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Salvação, o que é?

por Artigo compilado - qua set 12, 1:58 pm

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SALVAÇÃO BIBLICO-TEOLÓGICA

Para compreendermos a dimensão da graça de Deus, é importante que tomemos conhecimento da promessa que Ele fez ao homem de en­viar o Salvador. Essa promessa está intimamente ligada ao conceito de salvação, de revelação e de história da salvação. Nosso objetivo neste capítulo é dar ênfase à salvação. No próximo capitulo abrangeremos a plena realização da salvação na pessoa de Jesus Cristo.


1. CONCEITO DE SALVAÇÃO

Na Bíblia, o termo salvação tem diversos significados. Ë um subs­tantivo que vem do verbo grego usado pela Septuaginta para traduzir palavras do hebraico, como: salvar, guardar isento e são, livrar de peri­go ou destruição. o oposto de “apollumi”, que significa destruir, de onde vem “Apoliom”: Ap 9.11.

No Antigo Testamento é empregada, principalmente em Isaías e nos Salmos, para demonstrar a obra de Jeová ao livrar o seu povo das gentes, e antecipa sua salvação final na volta de Cristo. No Novo Tes­tamento o termo é mais amplo em seu significado e parece representar toda obra de Deus em favor dos seus, até que cheguem à sua presença, livres para sempre do pecado e fora do alcance do Diabo e dos homens perversos. Assim, no Novo Testamento o termo salvação é empregado no sentido de salvar ou livrar de perigo ou destruição (Mt 8.25; 14.30; 24.22; At 27.20, 31; 2 Pe 4.18); no sentido de indicar cura (Mt 9.22; Mc 5.34), tanto física como espiritual: Lc 7.50.

O uso mais constante do verbo é no sentido de libertação do julga­mento messiânico (Jl 2.32); libertação de males que obstruem o livra­mento messiânico (Mt 1.21; Rm 5.9; Tg 5.20); tomar alguém partici­pante da salvação oferecida por Cristo: Mt 19.25; Jo 3.17.

A forma nominal do hebraico transmite a idéia geral de segurança ou sossego, ou tranqüilidade (2 Sm 22.51), ao passo que a for­ma grega demonstra segurança ou saúde: Lc 1.69 em diante. Há duas palavras gregas que se referem à salvação: “soterios”, referindo-se à­quele que traz a salvação (Tt 2.11; Lc 2.30; At 28.28); e “soteria, sote­rion”, significando livramento ou preservação de inimigos (At 7.25), preservação da vida física, libertação (At 7.34) ou saúde: Hb 11.7. Também é empregada muitas vezes para expressar salvação espiri­tual: Lc 19.9; Jo 4.22; Rm 10.10.

Como vimos, encontramos na Bíblia diversos significados para a palavra salvação. Os termos são diferentes em suas concepções, va­riando de livro para livro. Com base, no entanto, nas informações es­criturísticas, cremos que o homem pode experimentar diversas fases na salvação e que cada uma delas contribui com algo, produzindo maior profusão de luz divina, quando tomadas em conjunto. Assim, podemos dizer que o vocábulo salvação pode expressar essas três idéias:

1.1. Salvação instantânea —
 A salvação da alma, uma vez signifi­cando libertação da condenação, é completa e segura a partir do mo­mento em que o homem confia em seu Salvador (Jo 6.47); transmite a idéia de redenção do pecado (At 2.21; 16.31; Rm 10.10); traz no seu bojo a idéia de perseverança dos santos; é sinônimo de nascer de novo (Jo 3.3-7), matricular-se na escola de Jesus (Mt 11.29), de matrimônio espiritual (Jo 3.29) ou de adoção na família de Deus: Rm 8. 15-23. Ou­tros textos que falam dessa salvação: Ef 2.8; 2 Tm 1.9; 1 Pe 1.9,10; Hb 5.9; Jd 3.

1.2. Salvação contínua —
 Transmite a idéia do crescimento em co­nhecimento, graça e serviço para o Senhor Jesus Cristo: 2 Pe 3.18; Fp 2.12; 2 Co 1.6. Neste sentido, a salvação está relacionada às boas obras que evidenciam nossa salvação: Ef 2.8-10; Fp 2.12,13. Esta salvação contínua também é chamada de santificação, pela qual crescemos na semelhança de Jesus Cristo, tema que abordaremos mais adiante.

1.3. Salvação futura —
 Significa o climax do processo redentor, ou seja, a vida que receberemos na eternidade em troca de nossa fidelida­de ao serviço de Jesus Cristo. Diz respeito à totalidade de benefícios e bênçãos no Céu, herança dos remidos: Rm 13.11; 1 Ts 5.9; Hb 9.28; Ap 12.10. Haverá diferenças na recompensa. A esta fase final da salvação chamamos de glorificação, ou a realização completa para o cristão, tema que também abordaremos mais adiante. Gememos neste corpo, sentindo os impulsos da carne por dentro e a pressão do mundo por fo­ra, mas somos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”, 1 Pe 1..5. Essa salvação futura está relacionada também à volta de Jesus Cristo, abrangendo “toda a obra de Deus em relação à totalidade do homem, já que receberá, na primeira ressurreição, um corpo glorificado por meio do qual se cumprirá todo o propósito de Deus em relação ao ho­mem”: 1 Co 15.42~55.6

Ë certamente sobre o tema da salvação que as opiniões divergem, umas colocando a salvação dentro dos moldes praticáveis na época do Novo Testamento e esquecendo que hoje o contexto é outro (a mensa­gem salvífica é a mesma, mas deve ser apresentada de forma diferente, atingindo às necessidades do homem atual); outras, colocando a salva­ção dentro de um contexto puramente humano, nada lhe atribuindo de divino, isto é, humanizando-a, permitindo que perca seu valor e efeitos divinos.

Uma das grandes carências da teologia atual é a ausência de pro­funda e lúcida reflexão sobre o tema da salvação. Temos aí uma gran­de verdade, pois, se existe um tema na teologia contemporânea que causa celeuma é a salvação. Muitos têm medo de abordá-lo, não que a salvação seja irreflexionável, mas por ter sido transformada em mera figura de expressão, em conceito filosófico. Quando alguns têm a felicidade de defini-la e colocá-la em prática (estendendo a salvação a ou­tros através da pregação), aparecem outros dizendo que a definição e a prática estão erradas. Onde existe sinceridade para com Deus, através do Senhor Jesus Cristo, cremos que existe a salvação, existe a remissão dos pecados, pois “a salvação é um ato de Deus, iniciado por Deus, executado por Deus e por Deus sustentado”.7 Se é Deus quem coman­da todo o processo da salvação, como aparecem algozes levantando-se para dizer que esta ou aquela religião não prega a salvação? Referimo-­nos às religiões e denominações que se dizem fundamentadas na Bíblia e professam o Senhor Jesus Cristo como Salvador, dizendo-se salvos.

Não existe senso de julgamento individual ou coletivo. Se nossos semelhantes se dizem salvos devemos respeitar o testemunho de cada indivíduo.

A problemática humana sempre atrapalhou a pregação do Evange­lho. Hoje, mais do que nunca, isso acontece porque as correntes teoló­gicas se multiplicam e as doutrinas divergem; se peneirarmos todas elas, dois elementos hão de permanecer: um fundamento e um objeti­vo. A culpa recai sobre o próprio homem pois um critica o outro por causa do egoísmo, do orgulho, da falta de sabedoria e discernimento.

A salvação sempre foi o alvo da procura incessante do homem e é a chave para a interpretação de qualquer religião. A preocupação mais profunda do homem tem sido sua realização espiritual, sua completa libertação, vivendo ele na esperança de que, mesmo sendo a vida neste mundo socialmente desproporcional, uma vida de sofrimento e soli­dão, alcançará aquilo que não lhe é outorgado por homem algum, mas é fruto de seu relacionamento íntimo com Deus, o Criador e Salvador de todas as criaturas.


2. A HISTORIA DA SALVAÇÃO

2.1. A Bíblia como história da salvação

Antes de entrarmos especificamente na revelação que nos é trans­mitida através da história da salvação, faremos breve-comentário sobre a Bíblia apresentando a mensagem da salvação encarnada numa histó­ria humana.

A história é o meio ambiente para a revelação de Deus aos homens. A Bíblia não é um documento da história profana, secular e sim da his­tória sagrada, da história salvífica. A Biblia nos relata uma história em que o Salvador é revelado por Deus.

Nesse sentido, a revelação e a inspiração estão intimamente liga­das. A revelação não se restringe ao campo da profecia; o próprio even­to da história salvíflca é uma revelação, pois esta se realiza durante e através da história. “A história sagrada é eminentemente uma presen­ça salvífica de Deus no comportamento humano. Como presença divi­na, comporta uma carga de novidade. Ê uma história reveladora, o fato salvíflco que descobre a Deus.”8

Através da revelação contida na Bíblia, podemos observar que Deus se revela pouco-a-pouco porque Ele se mostra através dos fatos históricos que se sucedem no tempo e não em um instante; porque o homem vai progredindo cultural e espiritualmente e vai adquirindo aptidão cada vez maior para compreender as verdades superiores.


2.2. Os elementos da história da salvação

Como vimos, de acordo com a Bíblia, a revelação é a ação de Deus em busca do homem em sua história: a libertação do povo de Deus do Egito, a presença divina no Sinai, a quebra da aliança, os sinais opera­dos pelos servos de Deus e, finalmente, a manifestação do Filho de Deus encarnado.

A revelação real de Deus ocorre exclusivamente pela Palavra de Deus e pelas palavras dos homens, que podemos chamar de revelação verbal; ambas estão ligadas entre si, formando um só todo.

Podemos ainda denominar de revelação natural uma ação de Deus no mundo e na história, quando todo ser e ação dependem de uma cau­sa transcendente; essa revelação natural não é uma história salvífica em sentido próprio e estrito.

Por isso, podemos afirmar que os elementos constitutivos da história da salvação são dois: a revelação e a graça. A Palavra de Deus só pode ser ouvida como Palavra de Deus, quando é ouvida mediante a sua presença. Quando a subjetividade humana se resume em ser hu­mana, ela tira o poder da Palavra divina, rebaixando-a ao nível das palavras do homem, mesmo que contenha algo relacionado a Deus. Por isso, só pode haver história salvífica e revelação em sentido pró­prio, quando o receptáculo for um com Deus; isso equivale a dizer que a história da salvação é a história da graça. Somente a graça de Deus pode atuar na subjetividade do homem, a fim de que ele receba a Pala­vra de Deus como sendo de Deus mesmo.


2.3. Relaçâo entre história salvífica geral e especial

Um dos problemas relacionados à história da salvação que preocu­pam os teólogos, os estudiosos da Bíblia e outros cristãos é o da salvação daqueles homens que não pertenceram à aliança de Deus com Abraão e Moisés, que viveram antes deles e que viveram alheios ao povo de Deus, os que não foram atingidos pela revelação do Antigo Testamento.

Há algumas hipóteses a considerar, como: o homem daqueles tem­pos não precisava de fé para se salvar. A essa idéia se opõe claramente Hebreus 11.6. Segundo Straub, seria suficiente uma fé subjetiva; essa hipótese admite a salvação do homem sem a necessidade da revelação. Outra hipótese é o apelo à chamada revelação primitiva. Toda salva­ção é proveniente da fé fundamentada numa revelação divina. Não havendo a revelação divina, como no-la apresenta a Bíblia, haveria uma revelação primitiva. Nesse sentido, não podemos identificar o co­nhecimento da história primitiva com a revelação primitiva. Final­mente, podemos solucionar o problema da salvação da humanidade pré-cristã, com o pensámento de Tomás de Aquino: Deus comunicou a cada homem, por meio de uma revelação especial, o essencial daquilo que era necessário como condição para a possibilidade da fé salvífica. Neste caso, poder-se-ia afirmar que o homem primitivo não teve ne­cessidade da oferta da revelação e da graça sobrenatural, uma vez que Deus tem uma vontade acerca da salvação universal do homem.

Na realidade, sempre foi oferecida á humanidade pré-cristã, por toda parte, uma graça salvífica sobrenatural que lhe possibilitasse uma salvação real e efetiva. Essa oferta diz respeito à estrutura íntima do homem, com a intervenção da graça de Deus, que lhe possibilita a realização de um ato salvifico livre. Assim, admite-se que a graça sal­vadora sobrenatural foi oferecida a todos os homens pela vontade salvífica universal de Deus. Essa graça opera uma mudança na cons­ciência.

Passo a passo com a história salvífica sobrenatural e geral existe a história geral e sobrenatural da revelação e da graça, que existe por sua vez paralelamente à história geral do mundo. A história da revela­ção (desde Abraão a Moisés) que denominamos como revelação primi­tiva deve ser consideràda então como história especial da revelação e da salvação.

Outrossim, a história geral da salvação, da revelação e da fé exerce uma influência imediata e real sobre a história profana. E mais ainda:

a história geral da salvação não é outra coisa senão o caminho para a salvação individual.

Em Romanos, capítulos um e dois, notamos que Paulo afirma que os pagãos são culpados diante de Deus, embora não tivessem ouvido nada da revelação do Velho Testamento. Uma vez responsabilizando o homem diante de Deus, independentemente dessa revelação, Paulo admite a revelação natural. Admite que o homem pode ter um com­portamento salvífico diante de Deus pela observância da lei escrita no coração. Essa salvação só é possível mediante a graça divina.

Sem dúvida alguma, assim como vem expresso na carta aos Roma­nos, todos os homens estariam perdidos sem a graça que justifica me­diante Jesus Cristo.

“A glória da graça incomparável do Cristo não aceita que todos os homens de antes dele, de fato, se tenham perdido. Antes pode-se ad­mitir que, em razão desta graça… também a humanidade de antes de Cristo conheceu uma real possibilidade de salvação”.

Finalizando o tema da história da salvação, podemos resumir as verdades expostas na seguinte afirmativa: a história da salvação e da revelação não pode ser aplicada indistintamente a todos os fatos da história salvífica: a plenitude da história da salvação pode ser encon­trada somente em Jesus Cristo, meta, objetivo final e causa dessa mes­ma história. Todas as fases anteriores devem ser compreendidas como preparação da história que nos foi dada em Jesus Cristo, por Deus. Em Jesus Cristo, a história da salvação atinge sua perfeição total e sua meta última. As diversas etapas de tempo participam da mesma es­sência da história salvíflca única; são períodos distintos uns dos ou­tros, cada um deles fazendo parte da fase definitiva.

Em relação às profecias do Antigo Testamento que anunciavam a vinda do Messias, isto é, as profecias messiânicas, podemos afirmar que Cristo já existia como “causa finalis” na história geral do Antigo Testamento, isto é, na história salvífica. As profecias veterotestamen­tárias sobre a nova e eterna aliança, a idéia do Messias, as idéias de que Deus quer salvar o resto de Israel, tudo indica que na Antiga Aliança havia uma dinâmica em perspectiva rumo a uma fase históri­co-salvífica mais ampla e mais elevada. Os homens antes de Cristo e de sua auto-revelação viveram em Cristo e, de Cristo, tiveram uma fé que pode ser comparada à fé cristã, pois tais elementos são indispensá­veis para a salvação.


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

Trenchard, Ernesto — Bosquejos de Doctrina Fundamental, p. 54

Graham, B. – Mundo em Cluzmas, p. 134

Croatto, J. 5. – História da Salvaçâo, p. 21


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