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Tipos de doutrina herética  

por Dr. Paulo Romeiro - sáb fev 28, 12:03 am

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Aplicando o princípio da autoridade bíblica, examinaremos agora a Bíblia. Que tipos de doutrina herética são discutidos na Bíblia? Contra que doutrinas heréticas a Bíblia nos adverte? A Bíblia freqüentemente faz referência a falsas doutrinas e é quase sempre dentro de um contexto de refutação da heresia que as Escrituras apresentam seu material doutrinário.

O Antigo Testamento contém sérias advertências contra aqueles que profetizam ou proclamam ensinamentos no nome de qualquer deus que não seja o SENHOR (Dt. 13:1-5; 18:20-22). Esse é o contexto das instruções com relação à heresia no Novo Testamento. Nele há avisos sobre falsos profetas (Mt. 24:11, 24; 2 Pe. 2:1) – ou seja, aqueles que fazem predições falsas no nome de Deus (cf. Dt. 18:22). Há também avisos sobre falsos apóstolos (2 Co. 11:13). Há advertências sobre aqueles que alegam ser Cristo, ou que alegam que Cristo já retornou, ou que o dia do Senhor já tenha vindo, ou que a ressurreição já tenha ocorrido – porque tais eventos serão tão óbvios que não passarão despercebidos a ninguém (Mt. 24:5, 23-27; 2 Ts. 2:1-2; 2 Tm. 2:16-18). Há ainda avisos sobre aqueles que pregam outro Jesus, ou outro evangelho, ou outro espírito que não seja o Espírito de Deus (1 Cr. 15:3-5; 2 Cr. 11:4; Gl. 1:6-9). O ensinamento de que a circuncisão ou obediência à lei são necessárias para a salvação é condenado (Gl. 5:2-4; Fm. 3:2). Por outro lado, o ensinamento de que nossa liberdade em Cristo é licença para a libertinagem também é condenado (Jd. 4).

Os Nove Inimigos da Verdade

  • Falsos evangelhos – 2 Co. 11:4; Gl. 1:6-9
  • Falsas doutrinas – Rm. 16:17; 1 Tm. 1:3
  • Falsos milagres – Mt. 24:24; 2 Ts. 2:9
  • Falsos deuses – Dt. 13:2; 2 Ts. 2:4
  • Falsos cristos – Mt. 24:24; 2 Co. 11:4
  • Falsos espíritos – 2 Co. 11:4; 1 Jo. 4:1-2
  • Falsos profetas – Mt. 24:24; 2 Pe. 2:1
  • Falsos apóstolos – 2 Co. 11:13; Ap. 2:2
  • Falsos mestres – 1 Tm. 1:7; 2 Pet. 2:1

Negar que Jesus tenha vindo em carne é visto como ensino do espírito do anticristo (1 Jo. 4:1-6). Há também advertências sobre pessoas que causam dissensões ao ensinarem doutrinas diretamente opostas ao que os cristãos já reconhecem como verdade (Rm. 16:17; Tt 3:10-11). Há ainda advertências sobre aqueles que dizem amar a Deus, mas que não amam o povo de Deus (1 Jo. 4:20; 5:1) e deliberadamente se desligam da Igreja com base em seus erros (1 Jo. 2:19). Finalmente, há advertências sobre se acrescentar ou retirar qualquer coisa das Escrituras (Ap. 22:18-19) e sobre distorcê-las (2 Pe. 3:16).

Ao analisar as advertências das Escrituras, podemos classificar heresias em seis categorias principais:

(1) Heresias sobre revelação – ensinamentos que distorcem, negam, ou adicionam às Escrituras de uma maneira que leva as pessoas à destruição; falsas alegações de apostolado ou autoridade profética.

(2) Heresias sobre Deus – ensinamentos que promovem falsos deuses ou distorções idólatras do Deus verdadeiro.

(3) Heresias sobre Cristo – negações de sua autoridade única, sua humanidade genuína e sua verdadeira identidade.

(4) Heresias sobre a salvação – ensinamentos legalistas ou licenciosos, negação do evangelho da morte e ressurreição de Cristo, etc.

(5) Heresias sobre a Igreja – tentativas deliberadas de desviar pessoas da comunhão com verdadeiros cristãos ou até mesmo rejeição completa da Igreja.

(6) Heresias sobre o futuro – falsas profecias que supostamente vieram de Deus, asserções de que o retorno de Cristo já ocorreu, etc.

Note que os erros em cada uma dessas seis categorias tendem a introduzir erros nas outras cinco. Veja, por exemplo, o ensinamento herético, o qual muitos grupos aceitam, de que a Igreja (5) se tornou completamente apóstata nos seus primeiros séculos, e que agora, nos últimos dias, ela teve de ser “restaurada”. Tal doutrina sugere que (1) as Escrituras não são revelação suficiente, mas precisam ser complementadas ou explicadas por algum mestre ou publicação que tenha autoridade para isso. Quase sempre isso serve de base para a rejeição dos ensinamentos da igreja primitiva sobre (2) Deus e (3) Cristo. Já que a Reforma protestante também é rejeitada, por ser considerada como tendo sido insuficiente para operar a restauração necessária, (4) a doutrina da salvação somente pela fé também é rejeitada. Tal doutrina de restauração eventualmente domina os ensinamentos desses grupos sobre o (6) futuro, porque requer que eles próprios sejam considerados como o cumprimento das profecias sobre o futuro.

Podemos ver então que um erro em qualquer área da doutrina pode afetar todas as outras áreas. Portanto, ainda que as heresias tendam a recair sobre uma ou mais dessas seis áreas principais, elas podem de fato ocorrer em qualquer assunto doutrinário. Por exemplo, alguém que ensine que os anjos devem ser adorados está ensinando heresia (Cl. 2:18), ainda que o assunto seja anjos, e que isso aparentemente não se enquadre nas seis áreas acima. Isto porque a adoração a qualquer criatura se opõe a toda confissão de Deus como sendo o Deus único.

Não se deve, ainda, presumir que o Novo Testamento nos dá um catálogo completo de todas as heresias possíveis. Nos nossos dias há literalmente milhares de distorções sutis da teologia cristã que devem ser consideradas heresias, e isso sem que haja uma antecipação explícita e exata na Bíblia sobre sua existência.A Bíblia nos ensina o que é absolutamente essencial, nos dá princípios para que determinemos tanto o que é básico à verdadeira fé cristã como o que não é essencial, e nos provêm com uma variedade de exemplos de heresias. Assim, os ensinamentos bíblicos pressupõem que exerceremos discernimento ao avaliar ensinamentos novos e controvertidos quando eles aparecem.

Além disso, os hereges modernos que rejeitam o Antigo Testamento raramente são tão francos quanto Marcion, herege do segundo século que negou que o Antigo Testamento fosse Escritura em qualquer sentido (além de ter rejeitado também boa parte do Novo Testamento). Os hereges modernos, ao contrário, adotam um sistema interpretativo no qual, ainda que formalmente reconheçam que a Bíblia é a Palavra de Deus, na prática fazem com que o Antigo Testamento seja irrelevante para povo de Deus, o que é contrário ao pleno ensinamento do Novo Testamento (Rm. 15:4; 2 Tm. 3:16).

Em resumo, heresia é qualquer ensinamento que a Bíblia explicitamente condene como sendo erro destrutivo e capaz de trazer perdição eterna, ou que a Bíblia ensine que não deva ser tolerado na Igreja, ou ainda que, apesar de não ser mencionado na Bíblia, contradiga as verdades que ela ensine serem essenciais para a verdadeira fé cristã.

Ensinamentos aberrantes também podem ser avaliados pelas seis categorias mencionadas acima. Em cada caso, a doutrina aberrante comprometerá os ensinamentos básicos da Bíblia em uma ou mais dessas seis áreas, ainda que não a neguem explicitamente.

Por exemplo, a especulação sobre a data precisa da volta de Cristo pode ser uma aberração que por pouco não se torna heresia. Tal prática certamente não é bíblica e, no contexto de sistemas heréticos de doutrina, ela pode ser considerada heresia. Em alguns casos, porém, alguns mestres têm feito afirmações mais contidas; por exemplo, de que Cristo pode voltar numa determinada data, mas já que não há absoluta certeza, a obediência à Palavra de Deus deve ser enfatizada ainda mais. Até mesmo esse tipo de ensinamento, ainda que não seja heresia, deve ser considerado aberrante, porque ignora as advertências bíblicas de que não se devem fazer predições nesse sentido.

Extraído do livro “MANUAL PRÁTICO DE DISCERNIMENTO E DA DEFESA DA FÉ”, apresentado por Agência de Informações Religiosas (AGIR) e Centers for Apologetics Research (CFAR)


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