Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP
Terapias
alternativas e alternativas perigosas
Por: Márcio de Souza
"As emoções negativas são a causa primária de
muitas doenças. Se intensas, podem distorcer a manifestação dos ideais de força,
sabedoria e beleza, pre-existentes na natureza humana".
É com esse enunciado que começa deter-minado artigo incentivando o uso dos
Florais de Bach, considerado um regulador das vibrações que nos equilibram com
a natureza. Muitos cristãos têm indagado se devemos ou não substituir ou
adicionar os tratamentos alternativos aos cuidados alopáticos (Alopatia:
Sistema terapêutico que consiste em tratar as doenças por meios contrários a
elas, procurando conhecer suas causas e combatê-las).
Primeiramente, devemos distinguir os tratamentos
alternativos das alternativas espiritualmente perigosas, muito em moda hoje em
dia. A maioria dessas alternativas, bastante veiculadas pela mídia, está
altamente comprometida com a holística.
Ao falarmos em qualquer tipo de tratamento, não podemos nos esquecer de que,
seja qual for ele, a automedicação não é aconselhada. É muito comum
encontrarmos por aí consultores sem nenhuma formação ou habilitação
profissional atuando como conselheiros ou terapeutas. O que pode ser benéfico
para uma pessoa poderá ser inócua ou até mesmo nociva para outra. Portanto, o
cristão que deseja tratar-se através do naturalismo deve primeiro verificar a
fidelidade do proposto pelo medicamento. Também se faz necessário conhecer as
credenciais dos consultores naturalistas.
Tratamentos alternativos reconhecidos
Alguns tratamentos são plenamente reconhecidos pelos órgãos governamentais de saúde. Outros, no entanto, ainda estão sendo pesquisados. A AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira) lançou um informativo sobre a aceitação e o uso do público brasileiro dos tratamentos alternativos. O mesmo documento alerta quanto à carência de profissionais formados nessa área. Alguns dos tratamentos alternativos reconhecidos são: a homeopatia, a fitoterapia, a naturopatia, a quiropatia e a acupuntura. Contudo, verificamos que existe a tendência para a administração holística de tais tratamentos. É neste ponto que esbarramos com conceitos que nós, os cristãos, não aceitamos.
As terapias alternativas apresentaram um grande crescimento a partir da década de 70. Desde então têm-se popularizado. A porcentagem daqueles que conhecem e usam medicações alternativas tem aumentado cerca de 2% a 3% ao ano, segundo pesquisa feita entre 1000 entrevistados.
Na pesquisa feita entre os usuários das terapêuticas alternativas encontra-se um demonstrativo sobre os ramos terapêuticos mais utilizados. Cerca de mil pessoas foram questio-nadas a respeito da forma alternativa de sua opção. Resultado: 56,2% usam a homeopatia; 26,2% a fitoterapia e 17,6% a acupuntura. Novas formas de tratamentos estão sendo descobertas. A disputa entre o sistema alopático e o homeopático demonstra que o naturalismo vem ganhando espaço.
Qual a eficiência de tais
tratamentos? Um grupo de usuários de diversos ramos da terapêutica
alterna-tiva apresentou suas conclusões. Cerca de 92% informaram que estavam
otimistas, ou pelo menos satisfeitos, com a eficácia dos tratamentos
alternativos. Um dos motivos mais apreciados pelos usuári-os é a quase
inexistente agressividade desses tratamentos. Apenas 1,4% registrou que eles não
foram eficazes e outro grupo de 1,4% informou que o tratamento foi negativo. O
uso de plantas medicinais conta, ainda que com restrições, com o apoio científico.
Como tais plantas são selecionadas e que critério é usado? Inicialmente, a
sabedoria popular é a responsável pela sugestão de uso de diversas plantas e
pela maneira como devem ser utilizadas. Às vezes, a mesma planta é citada para
algumas doenças ou para todas. Excluindo os excessos, podemos encontrar muitas
utilizações realmente eficazes. Em 1982, a CEME (antiga Central de
Medicamentos) implantou um programa para pesquisar as plantas de uso popular em
solo brasileiro. Objetivo? Estudar possíveis substâncias ativas que servissem
para preparados fitoterápicos científicos. Novamente, a sabedoria popular, o
receituário do povo, foi o cabedal para selecionar as plantas e ervas
candidatas.
O primeiro passo da pesquisa
foi nominar corretamente as plantas com seu nome latino, para que não ocorresse
o costumeiro erro de se dar o mesmo nome a plantas diferentes, ou nomes
diferentes a plantas iguais, dependendo da região e do nome popular a elas
atribuídos. O segundo passo foi veri-ficar se tais plantas atuariam realmente
nos males que o receituário popular apregoava. Os resultados positivos foram
surpreendentes. Hoje, diversas indústrias farmacêuticas têm oferecido
produtos exclu-sivamente bulados nestas ervas.
Alternativos perigosas
O cristão deve tomar sua decisão pessoal quanto aos ramos mencionados acima. Contudo, quando algo mais está envolvido, o que deve ser feito? Existem muitos remédios aparentes, represen-tativos. Conseqüentemente, não são reconhecidos pelos órgãos competentes de saúde. Observe o pare-cer técnico do Ministério da Saúde (Vigilância Sanitária) sobre as essências florais:
Parecer técnico do Ministério da Saúde (Vigilância
Sanitária) sobre as essências florais
Respondendo ofício nº 01/98, referente a essências vibracionais, informo que
as essências flo-rais, tais como apresentadas pelos Sindicatos e Associações
Produtoras, não constituem matéria sub-metida ao regime de vigilância sanitária,
a teor da Lei nº 6360, de 23.09.76 e seus regulamentos, não se tratando de
medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. Tal fato não exime, no entanto,
a responsabilidade das empresas pela produção e comercialização dessas substâncias
dentro dos pa-drões de qualidade adequados ao consumo da população. Neste
sentido, na comercialização e venda dessas substâncias não podem ser
apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou
curativas, induzindo o consumidor ao erro ou à confusão (Brasília, 23 de
outubro de 1998. Ofício SVS/GABIN/ Nº 479/98).
O Ministério da Saúde não reconheceu as essências vibracionais como
medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. E alertou que às suas apresentações
(ou seja, seus rótulos e propagandas) não fossem atribuídas indicações
terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas.
Se tais essências não ocupam espaço farmacêutico ou homeopático, como elas
devem ser con-sideradas pelos cristãos? Devemos, então, antes de mais nada,
verificar a origem da eficácia atribuída aos florais.
Muitas alternativas estão sendo acopladas aos tratamentos alternativos. Qual é
a bula dessas alternativas? Em muitos segmentos encontramos a visão holística.
Devemos nos lembrar, portanto, que a visão holística pode ser encontrada nos
tratamentos legítimos. Nestes casos, é bom excluir o elemento holístico. Isso
não afetará o tratamento. Por outro lado, se o tratamento tiver apenas
repre-sentação das perspectivas holísticas, ele deve ser totalmente
rejeitado.
Um exemplo de tratamento representativo da visão holística
são os florais de Bach. O próprio dr. Bach disse: A ação destes remédios
consiste em elevar nossas vibrações e abrir nossos canais para a recepção do
'eu espiritual', inundar nossa natureza com a virtude particular de que
precisamos e em expurgar de nós o erro que causa o mal (...). Eles curam, não
combatendo a doença, mas inundando nosso corpo com as sublimes vibrações de
nossa Natureza Superior, em cuja presença a enfermidade se dissolve como a neve
à luz do sol. Não existe cura autêntica, a menos que exista uma mudança de
perspectiva, uma serenidade mental e uma felicidade interna. Informações que vêm
na bula de alguns florais de Bach.
O dr. Edward Bach nasceu em 24 de setembro de 1886, em
esely, um vilarejo próximo de Birmingham, Inglaterra. Aos 17 anos alistou-se no
corpo de Cavalaria de Worcestershire, onde começou a interessar-se por
tratamentos alternativos.
Logomarca oficial das essências florais de Bach. A assinatura é original A
composição desses florais não representa riscos aos usuários, geralmente é
feita de água mineral, conhaque de uvas, arbustos ou árvores silvestres.
Administrados em doses pequenas, cerca de quatro gotas, não fazem mal, mas também
não são eficazes, conforme parecer do Ministério da Saúde: não podem ser
apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou
curativas, induzindo o consumidor ao erro ou à confusão. Se as composições
desses florais são ineficazes, por que devemos considerá-los?
Tratamentos holísticos
Entramos, agora, em uma nova
modalidade: os tratamentos holísticos. A visão desse trata-mento é alcançar
o homem como um todo: espírito, alma e corpo. É a sua espiritualização. A
medicina moderna tem dado um salto de fé no escuro em direção ao misticismo.
De fato, a nova preocupação da medicina com o espírito do homem surgiu através
da surpreendente transformação da sociedade oci-dental. Essa mudança ocorreu
quando os ocidentais decidiram aceitar o misticismo oriental.
Muitas pessoas, por usarem palavras como Deus, Cristo, espírito e alma são
consideradas simpáticas ao cristianismo. Todavia, não devemos nos confundir.
Obviamente que alma, espírito, Deus e Cristo não são termos científicos ou
medicinais, mas, sim, religiosos. Aqueles que lançam mão de tais palavras
certamente têm o seu próprio conceito a respeito do significado delas, e isso
refletirá no seu modo de vida
Ficaremos estarrecidos se voltarmos nossa atenção para os conceitos defendidos
pelos profis-sionais holísticos. Por exemplo, o psicólogo Jack Gibb foi bem
claro ao dizer: A pressuposição abso-luta que muitos de nós estamos adotando
no Movimento de Saúde Holística é que todas as coisas ne-cessárias à criação
da minha vida se acham em mim... Eu creio que sou Deus, e creio que você tam-bém
é...
O conceito holístico poderia ser expresso assim: a visão de que o todo não se
explica fora de suas partes e estas não podem ser compreendidas fora do todo. A
visão holística tem integrado áreas do conhecimento de forma abrangente,
ultrapassando as fronteiras religiosas. Absorvem conceitos de todas as religiões
e cultos, buscando a verdade em sua essência. O homem deve ser tratado como um
todo, nele mesmo e através da natureza. Logo, o bem-estar espiritual do homem
depende de seu equi-líbrio com a natureza.
A cor, a forma e o aroma das flores veiculam o espírito da natureza. Esse dom,
alegam, pode ser adquirido pela absorção de algumas gotas do florais. São
dezenas de essências florais. E cada uma delas é aplicada conforme suas
atribuições. Ao escolher aquela que corresponde à sua necessidade espiritual,
o usuário alcançará o reequilíbrio emocional.
Tais conceitos afirmam que estamos em um universo onde as forças impessoais estão
em constante luta. Trata-se do bem e do mal, da luz e das trevas. Longe de
qualquer vitória entre essas forças, os adeptos do conceito holístico afirmam
que precisamos equilibrá-las, pois elas são essenciais ao universo. Tais
conceitos estão longe do que a Palavra de Deus ensina. Os tratamentos
representativos estão impregnados pela filosofia ocultista. Conseqüentemente,
esses conceitos afetam a comunhão com Deus. Em virtude desses tratamentos, o
ocultismo está se popularizando cada vez mais. Como servos de Cristo, devemos
discernir entre o natural e o místico. E, para isso, não podemos nos deixar
enganar pelas aparências.
Talvez alguém seja realmente curada ao fazer uso de algumas raízes ou folhas.
Erram, por-tanto, quando adicionam misticismo ao elemento natural. Como cristãos,
o que devemos fazer a res-peito? Excluir o místico e usufruir apenas do
natural. Um exemplo do que estamos falando é o uso da folha de arruda atrás da
orelha, simpatia atribuída ao natural, o que significa adesão ao misticismo idólatra.
O servo de Deus deve rejeitar isso.