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Teocracia das TJs

por Artigo compilado - qua fev 19, 12:01 am

tj-reuniai

“Teocracia, constituição ou governo de um país no qual Deus é encarado como o único soberano e as leis do reino são vistas como sendo ordens divinas. Por extensão, uma teocracia é um país no qual o controlo está nas mãos do clero.”

“Ora, o que quer dizer o termo “teocrático”? O Novo Dicionário do Século Vinte, de Webster, em inglês, define “teocracia” como “o governo dum estado exercido por Deus”.” (A Sentinela, 1.º de janeiro de 1993, p. 22, §15)

Estas duas definições de Teocracia estão considerando um país, mas conforme todos sabemos existe também pelo menos uma organização que alega ser uma Teocracia, a saber, a Sociedade Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová).

A história diz-nos que os regimes absolutamente mais despóticos e horríveis que é possível imaginar foram “Teocráticos”. Conforme a definição acima declara, uma teocracia é um país (ou organização) no qual o controlo está nas mãos do clero. Por outras palavras, aqueles que afirmam estar em “comunicação” com Deus. No caso da Sociedade Torre de Vigia, é o Corpo Governante.

A revista Sentinela informa-nos sobre a natureza da “Organização” deles:

“Por fazermos parte da família de Jeová, não somos apenas alegres, mas também sentimo-nos seguros. Isto se dá porque a organização dele é teocrática. O Reino de Deus é uma teocracia (do grego theós, deus, e krátos, governo). É o governo de Deus, estatuído e estabelecido por ele. A “nação santa”, ungida, de Jeová está submissa ao seu governo e por isso também é teocrática.” (A Sentinela, 15 de julho de 1996, p. 13, §14)

Tal como todas as pessoas de mentalidade totalitária, os líderes da Sociedade Torre de Vigia são extremamente entusiásticos quando se trata do governo da “Teocracia”. Repare só nesta declaração da Sentinela:

“Este é o motivo pelo qual, em toda a história humana, somente uma forma de governo tem sido realmente bem-sucedida. Qual? A teocracia sob Jeová Deus. No grego bíblico, “teocracia” significa governo [krátos] de Deus [theós]. Que governo melhor poderia haver do que o do próprio Jeová Deus?” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 10, §2)

Esse número da Sentinela tenta dar uma perspectiva histórica sobre a primeira teocracia nacional:

“A teocracia governou por pouco tempo no Éden, até que Adão e Eva se rebelaram contra Jeová. (Gênesis 3:1-6, 23) No tempo de Abraão, parece que existiu uma teocracia na cidade de Salém, tendo a Melquisedeque como rei-sacerdote. (Gênesis 14:18-20; Hebreus 7:1-3) Todavia, a primeira teocracia nacional sob Jeová Deus foi estabelecida no ermo do Sinai, no século 16 AEC. Como aconteceu isso? E como funcionava este governo teocrático?” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 10, §3)

Sim, de fato, como funcionava? Conforme pudemos ver, a Sentinela disse que a teocracia é a única “forma de governo” que “tem sido realmente bem-sucedida”. Por que não examinar em que consiste este sucesso? Segundo a Sentinela, o nascimento desta “nação teocrática” começou com guerra e carnificina:

“Nasce uma teocracia
Em 1513 AEC, Jeová resgatou os israelitas da escravidão no Egito e destruiu os exércitos perseguidores de Faraó no mar Vermelho. Depois Ele guiou os israelitas até o monte Sinai. Quando estavam acampados ao sopé do monte, Deus disse-lhes por meio de Moisés: “Vós mesmos vistes o que fiz aos egípcios, para vos carregar sobre asas de águias e vos trazer a mim. E agora, se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos.” Os israelitas responderam: “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer.” (Êxodo 19:4, 5, 8) Celebrou-se um pacto e nasceu a nação teocrática de Israel. — Deuteronômio 26:18, 19.” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 10, §4)

Como é que esta maravilhosa nova “nação teocrática” se comportou nos anos que se seguiram ao seu nascimento? Antes de vermos isso, temos de ter em mente esta próxima citação daSentinela:

“Conforme esta revista já salientou anteriormente: “A teocracia é o governo de Deus; Deus é amor; portanto, a teocracia é o governo exercido por amor.“” (A Sentinela, 1.º de setembro de 1996, p. 15, §9)

Assim, quando agora voltamos a nossa investigação para a história desta “nação”, esperaríamos encontrá-la repleta de exemplos deste “governo exercido por amor”, ou não? É claro que sim.

Felizmente, temos registos muito bons sobre as ações desta “nação teocrática” e do seu “governo exercido por amor”, graças à Bíblia. Conforme foi dito acima, a “nação teocrática” nasceu através da aniquilação do exército egípcio. A Sentinela evidentemente é muito cuidadosa em indicar que este “Deus” é convenientemente invisível e que, por essa razão, o seu governo tem de ser exercido por procuração. Isto significa que “Deus” delegará a sua “autoridade” sobre um líder ou grupo de líderes, que evidentemente não aceitarão nada menos que obediência cega, pois têm a “autoridade” do próprio “Deus” Todo-Poderoso. O primeiro exemplo de um ser humano com essa espantosa “autoridade” foi Moisés:

“O primeiro a exercer grande autoridade em Israel foi Moisés. Ele foi um belo exemplo de alguém teocrático no exercício de autoridade. É verdade que em certa ocasião se revelou nele uma fraqueza humana. No entanto, Moisés sempre se estribava em Jeová.” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 11, §7)

Segundo a Sentinela, Moisés disse pessoalmente que ele era “em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo”. E claro que todos sabemos que as pessoas que dizem esse tipo de coisas sobre si mesmas são excepcionalmente humildes!

“Como resistiu Moisés à tentação de usar seu elevado cargo para a sua própria glória? Ora, embora guiasse uma nação de milhões de pessoas, ele era “em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo”. (Números 12:3)” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 11, §7)

Agora já é tempo de tentarmos descobrir o que uma pessoa que afirma ser “em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo” realmente faz quando está a levar por diante as políticas da sua “nação teocrática”. Mansidão, amor e consideração deviam evidentemente manifestar-se na implementação da vontade de Deus numa “nação teocrática”. Ao lermos a história sobre esta “nação teocrática”, esperaríamos naturalmente que essas qualidades estivessem presentes. Examinemos o registo:

“E foram travar guerra contra Midiã, assim como Jeová mandara a Moisés, e passaram a matar todo macho. E mataram os reis de Midiã junto com os que foram mortos, a saber, Evi e Requém, e Zur, e Hur, e Reba, os cinco reis de Midiã; e mataram Balaão, filho de Beor, com a espada. Mas os filhos de Israel levaram cativas as mulheres de Midiã e seus pequeninos“. (Números 31:7-9)

A maioria de nós estamos cientes dos horrores da limpeza étnica e genocídio, como os exemplos que vimos recentemente na Sérvia, Bósnia, Croácia e Kosovo. Estes eventos recentes chocaram e horrorizaram pessoas em todo o mundo e a comunidade internacional tem sido unânime em condenar tais atrocidades como sendo inaceitáveis numa sociedade civilizada. O que vemos descrito na citação do texto bíblico acima é um exemplo de um genocídio e limpeza étnica desse tipo. Jeová, que a Sentinela diz ser amor, ordenou a Moisés, o homem extraordinariamente manso, que matasse homens, mulheres e crianças, mas os súbditos desta “nação teocrática” não seguiram rigorosamente as ordens recebidas e em vez disso levaram cativas algumas mulheres e crianças. Ficou Moisés orgulhoso por terem as pessoas mostrado tal centelha de compaixão e terem poupado as vidas dessas mulheres e crianças? Vejamos:

E Moisés ficou indignado com os homens designados das forças combatentes, os chefes dos milhares e os chefes das centenas, que retornavam da expedição militar. De modo que Moisés lhes disse: “Preservastes viva a toda a fêmea? Eis que estas são as que pela palavra de Balaão serviram para induzir os filhos de Israel a cometerem infidelidade para com Jeová na questão de Peor, de modo que veio o flagelo sobre a assembléia de Jeová. E agora, matai a todo o macho dentre os pequeninos e matai a toda a mulher que tiver tido relações com um homem por se deitar com um macho. E preservai vivas para vós a todas as pequeninas dentre as mulheres, que não tiverem conhecido o ato de se deitar com um macho.”” (Números 31:14-18)

Segundo a Bíblia, o homem manso, o representante de Jeová e líder desta nova “nação teocrática”, ficou muito indignado com eles. Eles tinham desobedecido às ordens de Moisés (Jeová) e tinham deixado de matar todas as mulheres e crianças. Mais uma vez ele ordenou-lhes que matassem todas as mulheres e crianças, mas sendo um homem prático, tanto quanto “manso”, ele fez a pequena concessão de que as virgens e os bebês do sexo feminino podiam ser poupadas, podiam evidentemente ser usadas para propósitos de procriação. Quanto mais israelitas houvesse, melhor.

Não consegue sentir o imenso amor e mansidão expressos nestes escritos? Esta maravilhosa “nação teocrática”, segundo diz a Bíblia, deambulou pelo deserto do Sinai durante 40 anos, matando, saqueando e deitando a mão a tudo o que podia. Quando finalmente se lançaram na tarefa de tomar posse da terra que “Deus lhes deu”, a limpeza étnica e o genocídio continuaram com toda a força durante muitos, muitos anos.

A Sentinela declarou:

“Este é o motivo pelo qual, em toda a história humana, somente uma forma de governo tem sido realmente bem-sucedida. Qual? A teocracia sob Jeová Deus.” (A Sentinela, 15 de janeiro de 1994, p. 10, §2)

Grande verdade. Lendo a história desta teocracia conforme está registada na Bíblia, uma pessoa tem de admitir que como máquina de guerra e instrumento de limpeza étnica e genocídio, foi verdadeiramente “bem-sucedida”. Não há dúvida sobre isso. Como exemplo de um “governo exercido por amor”, no entanto, a “nação teocrática” deixa muito a desejar, para dizer o mínimo. A nação de Israel, nascida de tal horrível banho de sangue e carnificina, é o modelo por excelência da Sociedade Torre de Vigia, a idéia que eles fazem de um mundo ideal. É tanto assim, que eles hoje sonham em recriar esta “nação teocrática” numa “terra purificada”.

Norman Hovland

Extraído do site http://corior.blogspot.com/ em 18/02/2014


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