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TJs: O mito de 1914

por Pr. Natanael Rinaldi - ter maio 17, 9:33 am

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O mito que o reino de Deus começou no céu em 1914

Os clamores proféticos e interpretações bíblicas das Testemunhas de Jeová (TJs), sobre a segunda vinda (presença) de Cristo em 1914, não tem sido bem examinada e refutada. Daí, o presente estudo, baseado no artigo escrito por Luiz Alberto Aragon, sob o título “El Fraude del Reino de Dios que Começou no Céu em 1914″.

A Sociedade Torre de Vigia, no livro “A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, p. 13 § 5 ensina:

“Precisamos examinar o que nós mesmos cremos, mas tambémo que é ensinado pela organização religiosa com que talvez associemos. Estão os seus ensinos emplena harmonia com a Palavra de Deus? Se amarmos a verdade não precisamos temer tal exame. Cada um de nós deve ter o desejo sincero de aprender a vontade de Deus para nós e depois fazê-la – João 8:32”.

Se o leitor é uma Testemunha de Jeová, ou está estudando com elas, demonstrará que é um genuíno estudante da verdade, e a ama realmente, pelo seu cuidadoso exame do que tem aprendido das publicações delas, em confronto com o presente trabalho, pois que “se amarmos a verdade, não precisamos temer tal exame”.

O QUE SIGNIFICA 1914 PARA AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

O ano 1914 é uma data chave, pois a maior parte de sua doutrina e autoridade religiosa repousa sobre ele. Hoje, as crenças doutrinárias apoiadas na data de 1914 são as seguintes:

  1. QUE em 1914, invisível aos olhos humanos, ocorreu a segunda vinda (presença) de Jesus no reino;
  2. QUE Cristo, na sua volta em 1914, investido do poder do Reino, encontrou uma classe de “escravo fiel e discreto” que provia “alimento”, composto dos remanescentes dos seus 144 mil irmãos;
  3. QUE desde 1914 milhões de pessoas têm aceitado o “alimento” que eles proveem e, junto com eles, têm deixado de praticar a verdadeira religião;
  4. QUE a geração que vivia em 1914, e tinha idade suficiente para perceber os eventos que ocorreram naquele ano, não morrerão até que vejam a mudança do atual sistema de coisas;
  5. QUE 1914 marcou os “últimos dias” ou ”o tempo do fim” do qual fala a profecia bíblica (2Timóteo 3.1; Daniel 11.40), um período limitado de tempo, com um princípio definido e um fim definido;
  6. QUE três anos e meio depois de 1914, isto é, em 1918, se deu a primeira ressurreição dos cristãos que estavam dormindo desde o Pentecostes, e daí passaram a reinar com Cristo no céu;
  7. QUE desde 1914, até o final dos tempos “a colheita” está em progresso, resultando disso que a humanidade está sendo dividida em duas classes: a das “ovelhas” e a dos “bodes”, com salvação ou destruição no Armagedom;
  8. QUE 1914 marcou o “fim dos tempos dos gentios” ou o “tempo designado das nações” de que falou Jesus em Lucas 21.24.

Uma a vez que temos evidências em nosso poder, decidimos levar a público o dilema em que está envolta a Sociedade Torre de Vigia, mostrando através desta publicação, de forma terminante, que o reino que começou em 1914 é um mito, próprio do pai da mentira” (João 8.44), que está escravizando milhões de pessoas na mais abjeta escravidão, de porta em porta, que devotam milhões de horas anualmente pregando um “evangelho” do reino de Deus que teve início no céu em 1914.

Entretanto, o que poucas TJs sabem é que durante cerca de 50 anos, isto é, de 1º de julho de 1906 até 15 de setembro de 1928, a revista “Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo” (hoje A Sentinela) marcou diferentes datas para cada um dos acontecimentos alinhados na página anterior, e que só o fracasso profético de todas as esperanças antigas é que levou a Sociedade Torre de Vigia a assinalar novas datas para o cumprimento das profecias.

“É verdade que o redator e editor da Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Deus calculou que a “presença” ou parousia do Noivo celestial tivesse começado no ano de 1874 E.C. Também, que a data da criação do primeiro homem por Jeová Deus tivesse sido o ano 4128 A.E.C. o que significava que os seis mil anos da existência do homem na terra terminaram no ano 1872 E.C., conforme calculado por Russell e seus associados . Este cálculo começou a ser anunciado na primeira página da Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo a partir do número de 1 de julho de 1906, e este costume continuou até o número de 15 de setembro de 1928”.   Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, p. 206 § 48.

1914 – ANTECEDENTES, ORIGEM E FRACASSOS

  1. a) Antecedentes

Comecemos dizendo que, em 1876, Charles Taze Russell, obteve por casualidade uma revista publicada por um Adventista por nome N. H. Barbour, o qual, tratando de justificar o fracasso profético de 1874 (ano no qual Cristo voltaria visivelmente e o mundo seria consumido pelo fogo) começou a dizer depois, que na realidade Jesus havia voltado, porém invisivelmente:

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Los Testigos de Jehová En El Propósito Divino, p. 18 § 15.

Cabe apontar aqui uma declaração feita pela Sociedade Torre de Vigia:

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A explicação dada por Barbour entusiasmou grandemente C. T. Russell, que também estava a favor do ensino da invisibilidade de Cristo, por ocasião da sua segunda vinda. Portanto, Russell se interessou pela cronologia apresentada por N. H. Barbour e se uniu a ele posteriormente:

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  1. b) Origem

Comecemos a ver, efetivamente, como foi que apareceu o mito do ano 1914, que segundo a Sociedade Torre de Vigia seria “o tempo de Deus chegou para Cristo voltar e começar a dominar” (Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p. 147 § 16). Isto é necessário saber porque, ainda de acordo com a Sociedade: “este é o ensino central da verdadeira organização cristã de Deus” e “o Reino deve ser a principal mensagem do povo de Deus hoje” e mais: “a não ser as Testemunhas de Jeová, não falaram com você a respeito do Reino de Deus”.

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Notemos, por favor, até aqui, que na realidade o que se buscou foi a justificativa para um fracasso profético Adventista. Esta justificativa não teve mais remédio que ser parcial, posto que não puderam dizer esses senhores que havia ocorrido “invisivelmente” o fim do mundo em 1874, porquanto o mundo ainda permanecia intacto para desmenti-los.

Chegado o ano de 1877, C. T. Russell e N. H. Barbour decidiram escrever um livro ao qual deram o nome de TRÊS MUNDOS (Revelação – Seu Grandioso Climax Está Próximo, p. 105) no qual reconheciam que o fim do período não interrompido do governo da terra por Satanás, chamado os “tempos dos gentios”, terminaria em 1914.

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Isto significava para C. T. Russell que “o término final dos tempos deste mundo e o estabelecimento completo do reino de Deus” se daria em 1914:

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Também significava, logicamente, que se chegaria à “monstruosa batalha do Armagedom”:

“O ano de 1884 foi especial por vários motivos. É interessante que o livro de História “The People´s Chronology” (A Cronologia do Povo) traz duas referências significativas daquele ano. A primeira delas declara: A máquina de composição Linotype, patenteada pelo mecânic teuto-americano Ottmar Mergenthaler, de 30 anos, revolucionará as salas de composição dos jornais. A segunda é: A Watch Tower Bible and Tract Society foi fundada por Charles Taze Russell… prega que o mundo está à beira da aniquilação numa monstruosa batalha do Armagedom”.  Despertai!, 08/03/1985, p. 5.

Ou, mais claramente falando, para C. T. Russell chegaria o “fim do mundo” em 1914:

“Naquele ano o restante dos israelitas espirituais distribuíram nos Estados Unidos da América do Norte e no Canadá mais de dez milhões de exemplares do tratado “Mensário dos Estudantes da Bíblia”, volume 6, número 1, com o artigo “Fim do Mundo em 1914” e esta distribuição foi seguida pelo volume 6, número 5, tratando do assunto “Angústia das Nações Precede o Armagedom” e a causa da ira de Deus – o aspecto profético da atual guerra europeia e a sua relação com o Tempo da Grande Tribulação”.

Santificado Seja o Teu Nome, p. 306 § 33.

Por conseguinte, chegaria para C. T. Russell e seus seguidores (conhecidos como Estudantes Internacionais da Bíblia), o fim do trabalho de pregação e a correspondente glorificação dos santos:

“EXPECTATIVAS – Durante a Primeira Guerra Mundial, o pequeno grupo de irmãos italianos passou por um período de provas e purificação semelhante ao que ocorreu em outras partes do mundo. Em 1914, alguns Estudantes da Bíblia, como eram então chamadas as Testemunhas de Jeová, esperavam ser arrebatados nas nuvens paras encontrar com o Senhor no ar, e criam que seu trabalho terreno de pregação havia chegado ao fim (1 Tes. 4:17). Um relato ainda existente diz: Um dia, alguns deles foram para um lugar isolado a fim de esperar o evento ocorrer. Entretanto, quando nada aconteceu, foram obrigados a voltar novamente para casa num estado mental bem deprimido. Como resultado, muitos destes caíram da fé.

Cerca de 15 pessoas permaneceram fieis, continuando a frequentar as reuniões e a estudar as publicações da Sociedade. Comentando sobre esse período, o irmão Remigio Cuminetti disse: Em vez da esperada coroa de glória, recebemos um excelente par de botas para realizar a obra da pregação”.   Anuário das Testemunhas de Jeová, 1983 – grifo nosso.

“Há um irmão pioneiro, que ainda serve no sul da Nova Zelândia, com oitenta e sete anos de idade, e sua fiel esposa pioneira é até mesmo alguns anos mais velha. Vendeu seus negócios em 1914, de modo que pudesse aproveitar pelo menos alguns meses do serviço de “colportor” pioneiro antes de se dar o grande desastre esperado no outono (hemisfério norte) daquele ano. Ele gosta muito de citar Jeremias 20:7: “Tu me enganaste, ó Jeová, de modo que fui enganado”. A Sentinela, 01/09/1967, p. 534 § 26 – grifo nosso.

Observe-se atentamente, que estas confissões são feitas pela mesma Sociedade Torre de Vigia e que se encontram disseminadas em diferentes partes de sua literatura. Indicamos mais uma confissão que deve ser lida em confronto com as duas acima:

“É verdade, houve aqueles que, em tempos passados, predisseram um “fim do mundo”, até mesmo anunciando uma data específica. Alguns ajuntaram grupos de pessoas a eles e fugiram para as colinas ou se retiraram para suas casas, aguardando o fim. Todavia, nada aconteceu() o fim não veio. Eram culpados de profetizar falsamente. Por que? () que estava faltando? Faltava a plena medida de evidência exigida em cumprimento da profecia bíblica. O que tais pessoas não tinham era as verdades de Deus e a evidência de que Ele as guiava e usava”.  Despertai!, 22/04/1969.

Era 1914, todos que criam nos escritos de C. T. Russell esperavam a glorificação, tal qual esperava ele. É verdade que a Sociedade Torre de Vigia procura minimizar tais profecias falsas, sob a alegação da imperfeição humana e da “demasiada ansiedade” de ver cumpridos os propósitos de Deus (A Sentinela de 01/09/1985, p. 24 § 14). Entretanto, a situação é muito mais grave quando se trata de uma Organização que reivindica a condição de único canal de comunicação de Deus como os homens, e que vem fazendo profecias falsas sobre o Armagedom, apontando datas como 1914, 1925, 1941 e 1975, levando milhões de pessoas a crer em suas profecias falsas, sob pena de desassociação (Deuteronômio 18.20-22; Mateus 7.13-15).

“Charles Taze Russel, que desde 1884 a 1916 foi presidente da Watch Tower Bible & Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados), não procurou estabelecer uma seita religiossa entre os membros da Sociedade e os membros da organização congênere, a International Bible Students Association (Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia). Antes, esperava a glorificação celestial da verdadeira congregação cristã por volta do fim dos “tempos dos gentios” em 194. (Lucas 21:24 Al)”. Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus, p. 110 § 15.

Finalmente, para C. T. Russell tudo isto daria ocasião ao reino milenar de Deus por mãos do seu glorificado Filho, Jesus Cristo:

“Desde o ano de 1876, aqueles que ficaram associados com a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia haviam proclamado publicamente que os tempos dos gentios terminariam no começo de outono (setentrional) de 1914. Por conseguinte, avisaram o mundo inteiro sobre a destruição daquelas nações gentias, a fim de abrir caminho para o reino milenar de Deus nas mãos de Seu glorioso Filho Jesus Cristo”.             O Reino de Deus – Nosso Iminente Governo Mundial, p. 131 § 22.

Destacamos que este estabelecimento do reino de Deus em 1914 não seria de maneira nenhuma parcial, mas pleno. Repetimos C. T. Russell e seus seguidores:

“Já há tanto tempo atrás como em 1877 E.C., havia os que apontavam para o fim dos Tempos dos Gentios em 1914 e que davam amplo testemunho a respeito do pleno estabelecimento do reino messiânico de Deus ocorrer naquele tempo”. Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus, p. 310 § 38.

  1. c) Fracassos

Por acaso ocorreu algo, de tudo que foi profetizado e esperado para o ano de 1914? Não ocorreu nada, porque C. T. Russell foi um falso profeta. Ele tinha que vigiar sobre suas palavras: e seus feitos, porque as pessoas que afirmam amar a Deus e a Jesus Cristo vigiam sobre o que dizem e fazem (Deuteronômio 18 20-22; Jeremias 14.14; Ezequiel 13.1-10).

Decididamente, não ocorreu nada do que foi profetizado, ou seja:

  1. Não ocorreu a glorificação celestial;
  2. Não ocorreu a ‘terrífica’ Batalha do Armagedom, com a destruição completa de todos os governos da terra;
  3. Não ocorreu a segunda vinda de Cristo (a data foi mudada de 1874 para 1914);
  4. Não ocorreu o inicio do reino milenar de Cristo.

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Tradução: “Houve uma medida de desapontamento da parte dos fieis de Jeová na terra, concernente aos anos de 1914, 1918 e 1925, cujo desapontamento durou algum tempo”.

Repetimos: Nada, absolutamente nada disto ocorreu em 1874, 1878, 1914 e 1918. E, se nada se cumpriu, isto se deu porque teve por ponto de partida uma profecia falsa dos Adventistas em 1874 (N. H. Barbour), que já tinham falhado com profecias sobre a vinda de Jesus para 1843, 1844 e 1873:

  1. T. RUSSELL REALMENTE PROFETIZOU A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL?

É importante mencionar aqui, que os Estudantes Internacionais da Bíblia fixavam o mês de outubro (dentro do ano de 1914) como o mês em que se efetuaria a explosão do Armagedom. Com o início da 1ª Guerra Mundial em julho, e vindo o mês de outubro, as Testemunhas de Jeová começaram a afirmar que elas haviam profetizado a 1ª Guerra Mundial, quando, na verdade, o que haviam profetizado era a destruição de todos os governos da terra por intervenção divina:

“Dessemelhante das guerra dos homens, que matam tanto os bons como os maus, o Armagedom destruirá apenas os maus.” …Após o Armagedom, nenhuma parte deste mundo iníquo sobrará”      Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p.155″ § 2,3.

Vamos às provas:

“Durante a Primeira Guerra Mundial, estudantes dedicadas da Bíblia estavam inclinados a pensar que este conflito levaria progressivamente à batalha do Armagedon, predita em Apocalipse 16:13-16”. Vida Eterna – Na Liberdade dos Filhos de Deus, p. 358,§ 31.

“O horrível irrompimento da guerra na Europa tem cumprido uma profecia extraordinária. No último quarto de s[eculo, por meio de pregadores e pela imprensa, os Estudantes Internacionais da Bíblia, melhor conhecidos como profetizado Auroristas do Milênio, têm proclamado ao mundo que o Dia da Ira profetizado na Bíblia amanheceria em 1914.”Olhem bem para 1914” – tem sido o brado de centenas de evangelistas viajantes. – The World, jornal de Nova Iorque, 30/08/1914”. Revelação, p. 105.

Embora assim afirmem, tal declaração é inteiramente falsa, não podendo ser encontrada em qualquer livro escrito por C.T. Russell, antes de 1914, qualquer declaração nesse sentido. O que Russell realmente escreveu foi:

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The Time Is at Hand, vol. II, p. 101 ed. 1901.

Tradução: “A Batalha do Armagedom (Rev. 16.14), que terminará em 1914 A. D. através da destruição completa do atual governo da terra, ja tem sido iniciada”.

A característica da Batalha do Armagedom é dada na seguinte declaração:

“Haverá grande terror no Armagedon. “Toda espécie de terror” será usada para destruir este velho mundo — aguaceiros, chuvas inundantes, enchentes, terremotos, gigantescas pedras de saraiva e chuva de fogo. Haverá terror na terra, terror no mar e terror no ar”. Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 207 § 23 – grifo nosso.

Quando precisamente teve início a 1ª Guerra Mundial?

“Houve resposta às orações deles ? Não! Ocorreu em 28 de junho um assassinato de significância internacional. Deu-se então a mobilização dos exércitos; e em 28 de julho de 1914 irrompeu a guerra na cristandade. Santificado seja o Teu Nome, p.3o5 § 32.

Quando terminou o “tempo dos gentios” ou “tempo designado das nações”?

“Não só isso, mas, a partir de aproximadamente 1º de outubro de 1914, o rei do norte teve de enfrentar também o reino restaurado de Jeová Deus, governando nos céus, para a dominação universal”. Santificado Seja o Teu Nome”, p. 251 § 15 – grifo nosso.

Logo, é impossível que a 1ª Guerra Mundial haja sido fomentada pelo Diabo em desafio à entronização de Cristo como Rei em 1º de outubro de 1914. Nesse tempo ele estava iniciando a guerra no céu contra “Miguel-e seus anjos”. Quando finalmente derrotado e expulso à terra, a guerra já estava em pleno desenvolvimento desde 28 de julho de 1914. O Diabo nada mais teria a fazer. Se a 1ª Guerra Mundial foi fomentada pelo Diabo para prejudicar a proclamação do Reino, como se explica que em 1914, e mesmo anos depois, o “escravo fiel e discreto” não sabia que naquele ano o Reino fora estabelecido no céu?

“Em 1925 surgiu a revelação, mediante as Escrituras, de que o capítulo doze de O Apocalipse se aplicava ao nascimento do reino de Deus em 1914, e que, logo em seguida ao seu nascimento, a ala invisível de Babilônia, constituída de Satanás e seus anjos demoníacos, foi precipitada do céu”.    Que Tem Feito a Religião Pela Humanidade? p.3o5 § 16.

Como se vê, só vieram a tomar conhecimento desse “reino” no ano de 1925. E aqui vemos o quê, segundo a Sociedade Torre de Vigia, Deus mesmo havia profetizado através dela:

“Por vinte e cinco séculos, Deus, mediante os Profetas da Bíblia, vem avisando Seu povo com respeito a esta grande guerra e com respeito ao Armagedom, que é mais terrível e que a seguirá e podemos esperar que Ele inverta seu programa à nossa ordem?

As orações dos milhões que pedem a prosperidade dos alemães e o extermínio dos Aliados, e as orações dos outros milhões em prol do sucesso dos Aliados e da aniquilação dos alemães, e as orações do Papa, do nosso Presidente e de outras boas pessoas, para que esta guerra medonha cesse Imediatamente, não serão respondidas, se lermos corretamente a nossa Bíblia. A guerra prosseguirá e não resultará numa vitória gloriosa de alguma nação, mas na mutilação e empobrecimento horrível de todos. A seguir virá o pavoroso Armagedom de Anarquia”. Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus”,p. 267 § 18.

Como se lê, então, no texto transcrito, que depois da 1ª Guerra Mundial viria o Armagedom, isto se constituiu num verdadeiro fracasso profético (fazendo Deus, por conseguinte, um mentiroso) e diante da evidência (depois veio a 2ª Guerra Mundial), nao tiveram alternativa se não admitir que realmente haviam se equivocado:

“Contrário à expectativa da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, a “batalha do Armagedom” não se seguiu imediatamente após a Primeira Guerra Mundial. Em 11 de novembro de 1918. foi assinado um armistício entre as nações em guerra, contudo, os do restante ungido não haviam sido levados ao céu, mas  haviam sido deixados na terra, em opróbrio…”.  Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus”, p. 276 § 39.

1914- A JUSTIFICATIVA DE UM FRACASSO ATROZ

Apesar de todos os fracassos já apontados, a Sociedade Torre de Vigia procura fazer crer que as profecias a 1914 se cumpriram de uma forma extraordinária, igualando-se em tudo aos Adventistas, que também procuraram justificar suas falsas profecias de 1843, 1844 e 1874 sobre a segunda vinda de Jesus. Antes de ver as provas documentais, através da literatura publicada pela própria Sociedade Torre de Vigia, é conveniente explicar a razão porque assim procedem:

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A Sentinela, 01/05/1963, p. 278.

Agora, vamos às provas:

“A matéria para leitura, publicada pelas testemunhas, era diferente da de todas as outras religiões. Por quê? Porque as testemunhas diziam que o ano de 1914 seria de importância mundial. No número de março de 1880, da revista “A Sentinela” em inglês, disseram: “Os Tempos dos Gentios estendem-se até 1914, e o reino celestial não dominará plenamente até então”. Dentre todas as pessoas, apenas as testemunhas apontavam para 1914 como o ano em que o reino de Deus seria plenamente estabeIecido no céu”.

Do Paraíso Perdido ao paraíso Recuperado, p. 170 § 10 – grifo nosso.

Comparemos,agora, com o que C. T. Russell realmente escreveu:

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Tradução parcial: “PRIMEIRAMENTE, a data para o Reino de Deus pelo qual nosso Senhor ensinou a orar, dizendo “Venha o teu Reino” obterá completo, total controle universal, e será firmemente estabelecido na terra, sobre as ruínas das presentes instituições” (grifo nosso).

Observe o leitor que a expressão “no céu”, que lemos no livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 170 § 10 (acima), é uma adulteração (“apenas as testemunhas apontavam para 1914 como o ano em que o reino de Deus seria plenamente estabelecido no céu”), porque o que Russell disse, como se lê da tradução acima, foi: “a data para o Reino de Deus pelo qual Nosso Senhor ensinou a orar, dizendo “Venha o teu Reino, obterá completo total controle universal e será firmemente estabelecido na terra, sobre as ruínas das presentes instituições.

O Corpo Governante, ou “escravo fiel e discreto”, não tem nada de fiel, e fraudulentamente nunca cita as palavras de C. T. Russell, dizendo que o reino seria estabelecido na terra, trocando assim as expressões “na terra” por “no céu”, e com essa falsificação, procuram converter o fracasso em êxito:

“Como reconheceram os fervorosos es­tudantes da Bíblia, agora conhecidos como Testemunhas de Jeová, com 34 anos de antecedência, que 1914 marcaria tal mudança? Isto se deu porque o “escravo fiel e discreto” (Mateus 24:45-47), composto de cristãos ungidos que servem sob o seu Amo, Jesus Cristo, em harmonia com as palavras de Segunda Pedro 1:19, ‘prestava atenção à palavra profética como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro’. Por meio da profecia de Daniel, capítulo 4, souberam que a derrubada da dinastia do Rei Davi em Jerusalém, que ocorreu em 607 A.E.C., não marcaria para sempre o fim do governo de Jeová na terra”.      A Sentinela, 01/11/1982, p. 15 § 9 – grifo nosso.

“As “dores” preditas para começarem em 1914 irromperam no cenário do mundo com surpreendente repentinidade. E continuam a afligir a humanidade! Fornecem o “sinal” convincente de que 1914 marcou o início da “terminação do sistema de coisas”. A Sentinela, 01/11/1982, p. 15 § 12”.

Não é sem razão que afirmam:

“Como de amiúde se diz: Conte a mentira um número suficiente de vezes, e as pessoas acreditarão nela”.  A Sentinela, 01/10/1982, p. 3.

Estão decididos a repetir, repetir e repetir que “o reino de Deus seria plenamente estabelecido no céu”, até que as Testemunhas de Jeová aceitem tal ideia sem questionar.

1914 – A DEBILIDADE DA SOCIEDADE TORRE DE VIGIA

Colocando na periferia a pregação da importantíssima obra salvífica realizada por Cristo na cruz do Calvário, e colocando o começo do reino de Deus no céu, no ano de 1914, no centro, como sendo o acontecimento mais importante, o que conforme já dissemos não aconteceu no ano de 1914, sendo isso puro mito criado por C. T. Russell, as Testemunhas de Jeová tornam a mensagem falsa e incompreensível. Colocar o centro da mensagem do Evangelho de Cristo (1 Coríntios 15.3 -4) na periferia, como algo secundário, é como mudar o acento em uma palavra onde as letras foram agrupadas de forma diferente. Imagine o leitor estar perdido num deserto, e com muita sede encontrar um cartaz no qual se lê: AN DAMA ISVTNT EPAS SOSEACH ARASA GUA!

Certamente pensará que isso não é português. Talvez seja uma língua africana, que infelizmente não compreende, e assim poderá morrer de sede. Mas, basta o leitor colocar as palavras no seu lugar, de modo certo, e por os devidos acentos, para que esta enigmática mensagem em código se revele como sendo um aviso de importância vital:

ANDA MAIS VINTE PASSOS E ACHARÁS ÁGUA!

Este exemplo, sem muitas palavras, torna claro como é perigoso ajuntar ou separar versículos bíblicos, sem dar atenção ao sentido do contexto onde se acham localizados, ou mudar as verdades bíblicas importantes, para menos importante e estas ainda mal entendidas.

Mas assim procedem as Testemunhas de Jeová. Se fosse apenas ridículo, ainda poderíamos tolerar, mas quem segue as brincadeiras bíblicas de C. T. Russell, J. P. Rutherford, Nathan H. Knorr e atualmente de Frederic Franz sofrerá a morte espiritual eterna (Mateus 25.41-46), porque não achará a fonte da água que jorra para a vida eterna (João 4.14). A maneira pela qual as Testemunhas de Jeová colocam as verdades centrais na periferia é constatada na seguinte citação:

“O próprio destino de Jesus de ser o Messias ou Cristo prova que o seu propósito principal ou primário de vir à terra não foi para resgatar e salvar o gênero humano. Tal salvação de criaturas humanas, ainda que importante aos homens que buscam a vida eterna, é apenas secundário no propósito elevado de Deus. É o propósito de Jeová estabelecer um governo justo, um governo Teocrático, sobre os ombros de seu Filho fiel, e por meio desse governo vindicar o seu nome perante todas as criaturas viventes do universo”. A Verdade Vos Tornará Livres, p. 254.

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Isso contradiz totalmente a Bíblia! Já nas primeiras páginas ela fala do Salvador, que sofreria a morte para acabar com o poder de Satanás (Gênesis 3.15). Isaías informa que os sofrimentos do Messias são suportados em prol dos pecadores (Isaías 53.4-12). Nos Evangelhos é nitidamente declarada a missão redentora de Jesus (João 1.29-36); predita sua condenação e morte violenta (Mateus 16.21 e Marcos 8.31) e a morte de Cristo é aceita, porque por ela se salva o pecador (João 10.11 e 15.13).

Nas últimas páginas, a Bíblia não deixa de falar no Cordeiro que sofreu a morte para nos salvar (não só 144 mil – Apocalipse 5.9-10). Quando Moisés e Elias, os representantes da lei e dos profetas, apareceram falando com Jesus na sua transfiguração, não tinham como assunto os acontecimentos de 1914, mas sim o que para eles foi de máxima importância: a morte salvífica de Jesus em Jerusalém (Lucas 9.31). Igualmente, o coro de muitos anjos somente entoa este hino de louvor: “Digno é o Cordeiro, que foi morto”.

Apesar desse grupo ser composto por seres celestiais, que estão louvando a Jesus pelo que realizou na cruz, somando milhões e milhares de milhares (Apocalipse 5.11-12), as Testemunhas de Jeová não dão nenhuma atenção para eles. Seu interesse está voltado para o mito do reino estabelecido no céu em 1914; os 144 mil co-regentes; a Batalha do Armagedom, quando será vindicado o nome de Jeová; e para as correntes do simbólico tronco de árvore que o rei Nabucodonosor viu em seu sonho. Essas são algumas coisas sobre as quais a Bíblia fala, porém não fazem parte das verdades centrais. A soberania de Deus nunca foi posta em xeque, embora sua soberania não seja reconhecida pela maioria dos homens. Mas Davi falou: “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo”. Disse mais: “O teu reino é um reino eterno; o teu domínio estende-se a todas as geraçoes” (Sl 103.19 e 145.13). Assim, Deus tem exercido sempre o controle da história da humanidade, e os eventos se desenrolam segundo a sua vontade: “E Ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos” (Daniel 2.21). Esta é a lição que Nabucodonozor e os reis antes e depois dele tiveram que aprender (Daniel 4.34-37).

Desde que, para a Sociedade Torre de Vigia, esse reino que começou em 1914 é o fato mais importante para suas vidas, se deduz que se chegarmos a demonstrar-lhes que o fundamento desse reino é absolutamente falso, estaremos demonstrando a elas, por conseguinte, que TUDO O QUE PREGAM HOJE NÃO TEM MAIS SENTIDO E CONSTITUI ALGO TOTALMENTE INFUNDADO, como se discrimina:

  1. O reino
  2. Seus governantes (o escravo fiel e discreto^
  3. A presença invisível de Cristo
  4. Seus pronunciamentos teocráticos e consequentemente obrigatórios para a “grande multidão”;
  5. A ressurreição invisível dos mortos em 1918;
  6. O fim dos “tempos designados das nações”;
  7. -A expulsão de Satanás do céu;
  8. O “tempo do fim” ou “os últimos dias”;
  9. A geração de 1914 que não passará sem ver a mudança do atual sistema de coisas;
  10. O evangelho do “reino” que está sendo pregado.

Obviamente que poderíamos continuar com a lista, mas o que relacionamos é mais do que suficiente. Não obstante, a Sociedade Torre de Vigia lança um desafio ao mundo que não faz parte desse quimérico reino a fazer parte dele, ingressando também na Organização visível de Deus na terra, para que possa escapar do Armagedom (Sofonias 2.2-3);

“Você precisa pertencer à Organização de Jeová, e fazer a vontade de Deus, a fim de receber Sua bênção de vida eterna”.    Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra, p. 255 § 14.

“Durante o ano calendar de 1986, os Salões do Reino das Testemunhas de Jeová em toda a terra exibirão o texto para o ano, tirado de Lucas 9:60: “Vai… divulga o reino de Deus”. Que belo lembrete e incentivo para todos os verdadeiros ministros de Deus participarem regularmente na pregação do Reino de Deus! Sim, este Reino está presente desde 1914! É o instrumento de Deus nas mãos do seu Rei messias, para esmagar todos os reinos mundanos de Satanás. Não é de admirar, pois, que o Reino de Deus deva ser de importância primária na vida de cada Testemunhas de Jeová. Sabemos que significa nossa salvação para a vida! – 1 Timóteo 4:16”                                                                                               A Sentinela, 15/12/1985, p. 15 § 21”.

1914 – SÓ UM ERRO DE CÁLCULO

Com efeito, fixemos com atenção como é que a Sociedade Torre de Vigia, hoje em dia, faz os cálculos para chegar a 1914.

“Recorrendo ao capítulo 12 de Revelação, notamos que os versículos 6 e 14 mostram um período de 1.260 dias como sendo “um tempo, e tempos, e metade de um tempo”, ou 1 + 2 + 1/2, no total de 3 1/2 tempos. Assim “um tempo” seria equivalente a 360 dias, ou 12 meses lunares com a média de 30 dias cada. “Sete tempos” ascenderiam a 2.520 dias; e a contagem profética, bíblica, de “um dia por um ano, um dia por um ano”, indica que seriam realmente um período de 2.520 anos calendares. (Números 14:34; Ezequiel 4:6) Esta é assim a duração dos “sete tempos” — os tempos dos gentios”   Venha o Teu Reino” p. 135 § 24.

Como se lê acima, segundo “a contagem profética “bíblica, de “um dia por um ano”, uma dia por um ano, indica que seriam realmente um período de 2.520 anos calendares”. Isto não é verdade. Somente duas vezes Deus indicou que um dia fosse contado por um ano. A primeira vez o fez quando os espias, que durante 40 dias estiveram na terra de Canaã, desanimaram – exceto Josué e Calebe – o povo de Israel. Quando não creu que para Deus fosse possível vencer os gigantes, dos quais os espias falaram, o povo de Israel teve de permanecer 40 anos no deserto, correspondendo aos 40 dias em que espiaram a terra prometida (Números 14.34). A segunda vez foi quando o profeta Ezequiel realizou uma demonstração, durante 40 dias, a respeito da educação que o povo de Israel deveria passar e que duraria 40 anos. Cada dia da demonstração significava para os israelitas um ano de sofrimento (Ezequiel 4.6).

Tanto é assim, que no caso dos 1260 dias de Apocalipse 12.6,14 deixa de seguir a regra de um dia por um ano. Vejamos algumas citações publicadas pelas Testemunhas de Jeová para provar que os 1260 dias são interpretados como sendo dias literais e não 1260 anos:

“Falando-se biblicamente, eram três “tempos” e meio, ou “quarenta e dois meses”, ou mil duzentos e sessenta dias”. Este período, começando em 15 de tisri, ou em 4/5 de outubro de 1914, terminou em 14 de nisã, ou em 26/27 de março, de 1918”. Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus, p.262 § 8.

“Portanto, este período de alimentação especial no termo simbólico “longe da face da serpente”, começou no tempo da Páscoa. 13/14 de abril de 1919, e terminou no décimo terceiro dia a partir do Ano Novo Judaico (Rosh Hashanah), ou em 4/5 de outubro de 1922. Foi deveras uma época de alimentação espiritual”. Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus, p.262 – Revelação 12:6,14.

“Três e meio anos a partir de março de 1919, a saber, em setembro de 1922 na maior assembleia internacional de publicadores do Reino efetuada até então, o testemunho ao governo teocrático de Jeová foi infundido em maior espírito de poder. Está Próximo o Reino”, p. 312/313 § 11.

Logo, os 1260 dias coerentemente deveriam representar 1260 anos, seguindo a regra de um dia por um ano. Se é regra bíblica (Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, p. 191 § 20), por que tal “regra bíblica” não é seguida no caso dos 1260 dias de Apocalipse 12.6,14???

Deve-se apontar mais que o ano de 607 A.C. (para as Testemunhas de Jeová AEC, antes da era comum) subtraídos de 2520 anos, temos como resultado o ano tão importante para elas – 1914. Eis o cálculo que fazem:

mito 1914 14

Venha o Teu Reino, p. 135 § 24.

As Testemunhas de Jeová se veem obrigadas a defender o ano de 607 AEC, apesar de todas as evidências contrárias da Astronomia, Arqueologia e História. Por que? Porque qualquer variação desta data 607 AEC se refleti rá imediatamente em outra data (1914) com o consequente desmoronamento do reino que começou no céu em 1914. Vejamos como elas se defendem.

EM TORNO DO ANO DE 607 AEC

Visto que a Sociedade Torre de Vigia não pode remover o ano 607 AEC, busca desesperadamente uma base onde se apoiar:

e que Jerusalém foi destruída em 587/6 A.E.C. Conforme já mencionado, se fôssemos contar a partir de 605 A.E.C., os 70 anos chegariam a 535 A.E.C. Mas, o Inspirado escritor bíblico Esdras relatou que os 70 anos se estenderam até o “primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia”, que emitiu o decreto que permitiu aos judeus voltar à sua pátria (Esdras 1:1-4; 2Crônicas 36:21-23). Os historiadores aceitam que Ciro conquistou Babilônia no outubro de 539 A.E.C, e que o primeiro ano de reinado de Ciro começou na primavera (setentrional) de 538 A.E.C. Se o decreto de Ciro foi emitido mais para o fim de seu primeiro ano de reinado, os judeus podiam ter estado facilmente de volta na sua pátria por volta do sétimo mês (tisri), conforme diz Esdras 3:1. Isto seria em outubro de 537 A.E.C..  Venha o Teu Reino, p. 189 – grifo nosso.

“De maneira similar, estamos dispostos a ser guiados principalmente pela Palavra de Deus, em vez de por uma cronologia que se baseia primariamente em evidência secular, ou que discorda das Escrituras. Parece evidente que o entendimento mais fácil e mais direto das diversas declarações bíblicas é que os 70 anos começaram com a desolação completa de Judá, depois de Jerusalém ter sido destruída (Jeremias 25:8-11; 2Crônicas 36:20-23; Daniel 9:2). Assim, contando para trás 70 anos a partirr de quando os Judeus voltaram à sua pátria em 537 A.E.C., chegamos a 607 A.E.C, como data em que Nabucodonosor, no seu 18º ano de reinado, destruiu Jerusalém, tirou Zedequias do trono e acabou com a linhagem de reis Judeus no trono, na Jerusalém terrestre – Ezequiel 21:19-27”. Venha o Teu Reino, p. 190.

Com isto nos damos conta de que há uma relação de dependência total entre estas diferentes datas:

1914 – depende de 607 AEC

607 – depende de 537 AEC

537 – depende de 539 AEC

A Sociedade Torre de Vigia, com relação a esta última data (539 AEC), na qual caiu Babilônia nas mãos dos medo-persas, denomina tal data como “data absoluta”, já que, segundo a citação abaixo, ela depende de um documento de pedra que se conhece como a CRÔNICA DE NABONIDO.

mito 1914 15

mito 1914 16

Agora, observemos com cuidado que os documentos que seguem a CRÔNICA DE NABONIDO (apesar de ser considerada a base, segundo as Testemunhas de Jeová), não contêm nenhum dado pelo qual se possa saber, por meio da Astronomia, a que datas do calendário Juliano ou Gregoriano correspondem as datas babilônicas constantes nesse documento pagão.

Com efeito, é falso o que declara A Sentinela de 15/02/1969, p. 106 § 13: “A fixação de 539 A. E. C. como o ano em que ocorreu este evento histórico baseia-se num documento de pedra conhecido como a Crônica de Nabonido (Nabunaid)”, como também é um sofisma a afirmação que “a Crônica de Nabonido fornece detalhes exatos quanto ao tempo em que estes eventos ocorreram” (A Sentinela 15/02/1969, p.107 § 14).

Por que, perguntará o leitor? Porque este documento não tem nenhum elemento astronômico que dê margem a se conhecer as correspondências entre os mencionados calendários, de modo que os astrônomos têm que se basear em outros documentos para poder deduzir que as datas que constam da Crônica de Nabonido correspondem a 539 A.E.C.

Ademais, a Crônica de Nabonido foi descoberta em 1879 (A Sentinela de 15/02/1969, p. 106 § 14) e segundo as Testemunhas de Jeová “C. T. Russell fez os seus primeiros cálculos em 1876”, ou seja, três anos antes de ser descoberta a Crônica de Nabonido.

Tudo isso significa que a Sociedade Torre de Vigia tem problemas para chegar ao ano 607 AEC e está tratando de ocultá-los. Esta mesma organização se intitula a organização visível de Deus na terra, e nos aconselha a não nos associarmos com organizações que não tratem as pessoas com honestidade:

“É evidente que o verdadeiro Deus, sendo “Deus da verdade” e odiando a mentira, não considerará com favor os que se apegam a organizações que ensinam a falsidade. Salmo 31:5; Provérbios 6:16-19; Revelação 21:8). Realmente, gostaria mesmo de se associar com uma religião que não o tratou com honestidade?” É Esta Vida Tudo o Que Há? p. 46.

A Sociedade Torre de Vigia intenta ocultar-nos algo de suma importância. Em outra declaração na revista A Sentinela, expressou-se acerca do mesmo assunto de maneira contraditória: Por que esta contradição, em duas publicações feitas pela mesma Sociedade Torre de Vigia? Por que a Sentinela de 15/02/1969 p. 106 se baseia na Crônica de Nabonido, e a Sentinela de 15/11/1971 p. 700 afirma: “Mas, fornece a Crônica de Nabonido em si mesma uma base para se determinar o ano deste acontecimento? Não”.

Isto intriga bastante, mormente porque:

“É possível que certa religião falsa tenha alguma verdade, mas nunca se livra das suas muitas falsidades”.  A Sentinela, 01/08/1955 p. 138.

É de se observar, com toda clareza, que a Sociedade Torre de Vigia tem ignorado completamente o artigo publicado na Sentinela de 15/02/1969, p. 106, e tem-se fixado no artigo publicado na A Sentinela de 15/11/1971, p. 699/700. Obviamente, então, a Sociedade Torre de Vigia procura ocultar-nos algo, e esse algo, ATENÇÃO LEITORES, é a explicação de como se chega a essa famosa “data absoluta” de 539 AEC, que tanto lhes interessa para chegar a 1914, e assim proclamar aos quatro ventos: 1) que ela “dá mais atenção a esse cálculo do tempo de Deus” e, 2) “o reino de Deus começou no famoso ano de 1914 com a entronização de Cristo no céu:

“Visto que a maioria da humanidade hoje em dia não dá nenhuma atenção a esse cálculo do tempo de Deus, e visto que a cristandade com as suas centenas de seitas e denominações contesta a sua exatidão, será que esses opositores, que ultrapassam em número em muito as Testemunhas de Jeová, venceram a disputa acesa sobre o estabelecimento do Reino de Deus por Cristo, nos céus, em 1914 EC? O cumprimento da profecia de Jesus a respeito do que assinalaria o “fim do mundo” (Almeida, rev. e corr.) ou a “terminação do sistema de coisas” (NM), responde trovejantemente que não!”.  A Sentinela, 01/04/1983, § 5 grifo nosso.

Embora essa contradição tão flagrante, a Sociedade Torre de Vigia tem procurado incutir a ideia de que tudo o que se publica na A Sentinela não deve ser objeto da mais leve sombra de dúvida, pois afirma:

“Se tivermos amor a Jeová e à organização de seu povo, não teremos suspeitas, mas, como diz a Bíblia, creremos em todas as coisas, todas as coisas que A Sentinela esclarece, uma vez que tem sido fiel em nos dar conhecimento dos propósitos de Deus e em nos guiar no caminho da paz, da segurança e da verdade, desde seu início até o dia atual”. Qualificados Para Ser Ministros, p. 144 § 5.

Com isto, resta manifesto, claro e inequívoco que o ano 607 AEC, e a cronologia bíblica estabelecida pelas Testemunhas de Jeová são falsos, pois têm como base um sofisma inventado para encobrir um erro do 1º Presidente da Sociedade Torre de Vigia – Charles T. Russell.

Agora, então, se 1914 é tão importante para a Sociedade Torre de Vigia, o que afirmamos põe em risco sua própria sobrevivência, porque para ela 1914 significa a razão da sua existência e ela se acha num dilema irreversível de sair, pois que, qualquer esforço que faça nesse sentido estará justamente contra ela, como passaremos a expor. Vamos pois ao ponto que é o calcanhar de Aquiles do maior mito religioso do século XX:

O SOFISMA DE 539 A.E.C. – A BASE DO MITO DE 1914

Neste ponto vamos demonstrar que em 1914 a única coisa que começou foi um reino mitológico. Até mesmo a História contribui para desmascarar a ilusão, ou engodo, que emprega a Sociedade Torre de Vigia para esconder o erro e a aberração do tal “reino de Deus que começou em 1914″.

Com efeito, segundo a História secular, seis reis governaram no período Neobabilônico e eles foram:

Nabopolassar ……………………………………… 21 anos (625 a 605 AEC)

Nabucodonosor…………………………………… 43 anos (605 a 562 AEC)

Evil-Merodaque ………………………………….. 2 anos (562 a 560 AEC)

Neriglissar ………………………………………….. 4 anos (560 a 556 AEC)

Labashi Marduk (ou Laborosoarchod)……… 9 meses (556 a 555 AEC)

Nabonido (co-regente Belsazar)……………… 17 anos (555 a 539 AEC)

Total………………………………………………….. 87 anos

mito 1914 17Para chegar nessa data de 539 AEC, a História se baseia na cronologia babilônica e em dados extraídos da Astronomia. Partindo deste ponto da História, pode-se chegar ao correspondente calendário, quer Juliano ou Gregoriano. É também digno de nota que a Astronomia tem-se baseado em outros documentos, tais como: o Cânon de Ptolomeu e a Tabuinha Cuneiforme VAT 4956, que se acha guardada no Museu de Berlim e fornece os seguintes dados:

  1. Foi datada do 37º ano de Nabucodonosor;
  2. Contém registros astronômicos pormenorizados sobre as posições relativas do Sol, da Lua e dos planetas durante um ano;
  3. Registra cômputos coma base num eclipse lunar ocorrido em 4 de julho de 568

 

Com base em 539 AEC, a História fixa o ano de ascenção de Nabopolassar em 625 AEC. A partir desta data começou a somar o período que governou cada um dos reis do segundo Império Caldeu, e assim deduzir os anos da data mencionada de 539 AEC.Portanto, a História nos pode dar dados concretos para afirmar três coisas que nos interessam:

  1. QUE Nabucodonosor começou a reinar em 605 AEC;
  2. QUE Nabucodonosor destruiu Jerusalém no 19º ano do seu reinado (2Reis 8), ou seja, 586 AEC;
  3. QUE Nabonido terminou seu reinado em 539

 

mito 1914 18

Observe-se, agora, que tal situação é bem conhecida pela Sociedade Torre de Vigia, pois afirma claramente:

“A Bíblia relata que os babilônios sob Nabucodonosor destruíram Jerusalém no seu 18º ano de reinado (19º quando se inclui o ano da ascensão). (Jeremias 52:5,12,13,29). Assim, caso se aceite esta cronologia neobabilônica, então a desolação de Jerusalém ocorreu no ano 587/6 A.E.C. Mas em que se baseia esta cronologla secular, e como se compara ela com a Cronologia da Bíblia?”   Venha o Teu Reino, p. 186.

Resumindo, então, nos damos conta de que tudo está perfeitamente entrelaçado: a Astronomia depende de documentos como o Cânon de Ptolomeu e da Tabuinha Cuneiforme VAT 4956; a História depende da Astronomia e da Cronologia Babilônica; e os 605, 586 e 539 AEC dependem diretamente do estabelecido na História. Por tudo isso, evidentemente, 539 AEC depende de 605 e 586 AEC.

A Sociedade Torre de Vigia tem tomado a data de 539 AEC (estabelecida pela História), porque com esta data pode fazer seus cálculos e assim chegar a 1914. Nao obstante – e observe-se a estultícia – recusa terminantemente as outras datas: 605 e 586 AEC, (que são estabelecidas pela mesma História) dado que estas últimas datas desmoronam seus cálculos artificiosos.

A Sociedade Torre de Vigia sabe que se Nabucodonosor começou reinar em 605 AEC, não poderia jamais destruir Jerusalém em 607 AEC (ou no 19º ano do seu reinado – 2Reis 25.8). portanto, para se ter uma ideia mais clara do dilema em que se encontra a Sociedade Torre de Vigia, é necessário entender que:

  • Sem o Cânon de Ptolomeu, VAT 4956 e a Cronologia Babilônica não existem 605, 586 nem 539 AEC;
  • Sem 605 e 586 AEC tão pouco existe 539 AEC (ano de muito interesse para as Testemunhas de Jeová).

Definitivamente, ainda que se admitisse que “o atual quadro da historia babilônica pudesse ser “enganoso ou errado” (Venha o Teu Reino, p. 187) e dizemos mais, até incompleto ou mau interpretado, apresentar-se-iam dois problemas graves para as Testemunhas de Jeová:

  • QUE a data de 539 AEC não poderia ser corretamente denominada “data absoluta”, porquanto depende de uma situação relativa;
  • QUE a data de 539 AEC automaticamente desapareceria juntamente com o “Reino de Deus no céu em 1914” dado que depende vitalmente do atual quadro babilônic

Tendo em conta tal situação, observemos que só a teimosia pode ter levado a Sociedade Torre de Vigia a expressar-se da seguinte maneira:

“Às vezes alteravam os registros para os seus próprios fins. Ou mesmo quando a evidência descoberta é exata, poderá ser interpretada mal pelos eruditos modernos ou ser incompleta, a ponto de que matéria ainda a ser descoberta poderá alterar drasticamente a cronologia do período em questão”.      Venha o Teu Reino, p. 187.

Observe o leitor, atentamente, que as Testemunhas de Jeová evitaram, por todos os meios possíveis, três coisas:

  • QUE não se ponha em dúvida a data de 539 AEC. Daí que, quando os historiadores e astrônomos falam deste ano, sejam os tais designados pela expressão “autoridades modernas” e “autoridades reconhecidas”, acrescentando cita-ções compridas de livros de História que apoiam o ano de 539 AEC, com o fim de transmitir segurança:

“Data Absoluta Para as Escrituras Hebraicas. Um avento proeminente, registrado tanto na Bíblia como na História secular, é a derrubada da cidade de Babilônia pelos medo-persas sob Ciro. A Bíblia registra tal evento em Daniel 5:30. O registro pagão foi feito pelo Rei Nabonide, e tem sido datado por ele naquilo que é conhecido como Crônica de Nabonide, descoberta em 1879 e agora preservada no Museu Britânico, Londres. Aí autoridades modernas têm estabelecido esta data absoluta para a queda de Babilônia como sendo 11-12 de outubro de 538 A. E. C, segundo o Calendário JuIiano, ou 5-6 de outubro pelo Calendário Gregoriano. Como o dia hebreu, o dia babilônico começava às 18 horas. Toda a Escritura é Inspirada por Deus e Proveitosa, p. 271 § 29.

  • QUE ninguém interrogue como essas autoridades chegaram a fixar o ano de 539 AEC (porque se descobre que servem-se do atual quadro da história babilônica para chegar ao “Reino que começou no céu em 1914” e este então cai por terra); e
  • QUE ninguém descubra que estas autoridades que fixam 539 AEC são as mesmas que fixam 605 e 586 AEC. De modo que, quando estas mesmas pessoas fixam 586 AEC as Testemunhas de Jeová os qualificam como “cronologistas da cristandade” ou “alguns eruditos”:

“Os historiadores sustentam que Babilônia caiu diante do exército de Ciro em outubro de 539 A.E.C. O rei era então Nabonido, mas seu filho Belsazar era co-regente de Babilônia. Alguns eruditos elaboraram uma lista de reis neobabilônicos e da duração de seus reinados, remontando desde o último ano de Nabonido até o pai de Nabucodonosor, Nabopolassar”. Venha o Teu Reino, p. 186.

EXISTEM OUTROS DOCUMENTOS?

Consideremos a possibilidade de existirem outras fontes mais confiáveis para as Testemunhas de Jeová, que pudessem contradizer os documentos já mencionados, isto é, documentos que fixem:

  • QUE 625 AEC foi o ano da ascenção de Nabucodonozor e não 605 AEC;
  • QUE 607 AEC foi o ano da queda de Jerusalém e do destronamento do rei Zedequias e não 586 AEC; e,
  • QUE 539 AEC foi o ano da queda do Império Babilônico.

Recorrendo à Enciclopédia da Sociedade Torre de Vigia – AJUDA PARA ENTENDIMENTO DA BÍBLIA, tanto em inglês (Aid) como em português, o que encontramos?

Em inglês (Aid), no verbete Chronology (Cronologia), p 327-328 encontramos que de acordo com o Cânon de Ptolomeu a queda de Jerusalém é indicada como tendo ocorrido em 587 ou 586, indicando também que Nabopolassar começou a reinar no ano 625 AEC, e desde que reinou 21 anos, o seu reinado chegou a 605 AEC, quando então seu filho Nabucodonsor passou a reinar. O mesmo Cânon de Ptolomeu (p.328 do Aid) indica a queda da Babilônia no ano 539 AEC e é aceita como “data absoluta”, Por aí se vê, que enquanto o Cânon de Ptolomeu serve para indicar 539 AEC como a data da queda da Babilônia, esquecem -se de que esse documento é o mesmo que rechaçam, porque indica a queda de Jerusalém em 586 AEC.

70 ANOS DE DESOLAÇÃO OU SERVIDÃO?

Afirmam as Testemunhas de Jeová:

“A profecia bíblica não permite a aplicação desse período de 70 anos a qualquer outra época senão à situada entre a desolação de Judá, acompanhada da destruição de Jerusalém, e a volta dos exilados judeus a sua terra natal, em resultado do decreto de Ciro. Especifica claramente que os 70 anos seriam anos de devastação da terra de Judá. O profeta Daniel entendeu desse modo tal profecia, pois declara: “Eu, Daniel, compreendi pelos livros o número de anos a respeito dos quais viera a haver a palavra de Jeová para Jeremias, o profeta, para se cumprirem as devastações de Jerusalém, a saber, setenta anos (Dan. 9:2)”.

Ajuda Para Entendimento da Bíblia, p. 389.

A data 607 AEC é dada pelos cronologistas da Sociedade Torre de Vigia para a destruição de Jerusalém e seu templo pelos babilônios, recuando 70 anos a partir de 537 AEC, quando foi dada a ordem para o retorno do povo judeu do cativeiro. Daniel 9.2 faz referência a Jeremias, o profeta, que disse: “E farei perecer entre eles a voz de folguedo… toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos” (Jeremias (25.11-12). Nessa profecia, duas coisas são destacadas:

  • “Toda esta terra (Judá) virá a ser um deserto” (no hebraico chorbah);
  • “estas nações” (isto é, aquelas mencionadas no verso 9) servirão ao rei de Babilônia setenta anos”.

Em primeiro lugar chorbah não significa um estado de desolação “sem habitantes”. A palavra ou frase “lugar desolado, sem habitantes”, é encontrada em Jeremias 9.11 e 34.22. A palavra chorbah é usada frequentemente para descrever um estado de devastação de terras e cidades, depois que as armas de um exército inimigo tenham por lá passado.

Em segundo lugar, servidão não implica necessariamente numa desolação, devastação, cativeiro, embora dentro do vocábulo servidão possamos incluir as situações mencionadas. Judá, algumes vezes, se sublevou contra o domínio babilônico e procurou remover o jugo da servidão, vassalagem, o que levou Nabucodonosor a levar cativo para Babolônia os moradores de Judá e devastar completamente a cidade de Jerusalém em 586 AEC.

Tal situação se deu por Juda ter-se rebelado e isto foi profetizado por Jeremias 27.8: “E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei de Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, diz o Senhor, até que a consuma pela sua mão” Jeremias, portanto, preveniu o povo para aceitar passivamente o domínio de Babilônia (Jeremias 27.17).

Houve quatro deportações de judeus para a Babilônia:

  • Em 605 AEC – Daniel 1.1-2;
  • Em 597 AEC – 2Reis 24.10-17 e 2Crônicas 36.10;
  • Em 586 AEC – 2Reis 25.8-10 e Jeremias 52.12;
  • Em 582 AEC – Jeremias 52.30.

Daniel foi para o exílio na primeira deportação, daí porque em Daniel 9.2 ele fala no plural “assolações” de Jerusalém e sua oração dizia respeito, fundamentalmente, ao templo que jazia desolado desde 586 AEC: “E agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas súplicas, e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor” (Daniel 9.17).

Em 537 AEC, quando os judeus retornaram após o decreto de Ciro, os fundamentos do templo não haviam sido lançados (Esdras 1.1-3, 3.6 e 7-11). Somente no 2º ano de seu retorno é que os judeus empreenderam a obra de restauração, no ano 535 AEC. A obra foi_concluída no 6º ano de Dario (Esdras 6.15) em 516 AEC, 70 anos após sua destruição em 586 AEC.

INTERPRETAÇÃO JUDAICA DOS 70 ATOS DE CATIVEIRO

“Enquanto os eventos que acabamos de descrever ocorriam na Judeia, os exilados levados por Nabucodonosor estabeleciam-se na Babilônia. Quando lá chegaram, já encontraram dois outros grupos de hebreus. Um era constituído de seus amigos íntimos e parentes; outro era o grupo que os babilônios tinham levado para o exílio em 597(A.C.), onze anos antes da destruição total de Jerusalém… No ano 516 o modesto Templo foi terminado. Tinham-se passado exatamente setenta anos desde que o Primeiro Templo fora destruído e cerca de vinte e um desde que o primeiro grupo de exilados retornara da Babilônia. Deve-se notar que os judeus continuam a contar setenta anos de Exílio Babilônico, pois consideram a reedificação do Templo destruído, e não o Edito de Ciro, como o evento que determinou o fim do Exílio” (Historia Geral dos Judeus – Biblioteca de Cultura Judaica, Salomon Grayzel, pp. 57 e 62 – grifo nosso).

Decorreram exatamente 70 anos, desde a completa destruição do Templo por Nabucodonosor em 586 AEC, até a completa restauração em 516 AEC.

QUANDO JESUS FOI ENTRONIZADO NO CÉU?

Nas publicações da Sociedade Torre de Vigia é frequentemente declarado que Jesus Cristo foi “entronizado”, e seu reino foi “estabelecido no céu” no “fim dos tempos dos gentios” ou “tempo designado das nações”, que são expressões sinônimas, em 1914. Entretanto, vários textos na Bíblia apontam claramente que Jesus foi entronizado no céu logo apos sua ressurreição no ano 33 EC. Por exemplo, no Apocalipse, escrito por João em 96 EC, Jesus diz: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Apocalipse 3.21).

Com a ressurreição de Jesus, o Salmo 110.1 começou a cumprir-se, conforme se torna claro por Hebreus 10.12-13. Jesus reassumiu seu poder desde 33 EC, como enfaticamente declara Paulo:

“Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. Acima de todo o principado e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1.20-23).

Tal declaração de Paulo está em tudo conforme com as palavras de Jesus: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28.18).

Que o reino de Cristo tem sido estabelecido no céu em 33 EC, no exercício pleno do seu poder, é também reconhecido pelas Testemunhas de Jeová no livro “Ajuda Para Entendimento da Bíblia”, que assim declara:

“O governo do Reino desde Pentecostes em diante

Com a ascensão de Jesus para o céu, quarenta dias depois de sua ressurreição, seus discípulos começaram a compreender a natureza celeste do seu reino. Dez dias depois, em Pentecostes no ano 33 EC, tiveram evidência de que Jesus tinha sido “enaltecido à direita de Deus”, ao derramar espírito santo sobre eles, dando-lhes poderes para servirem como suas testemunhas e embaixadores do seu reino (Luc. 24:46-52; Atos 1:8-9; 2:1-4, 29-33; Cor. 5:20). O “novo pacto” tornou-se então operante para com eles, e eles se tornaram o núcleo de uma nova “nação santa”, o Israel espiritual (1 Ped. 2:9-10; Gál. 6:16; Heb. 12:22-24). Visto que Cristo sentava-se então à mão direita de seu Pai, e era o Cabeça desta congregação, é evidente que seu governo régio vigorava para com eles desde Pentecostes de 33 EC. (Efé. 5:23; Heb. 1:3)”. Ajuda Para Entendimento da Bíblia, p. 1418.

Cristo tem reinado sobre a congregação cristã desde Pentecostes, 33 E. C.

Col. 1:13 “Ele nos livrou da autoridade da escuridão e nos transplantou para o reino do Filho do seu amor”. Efé. 5:23 “O marido é cabreça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação, sendo ele o salvador deste corpo”  Certificai-vos de Todas as Coisas, p. 401.

Desde o Pentecostes, 33 E.C, Jesus tem “poder sobre as nações” e poder para quebrar as nações “como vasos do oleiro” (Apocalipse 2.26-27 comparado com 3.21). O próprio Cristo declarou isto ao ressuscitar (Mateus 28.18) e por isso, com razão, é chamado “o príncipe dos reis da terra” (Apocalipse 1.5).

OBSERVAÇÕES SOBRE LUCAS 21.24

Ao tentar interpretar a frase “tempos dos gentios” ou “tempos designados das nações” de Lucas 21.24, é importante observar o contexto dessa profecia de Jesus. Pode-se depreender, pelo contexto, que Jesus não se referia literalmente à cidade de Jerusalém, mas “ao reino típico de Deus, que operava mediante a casa de Davi”?

“Jerusalém era a capital da nação de Israel cujos reis da linhagem de Davi, segundo se dizia, sentavam-se no trono de Jeová (1 Cro. 29:23). e, como tais, representavam a sede do governo divinamente constituído, ou reino típico de Deus, que operava mediante a casa de Davi, tendo o seu monte Sião, era ‘a cidade do grandioso Rei’. (Sal. 48:1,2). Por isso, Jerusalém veio a simbolizar o reino da dinastia do Rei Davi, assim como Washington, Londres, Paris e Moscou representam os poderes governamentais das hodiernas nações e são assim mencionados nos comunicados noticiosos” . Ajuda Para Entendimento da Bíblia, p. 1611.

Um exame detido do contexto de Lucas 21.24 mostra que não há apoio bíblico para essa interpretação. Os vocábulos usados no contexto (Jerusalém, gentios ou nações) são claramente interpretados no sentido literal. Por exemplo, o vocábulo “gentios” (ethne) evidentemente refere-se as nações fora do judaísmo. Os judeus seriam levados cativos por todas as nações e depois que essas nações pisassem os judeus, Jerusalém seria de novo governada pelos judeus. A profecia de C. T. Russell no livro The Time Is At Hand, edição 1888, p. 77, é clara:

mito 1914 19

Tradução: “Isto prova que, desde aquele tempo para adiante (1914), Jerusalém não mais será pisada pelos gentios, mas se levantará do pó do desfavor de Deus, para honra; porque o “tempo dos gentios” tem-se cumprido ou terminado”.

A interpretação de C. T. Russel não pode ser mantida pela Sociedade Torre de Vigia por causa do seu fracassado erro fético, pois que a Jerusalém terrestre continou a ser pisada pelos gentios até agora. Daí a interpretação de que se trata da Jerusalém celestial, ou Jerusalém simbólica, como se lê no livro “Seja Feita a Tua Vontade na Terra”, p. 84 § 37:

“Portanto, o fim do tempo de se pisar Jerusalém, no cumprimento completo dos “tempos designados das nações”, significaria o ressurgimento da Jerusalém simbólica, a saber, o reino de Deus”.

Mas, as nações gentílicas não poderiam ascender aos céus para interferir no governo de Cristo desde Petencostes para frente. Nem pode “Jerusalém ser pisada pelos gentios” como referindo-se a perseguição do Israel espiritual, ou o remanescente dos herdeiros do reino ainda na terra, porque essa perseguição não terminou em 1914. Aqueles, dentre as Testemunhas dé Jeová, reconhecidos como os da classe ce lestial, tem sido objeto de muito mais perseguição desde 1914, especialmente durante a 2ª Guerra Mundial.

Quando em Lucas 21.20 Jesus diz “quando virdes Jerusalém cercada de exércitos” estava ele referindo-se, evidentemente, à cidade de Jerusalém que estava sendo cercada pelos exércitos de Roma (66 E.C.), que veio por fim a cair na mão dos romanos no ano 70 E. C.

O SINAL DA PAROUSIA (PRESENÇA) DE CRISTO

A Sociedade Torre de Vigia insiste que Jesus antecipou que sua futura “presença” deveria ser acompanhada por um período de “ais” (Apocalipse 12.12), consistindo de fomes, pestes, terremotos etc. Este “sinal” da sua “presença invisível” é dito como tendo aparecido na terra a partir de 1914. Essa interpretação corresponde a Mateus 24.3,30?

Quando os discípulos de Jesus perguntaram: “Que sinal haverá da tua parousia”, usam a palavra que comumente é traduzida por “vinda”. O “sinal”, portanto, é usualmente entendido como “precedendo” ou acompanhando a vinda ou chegada de Cristo. Isto foi o que também entenderam N. H. Barbour e seus associados até que 1874 tinha passado sem que Cristo tivesse voltado nas nuvens. Naquele tempo, um dos leitores da revista de Barbour, intitulada “O Grito da Meia Noite”, por nome B. W. Keith descobriu que certo Novo Testamento – “The Emphatic Diaglott, do tradutor Benjamin Wilson, usou a palavra “presença” como tradução de “parousia” e não “vinda” no texto, relatando o retorno ou volta de Cristo. Keith levou a N. H. Barbour a ideia de que Cristo tinha retornado em 1874, mas invisivelmente, e que Cristo estava agora invisivelmente, levando acabo um trabalho de julgamento.

Uma “presença invisível” é sempre difícil de ser contestada. É algo semelhante a um amigo que lhe diz receber a visita de um parente morto, que vem confortá-lo frequentemente, mas o faz invisivelmente, e procura convencê-lo de que isto é real. A “presença invisivel” é um conceito que permitiu aos Adventistas associados com N. H. Barbour afirmar que eles, apesar de tudo, tinham uma data correta para a presença de Cristo em 1874, mas um conceito errado, pois esperavam Cristo voltar corporalmente, quando Ele deveria fazê-lo em espírito, invisivelmente. Essa explicação foi também aceita e adotada por C. T. Russell. Não pode ser negado, porém, que a segunda vinda de Cristo, é entendida como a “visita de um governador”, que é o vocábulo ou termo técnico da palavra grega parousia. Assim, Cristo voltará novamente (João 14.2-3) aparecerá segunda vez; (Hebreus 9.28); manifestar-se-á (Colossenses 3.4; 1Pedro 5.4; 1João 2.28); virá como Rei dos reis (Apocalipse 19.11-16).

AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ TÊM ANDADO EM ZIGUE-ZAGUE

Milhões de Testemunhas de Jeová, em todo o mundo, creem e ensinam que a presença de Cristo, invisível aos olhos humanos, se deu em 1914. Poucas delas sabem que por cerca de 50 anos a Sociedade Torre de Vigia anunciou e proclamou, na sua condição de “canal exclusivo de comunicação de Deus” com os homens, que tal “presença” se dera em 1874.

As Testemunhas de Jeová de hoje creem que “os últimos dias” ou “o tempo do fim” começou em 1914. Creem também que a ressurreição dos ungidos ocorreu a partir de 1918. Por mais de 40 anos ensinaram que tal ressurreição tinha se dado a partir de 1878, depois mudaram para o ano 1881.

As Testemunhas de Jeová creem, ainda, que a partir de 1914, e particularmente de 1919, começou o “tempo da colheita”, cujo clímax se dará pela destruição do atual sistema de coisas, e todos devem atender ao chamamento para suas atividades de “pregação do reino”. Entretanto, o tal “tempo da colheita”, segundo criam as Testemunhas de Jeová do passado, tinha ocorrido de 1874 até 1914, com a destruição completa de todos os governos humanos da terra no Armagedom.

As Testemunhas de Jeová de hoje afirmam que a queda da “Babilônia, a Grande” se deu em 1919. Por quase 40 anos a Sentinela ensinou que a queda da Babilônia, a Grande, se deu em 1878.

Afirmamos, finalmente, que a Sociedade Torre de Vigia é culpada de falsas profecias, falsos alarmes e por meio de tais artifícios, procura transmitir uma ilusão de urgência.


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5 Comentários

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  1. os TJ dizem que o diabo veio à terra em 1914 e que por isso houve a 1ª guerra mundial. Deveras guerras é uma cousa diabólica, mas depois houve uma outra pior, a 2ª guerra mundial, quer dizer então que o diabo veio duas vezes à terra ? 

  2. Por esse prisma não somente as TJs, mas os Adventistas, Batistas, dentre inúmeros outros seriam falsos profetas, pois divulgaram essas loucuras, mas atualizando , como estudantes da bíblia que não foram inspirados, eles já pediram desculpas e mudaram quase tudo sobre 1914. e os outros?

    1. Quanto aos batistas atuais não há registro de marcação de datas é um equivoco vosso. mas os adventistas tem o mesmo modus operandi toda sua doutrina é baseada numa suposta vinda invisível de Cristo em 1844 o que posteriormente também Russel fez o mesmo 1914. E continuam nessa.

  3. Os sujos falando dos mal lavados… Tantas outras denominações evangélicas fizeram “falsas profecias” e nem por isso são consideradas falsos profetas… Acesse o site Testemunhas de Jeová defendidas e verá uma série de referências de escritos das igrejas batistas, luteranas e até da AD 

    1. Vocês deixar ente familiar morrer por falta transf.sangue sob para agradar STV…e vem chamando outros de sujo e mal lavado??? Pensa mais…

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