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TJs: Russell e os astros

por Artigo compilado - sex set 23, 2:17 pm

A postura do ‘pastor’ Russell para com a astrologia era um tanto contraditória. Muito embora não a advogasse explicitamente – e até a contestasse – ainda assim, lançou mão, em certas ocasiões, de um linguajar tipicamente astrológico. Não era uma coisa rara entre os adventistas, com os quais Russell associou-se regularmente. Um exemplo clássico desse período se encontra na revista Zion’s Watchtower [Torre de Vigia de Sião]  de 1/5/1903, págs. 130 e 131 (em inglês): “Nós questionamos seriamente todas as declarações da astrologia; ainda assim, o que se segue – qualquer que seja a fonte das sugestões, até mesmo do próprio adversário – parece marcadamente verdadeiro quanto às nossas expectativas baseadas na Palavra do Senhor. Apenas por essa razão nós o publicamos como segue:… Quando Urano e Júpiter se encontrarem no signo benigno de Aquário em 1914, a era há muito prometida terá tido um belo começo na obra de libertar os homens na busca de sua própria salvação e assegurará a realização final dos sonhos e ideais de todos os poetas e sagas da História”.

Aqui, vemos o uso das posições astrológicas como instrumento de persuasão quanto à correção dos cálculos de Russell, os quais apontavam para a presença de Cristo desde 1874 e para 1914 como a data do ‘fim do mundo’. É também digno de nota que o ‘pastor’, mesmo reconhecendo que tais declarações podiam  provir do ‘adversário’ – presumivelmente, o diabo – ainda assim, tenha se sentido à vontade para publicá-las simplesmente por estarem em sintonia com suas ‘expectativas’. Nesse caso, indagamos: se o leitor examinasse um artigo falando do “signo benigno de Aquário” e das posições de ‘Urano’ e ‘Júpiter’, teria alguma dúvida quanto à natureza do assunto? Não encontramos tais expressões até hoje nos horóscopos? Entretanto, isso não é tudo…

Caso uma pessoa comparecesse ao ‘Fotodrama da Criação’, veria o seguinte quadro:

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Neste slide vemos representadas todas as posições do zodíaco. Elas serviam como reforço para as previsões futurísticas de Russell. Na verdade, a escatologia dos ‘Estudantes da Bíblia’ consistia em um ‘tripé’ – as profecias bíblicas, as medidas da pirâmide e as posições dos astros.  O fascínio por estes últimos não terminaria aí.

O ‘pastor’ já havia publicado, anos antes, seu terceiro volume da série ‘Estudos das Escrituras’. Nele, Russell citava Joseph Seiss, um pastor luterano – adepto da piramidologia e da astrologia – o qual publicou, em 1877, a obra O Milagre em Pedra ou a Grande Pirâmide do Egito. A citação dizia:

“Alcyone, então, tanto quanto a ciência tem sido capaz de discernir, pareceria ser ‘o trono da meia-noite’, no qual todo o sistema de gravitação tem sua base central e de onde o Todo-Poderoso governa o universo.”.

Qual o significado dessas palavras? Vejamos…

Em 1915, a revista Zion’s Watchtower  de 15 de junho (p. 185) publicou um artigo mais pormenorizado sobre o tema:

“… a Ciência Declara que há um Centro muito mais poderoso, ao redor do qual estes incontáveis milhões de sóis giram, acompanhados por seus planetas e satélites. Este grande Centro parece estar associado com as Plêiades, particularmente com Alcyone, a estrela central desse renomado grupo. Por essa razão, tem se sugerido que Plêiades pode representar a Residência de Jeová, o lugar de onde Ele governa o universo. Este pensamento dá nova força à pergunta que o Todo-Poderoso fez ao patriarca Jó: ‘ És tu que atas as doces influências de Plêiades, ou soltas os laços de Órion? Podes fazer sair as constelações do zodíaco em suas estações?’ – Jó 38: 31,32 Parece haver menos estrelas no Norte do que em qualquer outra parte dos céus. De modo que o Norte parece ter recebido uma posição muito proeminente… Nas Escrituras, o Norte parece associado bem de perto ao governo de Jeová sobre a terra.”

O artigo acima refere-se à crença de que Deus habitava uma estrela – Alcyone – a qual pertencia à constelação de Plêiades. Além disso, um ponto cardeal – o Norte – recebia igual destaque. Como vimos, Russell não foi nada original, tendo tomado emprestadas as idéias de um pastor luterano – Joseph Seiss – o qual, por sua vez, as obteve de um escritor anterior a ele, Piazzi Smyth, já mencionado em nosso artigo. É interessante que Russell recorresse à Bíblia a fim de reforçar essas teorias. Causou-lhe, sem dúvida, enorme empolgação a determinação do ‘endereço’ de Deus. Anos à frente, em 1925, a edição de 15 de agosto da revista A Idade de Ouro [atualmente Despertai!] afirmaria que a cidade celestial de Sião também estava associada à estrela principal de Plêiades.

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“Plêiades” – a ‘casa’ de Jeová?

O sucessor de RussellJ. F. Rutherford – herdou de seu mestre o gosto pelos astros. Uma prova disso foi o artigo que ele lançou já na edição de 10 de setembro de 1924 de A Idade de Ouro [atualmente Despertai!], pp. 793 e 794, o qual dizia:

“… a posição de Plêiades ao tempo da conclusão da Grande Pirâmide do Egito, a ‘Testemunha de Pedra de Deus’, é uma proeminente característica desta construção no centro da terra do Egito. Por essa e outras razões, os ‘Estudantes da Bíblia’ têm boa razão para crer que na região de Plêiades está localizado o trono de Jeová Deus… Se algum lugar no espaço, dentro de Plêiades, é o trono de Deus, então esse grupo é merecedor de nosso mais reverente estudo.”

Aqui são endossadas as idéias do mesmíssimo autor que Russell destacara em seus artigos – Joseph Seiss. Pelo visto, a empolgação com os corpos celestes continuava de vento em popa na sede dos ‘Estudantes da Bíblia’.

Muito embora Rutherford  levasse ainda mais quatro anos para discernir o que outras instituições cristãs há muito   percebiam – o caráter profano da piramidologia – o ‘reverente estudo’ em torno de Plêiades perduraria por mais trinta anos – até 1953, quando uma publicação da Sociedade Torre de Vigia admitiu que ver uma estrela como o ‘trono de Deus’ poderia levar a uma ‘veneração’ pelos corpos celestes. Dessa forma, mais um capítulo embaraçoso da história das Testemunhas de Jeová era selado – mas não para sempre.

Toda essa excitação em torno dos astros, por mais de meio século, remete-nos à passagem bíblica em Deuteronômio 4: 19:

“Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros”.

Extraído da Apostila “As TJs e o Ocultimo”.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

2 Comentários

Comentários 1 - 2 de 2Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. Aqui mais uma vez percebo que pela falta de clareza na matéria, o leitor desavisado é induzido a associar “os adventistas”  mencionados no texto com a IASD, quando na verdade se refere apenas aos meleritas, por tanto, peço que por honestidade corrijam essa informação

    1. Miller deixou as profetadas de lado, porém Hoje o movimento adventista é resultantes da hermenêutica de William Miller. Você deve pedir honestidade a EGW que inventou este blefe da “entrada no santuário celestial” e conseguiu enganar multidões, e você é um deles.

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