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Significados da palavra “autoridade”

por Artigo compilado - qui ago 23, 9:05 am

A maneira como a palavra “autoridade” é empregada na Bíblia normalmente significa o direito conferido a uma pessoa para fazer determinadas coisas, em função do cargo ou da posição que ocupa, portanto autoridade significa “poder ou direito de agir particularmente, dar ordens e se fazer obedecer”.

TIPOS DE AUTORIDADE

Há duas formas básicas de autoridade: intrínseca e delegada.

(1) – AUTORIDADE INTRÍNSECA – Aquela inerente à natureza ou à essência de algo. Por exemplo, a autoridade de Deus, que é absoluta e incondicional (SI. 19.7-10; Is. 40.18-26).

(2) – AUTORIDADE DELEGADA – Aquela concedida, derivada ou outorgada a alguém, proveniente de outra fonte de autoridade. Por exemplo, os governos civis (Rm. 13.1-7); dos pais (Ef. 6.1-4); dos pastores e líderes (Hb. 13.7,17).

A PALAVRA “APÓSTOLO”

Algumas vezes a palavra APÓSTOLO é usada no Novo Testamento numa acepção genérica, com o significado de mensageiro. Exemplos: Jo. 13.16 (enviado = apóstolo); IICo. 8.23 (mensageiros = apóstolos das Igrejas). O próprio Jesus é chamado APÓSTOLO em alusão a Sua função como enviado especial de Deus ao mundo em Hebreus 3.1.

No entanto, a palavra APÓSTOLO assume um sentido mais amplo nas Epístolas Paulinas. Abrange as pessoas que, assim como Paulo, não estavam entre os doze apóstolos, mas que haviam visto o Cristo ressurreto e foram especialmente enviadas por Ele.

Isto exposto, APÓSTOLO significa enviado especial de Jesus Cristo, uma pessoa a quem Jesus conferiu autoridade para realizar determinadas tarefas (Mt. 10.7-8; Mc. 3.14 e 6.30).

AUTORIDADE APOSTÓLICA

A autoridade apostólica é a AUTORIDADE DELEGADA por Jesus aos apóstolos porque eles:

(A) – Eram testemunhas comissionadas por Cristo e Seus representantes – Mt. 10.40; Jo. 17.18 e 20.21; At. 1.8; IICo. 5.20);

(B) – Receberam autoridade para fundar, edificar e regular Sua igreja universal – IICo. 10.8 e 13.10;

(C) – Deram ordens e prescreveram disciplina em nome de Cristo, demonstrando serem porta-vozes de Deus e possuírem autoridade divina –ICo. 5.4; IITs. 3.6;

(D) – Apontavam diáconos e presbíteros – At. 6.3,6 e 14.23;

(E) – Apresentavam ensinamentos como as verdades de Cristo, tanto quanto ao conteúdo como quanto à forma de expressão (ICo. 2.9-13 cf. ITs. 2.13), à norma da fé (IITs. 2.15 cf. Gl. 1.8) e do comportamento (IITs. 3.4-6,14);

(F) – Esperavam que suas regulamentações fossem recebidas como “mandamentos do Senhor” -ICo. 14.37.

Assim, a autoridade que Cristo conferiu aos apóstolos era única. Não pode ser transmitida a outros. Os apóstolos podiam investir pessoas nas funções de presbíteros, líderes ou mestres nas Igrejas, dando-lhes autoridade para assumir determinadas responsabilidades, no entanto, a autoridade apostólica não chegou até nós através de seus sucessores, mas, sim, por seus escritos encontrados no Novo Testamento.

Por isso, transcrevemos aqui as palavras do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard: “Não sou obrigado a obedecer a Paulo porque ele era excepcionalmente inteligente; devo submeter-me a Paulo porque ele tem autoridade divina”.

A DEFESA DA AUTORIDADE APOSTÓLICA

Paulo tinha opositores: eram os falsos mestres, tanto internos como externos, legalistas judeus por isso chamados “judaizantes”. Viviam como judeus, de acordo com as normas religiosas dos judeus (IICo. 11.26: Gl. 2.14) e, ao ingressarem no Cristianismo, queriam que os gentios observassem a lei de Moisés (At. 15.1). Esses homens saíram de Jerusalém por sua própria conta. Tiago disse que não os enviara, portanto não podiam representar a Igreja de Jerusalém (At. 15.24).

A alegação de Paulo de ser um apóstolo foi contestada pelos opositores. Entretanto, Paulo considerava que as bases para a sua condição de apóstolo eram:

(1) – O chamado direto do Senhor glorificado, que havia lhe aparecido na estrada para Damasco;

(2) – A graça de Deus sobre o seu ministério de alcançar pessoas para o Evangelho e plantar igrejas (ICo. 15.10).

Havendo Paulo sido um perseguidor da Igreja antes de sua conversão, os opositores tentavam excluí-lo da lista dos apóstolos! Os opositores pareciam levar vantagem, por não ser Paulo um dos doze que conviveram com Jesus. Eles sabiam dos requisitos apresentados pelo apóstolo Pedro (At. 1.21-25), mas ignoravam o que está escrito na Palavra do Senhor acerca dos apóstolos que Deus constitui sobre a Sua Igreia (ICo. 12.18; Ef. 4.11).

A DEFESA DA AUTORIDADE MINISTERIAL NOS DIAS DE HOJE

Parece que é uma tendência hoje ser mais fácil induzir alguém ao erro do que levá-lo à verdade. Tais pessoas conhecem o seu pastor, sua história, sua origem, sua família, seu trabalho, sua dedicacão à Igreja e seu cuidado com o rebanho. Porém, trocam esse homem de Deus por estranhos que sequer conhecem sua origem!

A melhor defesa para um homem de Deus, contra qualquer tipo de acusação feita ao seu Ministério, está no fato de ter uma consciência tranquila diante do povo e diante do seu Deus.

Paulo tinha essa consciência (ITs. 2.1-8). Um homem de Deus, que prega e ensina a Palavra do Senhor, não procura induzir o povo ao erro, a fim de tirar proveito pessoal; tem sua consciência tranquila diante de Deus. Paulo podia dizer não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados. Um homem de Deus que não busca sua própria glória, que não faz a obra de Deus para ser louvado pelos homens, que abre mão até mesmo dos direitos que lhe são conferidos em virtude do cargo que ocupa (IITs. 3.6-10; At. 20.17-21,36-38).

EXEMPLOS DE HOMENS QUESTIONADOS NO ANTIGO TESTAMENTO

Moisés (Nm. 16.1-3). Quando seu Ministério foi contestado, ele pode declarar sua integridade moral. Moisés era um homem que tinha as mãos limpas. Não era uma simples contestação, mas uma rebelião de “peso”. Os ministérios de Moisés e de Arão estavam sendo postos em dúvidas (Nm. 16.12-13). Contudo, não houve troca de acusações, escândalo, brigas. Moisés tinha sua consciência tranquila diante de Deus. Ele tinha consciência de que não havia dado causa àquela rebelião. Ele era um homem íntegro diante de Deus (Nm 16:15). Quando o homem de Deus tem sua consciência tranquila, e a certeza de estar com suas mãos limpas, ele pode entregar a defesa de seu ministério nas mãos de seu Deus. Moisés fez isso e Deus tomou as providências necessárias, sem preiuízo para a integridade do povo, consumindo os rebeldes (Nm. 16.32-33).

Samuel ((ISm. 12.1-5). No final do seu ministério ele desafiou que alguém apresentasse uma só mancha em seu ministério.

Paulo, Moisés e Samuel: três homens de Deus! Três ministérios diferentes! Três homens que tinham suas consciências tranquilas diante do povo e diante de Deus! Três homens de “mãos limpas”! Três exemplos para todos os obreiros de hoje. Aconteceu no passado, acontece hoje. Qualquer homem de Deus, mesmo sem causa, poderá ter seu ministério contestado e até colocado em dúvida. Mas, nos três exemplos citados, aqueles homens não vacilaram em invocar o testemunho de Deus sobre seus ministérios e não tiveram medo de desafiar o povo a apontar qualquer mancha em suas vidas e desempenho ministerial.

Daí voltamos a afirmar que a melhor defesa para um homem de Deus contra qualquer tipo de acusação feita ao seu ministério está no fato de ter uma consciência tranquila diante do povo e diante de Deus (IPe. 3.16-17 e 4.15-16).

O uso mais nobre da autoridade envolve a atitude de servir ao próximo (Lc. 22.26-27). O cristão que procura seguir o exemplo de Cristo aprenderá a usar sua autoridade com as pessoas e não sobre elas. No mais, o cristão, que deve ser sábio, não se esquece de que toda forma delegada de autoridade irá um dia retornar a Deus, que a concedeu (ICo. 15.24-28). No entanto, as recompensas pela fidelidade irão durar por toda a eternidade (IJo. 2.17).

Autor: Pr. Geraldo Carneiro Filho

 


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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