ocorreu, os gentios entraram, digamos, na esfera da graça de Deus que lhes foi destinada, e assim, creram. Observe que o versículo 48 afirma que os gentios, ouvindo as boas novas, ‘alegraram-se e bendisseram a palavra do Senhor, e a sua f é assim os moveu à esfera da graça de Deus, que, digamos, aponta para a vida eterna. Assim como os judeus escolheram rejeitar, os gentios escolheram, dentro da graça de Deus, crer”.

Adaptado do Livro “Eleitos, Mas Livres” – Ed. Vida


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