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Seria Deus vingativo?

por Artigo compilado - sex mar 14, 12:01 am

vingança

SALMO 109.lss – Como um Deus de amor, tal como revelado no NT, pode ser conciliado com o Deus vingativo deste salmo cheio de maldições?

PROBLEMA: Este salmo, assim como muitos outros no AT (por exemplo, os salmos 35 e 69), pronuncia maldições sobre os inimigos de alguém. Por isso ele e também os demais dessa linha são chamados de salmos imprecatorios (com maldições). Davi diz: “Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva, a sua esposa” (109:9). Em contraste, Jesus disse: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Como o Deus de vingança do AT pode ser o mesmo Deus de amor do NT ( 1 João 4:16)?

SOLUÇÃO: Para entender esses salmos imprecatórios, que contêm maldições, alguns importantes fatores precisam ser considerados.

Primeiro, o juízo que é pedido baseia-se na justiça divina e não no ódio humano. Davi disse com clareza a respeito de seus inimigos neste salmo: “Pagaram me o bem com o mal; o amor, com ódio” (v. 5). Ao mesmo tempo em que Davi de fato orava pelo castigo (maldição) sobre seus inimigos, não obstante ele os amava e os entregou à justiça de Deus pela devida recompensa que os atos maus por eles praticados lhes acarretaram.

Quando Davi poupou a vida de Saul, deu uma prova prática de que a vingança não era a motivação que estava por trás deste salmo. Apesar do fato de Saul ter perseguido Davi para tirar-lhe a vida, este perdoou a Saul e até mesmo poupou a sua vida (cf. 1 Sm 24; 26).

Segundo, o juízo nestes salmos é expresso nos termos da cultura daqueles dias. Como a condição de órfão ou de viuvez era considerada uma tragédia, a maldição é expressa segundo essas categorias de fácil entendimento na época.

Terceiro, como a cultura hebraica não fazia uma clara distinção entre o pecador e o seu pecado, o juízo é expresso em termos pessoais muito mais do que de forma abstrata. Além disso, como a família hebraica era algo solidário, a família toda era salva (cf. Noé, Gn 7-8) ou era objeto de um juízo para todos os seus membros (cf. Acã, Js 7:24).

Quarto, o fenômeno da imprecação não ocorre apenas no AT. Jesus recomendou que seus discípulos amaldiçoassem as cidades que não recebessem o Evangelho (Mt 10:14). O próprio Jesus lançou juízo sobre Betsaida e sobre Cafarnaum, segundo Mateus 11:21-24. Paulo declarou anátema todo aquele que não amasse o Senhor (1 Co 16:22). E até mesmo os santos no céu clamaram a Deus por vingança sobre aqueles que martirizaram crentes (Ap 6:9-10).

Quinto, as imprecações não são um fenômeno primitivo ou apenas do AT. A aplicação da justiça sobre o mal pertence a Deus, assim como a bênção sobre o que é reto. Essas duas coisas são verdadeiramente de Deus, tanto no AT como no NT. De fato, Deus é mencionado como tendo a característica do amor com maior freqüência no AT do que no NT.

Sexto, pelo fato de que no AT a ênfase recaía sobre recompensas terrenas ligadas à família, à prosperidade e à terra, também as maldições eram expressas nesses termos. Como a revelação do NT expressa-se mais em termos de destino eterno, havia menos necessidade de formular as imprecações nesses termos terrenos.

Mesmo nessas imprecações do AT pode-se perceber uma antevisão de Cristo. Deus confiou todo juízo ao Filho (Jo 5:22). Dessa forma, os que esperam por justiça não o fazem apenas por seu justo reino, mas esperam pacientemente pelo Senhor, que rapidamente virá para exercê-lo com justiça (Ap 22:12).

Extraído do livro MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler – Thomas Howe.


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