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Três objeções calvinistas respondidas

1)O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

2) Se Deus ama e não Salva, então é um amor fingido?

3) Qualquer brecha pra cooperação humana anula a graça?

1ª Objeção

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

O Espírito Santo não falha em convencer ninguém do pecado. Precisamos compreender que “convencer” é diferente de “converter”. No Evangelho de João capítulo 16 verso 8 afirma que o Espírito Santo irá convencer o mundo (cosmo) do pecado, da justiça e do juízo. A palavra “cosmo” aqui representa a totalidade da humanidade caída e não apenas um grupo especial de pessoas. Portanto, como afirmou Lutero em suas Obras Selecionadas volume 11, página 358 o texto ensina que o Espírito Santo por intermédio da Igreja está a repreender o mundo inteiro por seu pecado de serem sem Cristo e, por não terem fé Nele.

A própria bíblia de estudo de Genebra em seu comentário a esse versículo informa que esse convencimento do Espírito Santo está atrelado a manifestação da culpa de toda a humanidade e não somente de certos indivíduos.

Usar esse argumento para desmerecer ou limitar a obra do Espírito Santo é desconsiderar a exegese do texto feita tanto por Lutero como pela tradição clássica do protestantismo seja de viés Arminiano ou Calvinista.

(Luís Felipe Borduam)

 

O Espírito Santo falha em Convencer alguém do Pecado?

Vejamos este texto, que é de onde me parece ter saído à questão:
“E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (Jo 16:8)”
Aqui é dito claramente que o Consolador “convencerá”, ou seja, fará com o que o pecador se convença a tal ponto que se converta, certo? “Convencerá” é ἐλέγχω, e pode ser traduzido como “convencer, refutar, admoestar, reprovar ou repreender” (ROBINSON, E. Léxico Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. P. 296). Uma variante do mesmo termo aparece em Tiago 2:9: “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos (ἐλεγχόμενοι) pela lei como transgressores”. Aqui o sentido claramente não é converter, mas sim tornar evidente ou expor a transgressão. Assim, a palavra ἐλέγχω não é necessariamente entendida como “converterá”, mas pode ser entendida como “tornará exposto o pecado” ou “trará repreensão ao pecado”. O Espírito Santo não falha em convencer o homem do pecado, pois lhe expõe por meio da pregação do evangelho, mas é o homem que pode falhar em se arrepender de seu pecado, resistindo à graça. (Lucas Freitas)

 

O Espírito Santo falha em Convencer alguém do Pecado?

Uma pergunta recorrente feita pelos calvinistas é: O Espírito Santo falha em convencer alguém?

Tal pergunta é capciosa, pois o sistema calvinista limita a graça convencedora do Espírito aos eleitos, sobre os quais a salvação é irresistivelmente aplicada. Os demais foram eternamente reprovados por Deus. Seu Espírito jamais objetivou convencê-los do pecado, da justiça e do juízo. Assim, o mundo em João 16.8 deve ser entendido apenas como os eleitos espalhados no mundo. Tendo isso como pano de fundo, alegam que o arminianismo ao defender uma graça universal (Jo 1.9; Tt 2.11), conduz à ideia de que o Espírito não é competente para convencer certos pecadores. Em suma, os argumentos do Espírito convencem uns, mas falha em demonstrar Sua verdade a outros.

Primeiramente, deve-se evitar a ideia de que convencer é o mesmo que impor algo. Embora haja verdade na ideia de que “convencer” tem algo de ponderação, de argumentação, nem sempre é assim que acontece. O Espírito convenceu alguns fariseus da verdade divina acerca de Jesus ao curar um endemoninhado cego e mudo. Não houve qualquer processo argumentativo, mas uma ação. Incapazes de negar o fato, deram falso testemunho da verdade e fecharam as portas para a salvação (Mt 12.22-32).

Dois pontos precisam ser destacados:

1) os fariseus reconheceram a verdade, sem qualquer argumentação. Convencer não é o mesmo que ganhar uma disputa de argumentos.

2) O fato de alguém ser convencido de determinada verdade não quer dizer que irá abraça-la. Existem muitos fatores envolvidos. Preconceitos, comprometimentos anteriores, status social, etc.

Um bom exemplo se encontra em João 12.42: “Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga”.

Outro ponto a ser considerado é que, no arminianismo, a graça preveniente, em seu primeiro raio, é irresistível. Isso mesmo: irresistível. A pregação do Evangelho liberta o arbítrio escravizado do indivíduo, capacitando-o a tomar uma decisão ao lado de Cristo. Mas em seguida, o indivíduo deve aceitar livremente a oferta de salvação. Muitos, pela graça de Deus, têm tomado essa importante decisão no decorrer da História. Outros, não: “Mas os fariseus e os peritos na lei rejeitaram o propósito de Deus para eles, não sendo batizados por João”.

Certamente, a responsabilidade é do próprio indivíduo. No dia do juízo, ele não poderá dizer que o Espírito foi incompetente para convencê-lo do pecado e para capacitá-lo a receber a oferta de salvação. (Thiago Titillo)

O Espírito Santo falha em Convencer alguém do Pecado?

Primeiramente devemos entender o que significa “convencer” para então podermos responder a pergunta, para isso examinaremos o que alguns arminianos disseram sobre o assunto e depois analisaremos o que a língua grega nos diz sobre o verbo convencer. Mas antes colocaremos a perícope a ser trabalhada, a saber:

“Quando ele [Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado” (João 16.8-11 ARA)

Jacó Armínio afirmou que Cristo no seu estado de exaltação atua através do Espírito na pregação de arrependimento (At 2.23) e por meio do Espírito que apóstolos profetizaram e falaram em várias línguas. Portanto, o envio do Espírito Santo não se refere em si a sua pessoa (pois ele é onipresente), porém a sua operação dinâmica (i.e. seus dons, especialmente o da profecia) o que lhe caracteriza como “Autor da Profecia Evangélica”. Mesmo o Espírito tendo agido antes da glorificação de Cristo, para revelar o Evangelho, ele só foi enviado com abundante efusão dos seus copiosos dons após a exaltação de Jesus (ARMÍNIO, 2015. vol 1. p. 89-90). John Wesley observou em suas notas do NT que há um duplo ofício do Espírito Santo, para com o mundo (Jo 16.8) e para com os crentes (Jo 16.12). Na esfera do mundo o Espírito convence todos os que não lhe resistem obstinadamente, por meio da pregação e milagres, a respeito do pecado, da justiça e do juízo. Wesley coloca como padrão deste ofício a ação do Espírito registrado no livro de Atos. Adam Clarke acrescenta que este convencimento esclarecerá plenamente estes assuntos (i.e. pecado, da justiça e do juízo) na mente dos simples de coração e calará os adversários (e.g. At 2, em especial o discurso de Pedro em 2.14-36 mostra este ofício do Espírito, o que resultou no batismo de três mil pessoas). Também elucida que os primeiros a receberem esta influência fora a nação judaica e depois os gentios. Daniel Whedon nos lembra de que esta influência não é mera emanação divina, mas a própria terceira pessoa da Trindade operando ativamente no homem, dissipando a sua incapacidade natural e demonstrando as coisas de Cristo para a alma humana. A zona de operação do Espírito é o mundo caído, ele o convence através da sua gentil relação com o livre espírito volicional dos homens.

Sobre o verbo convencer (ἐλέγχω), ele neste versículo é um futuro, indicativo, ativo. Provavelmente a melhor classificação deste futuro é o futuro preditivo, o qual indica que algo acontecerá ou está por vir (cf. WALLACE, 2009. p. 568). Strong compreende que o uso do verbo ἐλέγχω significa acusar/provar que alguém está errado (Cf. Bíblia de Estudo Palavras-Chave. #1651). Já o Comentário Bíblico Beacon afirma o seguinte:

A obra do Espírito Santo, quando ele vier (lit., “aquele, ao vir”, 8), é cuidadosamente exposta para que os discípulos a entendam. Ele convencerá (“condenará”, ASV; “trará convicção”, Weymouth; “convencerá”, Phillips; “repreenderá”, Tyndale). Nesta variedade de traduções, fica evidente que a palavra grega elegxei possui dois significados básicos: “convencer”, no sentido de provar ou demonstrar, e “condenar”, no sentido de reprovar, corrigir ou castigar. “A palavra é quase equivalente à palavra “expor”, que tem precisamente o mesmo duplo sentido: exibir para a apreciação pública, explicar, desmascarar, mostrar, expressar reprovação”.

Já vimos como a obra do Espírito é o seu testemunho do Filho (15.26) — sua função de ensinar e lembrar as palavras e ensinos de Jesus (14.26) — e a força interior constante e permanente que Ele é para o crente (14.16-17). Mas neste papel Ele alcança o lado exterior do círculo de crentes até o mundo (8). No entanto, observe que Ele alcança o mundo somente quando vem aos crentes. E operando através dos crentes que o Espírito está convencendo e condenando aqueles que não crêem, aqueles que estão em rebelião contra Deus. Ele os convence do pecado, da justiça, e do juízo. (Comentário Bíblico Beacon. vol 7. p. 133 – Grifo meu)

Com base nestes dados levantados entendemos que o ofício do Espírito Santo na persuasão do ser humano começa pela Lei, a qual o acusa da sua situação espiritual de pecador. Este convencimento operado pelo Espírito está profundamente ligado à pregação da palavra e ao dom profético (profecia proclamativa), portanto, trata-se de um evento extremamente dinâmico que visa o arrependimento para salvação. Contudo, a nação judaica não recebeu o Messias que lhes fora enviado (Jo 1.11). Estevão durante a sua pregação acusa os membros do Sinédrio de resistirem ao Espírito Santo assim como os seus predecessores resistiram aos profetas (At 7.51-53). Portanto, a evidência bíblica nos leva a compreender que o Espírito Santo através a pregação está persuadindo a todos os ouvintes que eles estão em pecado e precisam se arrepender. Porém, esta obra pode ser resistida de tal forma que ouvinte não será regenerado e salvo devido a sua incredulidade. A acusação divina, mediante a igreja (que é o grupo dos que creram), expõe o pecado do mundo em ser incrédulo diante da mensagem do Evangelho, não aceitar o Messias enviado, ignorar o chamado do Espírito Santo.

Em suma, certamente o Espírito Santo não falha em convencer alguém a respeito do pecado, todavia isto só nos diz sobre o lado divino dessa questão. O lado humano, conforme a Escritura nos aponta, pode resistir a esta persuasão e por fim não admitir realmente que precisa se arrepender para salvação. (Luis Henrique)

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

Não entendo que o Espírito Santo falharia em convencer alguém do pecado, se esta pessoa, primeiramente convencida por Ele, viesse posteriormente a praticar a apostasia. Ora, caso isso ocorresse, a “falha” não estaria (e jamais estará!) no Espírito Santo e na Sua capacidade de convencimento, mas sim na pessoa que, depois de conhecê-lo, resolve, de forma deliberada e sistemática, abandoná-lo. A falha sempre está em nós e nunca em Deus. (Carlos Vailatti)

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

O Espírito de Deus não age com força e violência para vergar a vontade humana, e nem a graça faz uso de um poder corrosivo para atrair pessoas á Deus. Não diz: “vinde a mim” de modo a deixar quem é chamado sem escolha. Até os apóstolos ouvem de Jesus: “vocês também não querem se retirar?”. Os judeus, de um modo em Geral, sempre resistiram ao Espírito Santo. Por isto Jesus lamentou dizendo: “Quantas vezes como a galinha ampara seus pintinhos eu quis amparar vocês, mas vocês não quiseram” – embora Jesus quisesse salvá-los, eles se recusaram a ser salvos. Veja Isaías 5!
A salvação e pela graça mediante a fé! Compete ao homem exercer fé e não endurecer o seu coração.
Um abraço! (Ildo Mello)

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

A pergunta sobre o ES falhar tem uma resposta mais ou menos assim, o ES não falha, pois ele “convence”, mas o convencimento não é persuasão forçada. Se convencer for a anulação da vontade de todas as pessoas, portanto, uma das maiores indagações feitas contra o calvinismo e que nenhum calvinista consegue responder é – Então por que Deus podendo, pois está dentro de seus poderes, não convence o mundo inteiro do pecado? Já que Deus diz que quer que todos se salvem? (Wellington Mariano)

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

Então ele falha sempre, porque mesmo os eleitos pecam. Mas ninguém admite que Deus possa falhar. Por isso, não se trata da ineficácia do Espírito, mas de nossa obstinada rejeição á sua obra de Santificação. Se um mendigo rejeita sua esmola, não se pode dizer que a esmola foi “ineficaz” ou “falha”, mas que apenas o mendigo não usufruiu corretamente dela. (Lucas Martins)

O Espírito Santo Falha em Convencer alguém do pecado?

Mas isto é tão falso quanto dizer que a pregação do Evangelho, que apesar de endereçada a todos, falha porque alguns a recusam… Ou que Jesus tenha falhado por querer reunir em Si todos os filhos de Jerusalém, mas eles não quiseram… Ou que Deus tenha falhado porque todos os dias Ele estende Suas mãos em favor de Israel rebelde que O recusa. (Robert Shank, Eleitos no Filho, Pg 73)

O Espírito Santo Falha em Convencer alguém do pecado?

“O ES não falha em convencer ninguém. Mas só pode convencer quem o permite falar. Se o Espírito Santo falhasse em convencer alguém, a falha seria total. Uma vez que ele convence o MUNDO do pecado, da justiça e do juízo. A questão é que esse convencimento não é, de forma alguma, um meio de coerção.” (Alcino Junior).

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

“Uma pessoa convencida que está errada não necessariamente aderirá a algo. Quantas vezes há casos de pessoas que são convencidas de algo, mas, por orgulho, não aceitam que estão erradas?” (Marlon Marques)

O Espírito Santo falha em convencer alguém do pecado?

“Sobre a primeira é uma petição de principio calvinista. ATOS 7v51 mostram homens resistindo ao Espírito Santo. A QUESTAO é que Deus decidiu que a salvação se daria de modo livre.” (Anderson de Paula)

2ª Objeção

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Deus é amor. Ponto. Deus é relacional. Ponto. O amor precisa ser relacional. A trindade é onde o amor relacional se dá com perfeição. Deus quis e quer expandir esse amor relacional com suas criaturas, os seres humanos, mas isso de maneira relacional, ou seja, através de um relacionamento real e genuíno.

Amor relacional é diferente de amor compulsório, obrigatório. Isso é o mesmo que dizer que só podemos amar a quem nos ama de volta, caso amemos alguém e a pessoa não nos ame, podemos dizer que nosso amor não é real pelo fato dele não ser correspondido? O que Deus quis dizer ao pedir que amemos nossos inimigos? Nossos inimigos não são pessoas que, via de regra, não nos amam de volta? Se Deus tem inimigos que não o amam, logo, podemos dizer que o amor de Deus, então, é insincero para com seus inimigos.

(Wellington Mariano)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Deus não salvar alguém não significa que Ele nunca a amou ou que Seu amor seja fingido. As Escrituras afirmam que Deus amou o mundo (Jo.3:16) que no contexto representa toda a humanidade caída e conforme o testemunho do mesmo livro Sagrado nem todas as pessoas serão salvas por causa da permanente incredulidade e não pela falta de amor divino.

A Bíblia afirma para nós que Deus prova o Seu amor tendo morrido por nós enquanto nós ainda éramos pecadores (Rm. 5:8). Isto é, A morte de Cristo por nós é a prova de que Ele nos ama e a Bíblia Sagrada firma que Ele morreu por todos (II Co. 5:15), que Ele morreu pelo mundo (Jo. 1:29), morreu pelos ímpios (Rm. 5:6), morreu pela igreja (Ef. 5:2), morreu até pelos falsos profetas e mestres (II Pe. 2:1), morreu também por todos os homens (I Tm. 2:1-6) ainda que nem todos serão salvos (Mc. 16:16).

O texto de Oseias capítulo 11 também é um clássico exemplo da possibilidade de Deus amar alguém e mesmo assim essa pessoa ou grupo de pessoas perecerem. Vemos Deus claramente afirmando que atraiu com amor a Israel daquela época e mesmo assim eles pereceram nas mãos dos Assírios por causa da incredulidade:

“Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho”.

Mas, como os chamavam assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins, e queimavam incenso às imagens de escultura.

Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava.

Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e lhes dei mantimento.

Não voltará para a terra do Egito, mas a Assíria será seu rei; porque recusam converter-se.

“E cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ramos, e os devorará, por causa dos seus próprios conselhos.”

Oséias 11:1-6. (Luís Felipe Borduam)

Se Deus ama e não Salva, então é um amor fingido?
Deus “não salva” aqueles que escolhem não amá-lo. Jesus foi claro o suficiente sobre essa questão em João 3:16-18: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – mundo é mundo, não mundo dos eleitos. Quem negar isso está com o ônus da prova para mostrar que tal coisa é verdadeira, se puder – “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” – Jesus não veio para condenar ninguém, a condenação é consequência da escolha humana – “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” – a Bíblia não diz que “porquanto está condenado (por certo decreto arbitrário na eternidade), não crê no nome do Filho”, mas sim “já está condenado, porquanto não crê no Filho”. Além disso, quem afirma que Deus não ama alguns, mas somente os eleitos, deve explicar como pode Deus não expressar seu amor para alguns, visto que amor não lhe é um acidente, mas sim uma propriedade essencial (1Jo 4:8). Outros diriam que Deus ama os réprobos, mas não a ponto de salvá-los. Bom, esse tipo de amor aí é de gelar o sangue das veias, afinal, que valor há nele, já que “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mc 8:36)”.( Lucas Freitas )

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido.

Conforme Armínio há uma estreita relação entre o amor de Deus e a salvação da humanidade. Para Armínio este amor é melhor caracterizado como “amor duplo” de Deus, isto é, amor tanto pela criatura quanto pela sua justiça, unidos eles geram uma reação divina contra o pecado. Portanto, Deus requer satisfação destes “amores” como reação ao pecado, a satisfação do amor a humanidade pecadora foi realizada através da entrega do seu Filho como a vítima sacrifical pelo pecado dos homens; já a satisfação da sua justiça se deu ao entregar Cristo como Mediador e intercessor dos pecadores pela aspersão do seu sangue (ARMÍNIO, 2015. vol 1. p. 501-502). Assim sendo o que Armínio faz é distinguir o ofício de Cristo como vítima sacrificial e sacerdote, estes ofícios são a resposta de Deus ao problema do pecado.

Na teologia contemporânea há também uma distinção similar, a saber, salvação/soteriologia objetiva e salvação subjetiva. A primeira trata daquilo que Deus fez por nós (i.e. humanidade; a raça humana), e a segunda daquilo que Deus faz em nós (indivíduos). Ambas se referem a obra de Deus, contudo a primeira possui um sentido factual e a segunda experimental. De modo que a obra que Cristo consumou no Calvário diz respeito somente a redenção objetiva enquanto que a administração dela ao Espírito Santo (POPE, 1879. Vol 2. p. 97). Armínio também fala sobre estes aspectos objetivos e subjetivos da salvação, por exemplo, ao criticar o entendimento de William Perkins, ele afirma que Cristo obteve redenção eterna para todos, mas a sua aplicação se dá apenas através da fé (cf. ARMÍNIO, 2015. vol 3. p. 426).

Em John Wesley o “duplo amor” de Deus também é encontrado sob a forma de “amor-santo”. O amor de Deus não é abstrato nem indulgente, ele reflete os tributos e a qualidade moral de Deus. Isto é, Deus não ama injustamente e nem é justo sem amor! Se por um lado a santidade de Deus requer distância do pecado, o amor busca comunhão, como resultado disso temos um Deus missionário que entra no mundo para salvação (COLLINS, 2010. p. 38-41). Tal como Armínio, Wesley não entende que haja contradição entre o amor universal de Deus e a sua justiça/santidade.

Pope nos diz que:

“… Como a reconciliação, a redenção é objetiva e subjetiva: objetivamente, a raça está redimida; a provisão está feita para a libertação subjetiva de cada homem da sentença da lei, o poder do pecado, e todas as consequências da transgressão. Por isso a redenção é tanto universal quanto parcial ou limitada. …” (POPE, 1879. Vol 2. p. 288)

No Evangelho de João encontramos de forma bem explícita estes aspectos soteriológicos objetivos e subjetivos. João Batista afirma que Jesus é a vítima sacrificial que “tira” (expia) o pecado do mundo (Jo 1.29), evidentemente João Batista conhecia muito bem o sistema sacrificial judaico e vê em Cristo a provisão universal contra o pecado. Porém, como o próprio Armínio pontuou, há diferença entre a oblação do sacrifício e a aspersão do sangue (ARMÍNIO, 2015. vol 1. p. 500-501). Jesus declara em João 3.16 que o resultado ou consequência (ὥστε) do amor universal de Deus é a salvação de todo o que crê no Filho (cf. WALLACE, 2009. p. 677). Notavelmente, observa-se que este amor salvífico possui a condição da fé para ser experimentado pelos indivíduos e a vontade de Deus é que todos experimentem a salvação através da fé (1Tm 2.4, 4.10). Portanto, o aspecto universal da salvação se refere ao lado objetivo dela e o aspecto limitado ao lado subjetivo; embora haja suficiência de salvação ela só é experimentada pelo crente em Jesus.

Em suma, não há incoerência entre a extensão universal do amor salvífico de Deus e a sua experienciação através da fé. O “duplo amor” de Deus ou “amor-santo” é uma advertência que embora Deus ame a cada ser humano, ninguém pode experimentar este amor em seus próprios termos. Pelo contrário, quem quiser provar o amor de Deus e começar uma relação de amizade deve se submeter às condições postas por ele, a qual é a fé em Jesus Cristo.  O brado de Jesus na cruz “está consumado” ecoa para todo o cosmos o amor de Deus pela humanidade caída em pecado, não há dúvida que ele ama sinceramente cada criatura sua. Então, se algumas pessoas não se salvam não devemos questionar o amor de Deus, mas sim a sinceridade dos homens em responder com fé a obra de amor realizada por Deus na cruz.

(Luis Henrique)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

No meio do fogo cruzado entre calvinistas e arminianos, uma pergunta se faz necessária: Se Deus ama e não salva, Seu amor é fingido?

A Bíblia certamente fala do amor de Deus em extensão e intensidade ilimitadas: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

No meio calvinista, há duas formas de interpretar o amor de Deus a fim de conciliá-lo com a ideia fatalista da predestinação absoluta. A primeira é negar o seu amor universal, restringindo os termos abrangentes da Bíblia, como “mundo” e “todos os homens”, a “mundo dos eleitos” e “todos os tipos de homens”. A segunda abordagem é aquela que diz que “Deus ama a todos, mas não da mesma forma”. Assim, Deus tem pelos eleitos amor salvífico, e pelos demais um amor menor do que esse, disposto a lhes conceder todas as bênçãos temporais, mas não a salvação eterna.

John Piper explica: “Eu amo todas as mulheres, mas amo minha mulher de maneira especial que vai muito além do meu amor por todas as outras mulheres. Assim é o amor de Deus pelos eleitos e os réprobos. Ele ama a todas as pessoas, mas ele não as ama de maneira igual”.

Embora a analogia seja atraente, ela é terrivelmente falha. Quando eu digo que amo de maneira especial a minha esposa, mas que eu amo de outra maneira as demais mulheres, devo amá-las ao ponto que lhes querer o bem, e evitar que qualquer mal se lance sobre elas. Pelo menos, estando ao meu alcance, devo fazer tudo para evitar a dor e o sofrimento em suas vidas. Mas

amor de Deus para com os réprobos, como observou Austin Fisher, lança sobre eles o maior sofrimento que uma alma humana pode experimentar: a condenação eterna no inferno! E isso foi assim determinado pelo próprio Deus…

O Deus revelado nas Escrituras não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.23, 32; 33.11), ordena que amemos os nossos inimigos (Mt 5.44) e questiona o quanto vale ganhar o mundo inteiro e perder a alma (Mc 8.36). Como confiar em um Deus que diz não ter prazer na morte do ímpio, quando Ele mesmo criou o ímpio para condená-lo? Como confiar em um Deus que ordena que amemos os nossos inimigos, quando Ele mesmo não ama a todos? Como confiar em um Deus que diz que nada vale conquistar bênçãos temporais e se perder eternamente se ele ama grande parcela da humanidade com um amor que dá justamente bênçãos temporais, mas nega-se a dar a vida eterna?

Diante dos questionamentos acima, cabe-nos perguntar juntamente com Dave Hunt: Que amor é este? (Thiago Titillo)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?
“A reciprocidade não é um requisito para que o amor seja verdadeiro. E Deus só salva quem corresponde ao seu amor” (Alcino Júnior)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Deus amar não quer dizer forçar. Esse é o mesmo entendimento de maníacos (desculpe a comparação). Se minha mulher me ama porque eu mudo a vontade dela, o amor que ela sentirá por mim não será verdadeiro.

(Marlon Marques)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Deus tanto ama quanto salva, e, portanto, o Seu amor é verdadeiro. O Seu amor jamais poderá ser fingido, pois o fingimento implica mentira, e Deus, como Verdadeiro que é jamais pode mentir (Nm 23:19; Hb 6:18). A questão é a seguinte: Deus “não quer que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9). Porém, Deus não deseja que a Sua vontade (de ver todos arrependidos e salvos) seja imposta goela abaixo nas pessoas. Portanto, a Sua salvação só é conferida a “todo aquele que crê” (Romanos 1:16). Deus decretou desde a eternidade passada salvar somente aqueles que cressem em Seu Filho, de modo que aqueles que perecem, perecem não porque Deus não os amou, mas sim porque não creram no remédio que Ele proporcionou para a doença do pecado, a saber, Cristo. (Carlos Vailatti)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Sobre a segunda, é um problema para o calvinista e não para o Arminiano, No calvinismo Deus simplesmente não quer salvar. No Arminianismo Deus ama a todos, mas não vai obrigar ninguém a se salvar. A bíblia diz que teve um jovem rico que Jesus o amou, mas esse jovem rico rejeitou O amor de Cristo. Se o Calvinismo estivesse certo esse amor de Jesus seria fingido. Na verdade a pessoa não vai para o inferno, pois Deus não a ama, mas sim, por rejeitar o amor de Deus oferecido na Cruz. Caso o calvinismo estivesse certo, Deus estaria fingindo ao falar que não tem prazer na morte do ímpio.

(Anderson de Paula)

Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido?

Isso mais parece uma crítica ao conceito Calvinista de “graça comum”. Segundo D.A Carson, é possível dizer aos perdidos que Deus os ama, todavia que os ama no sentido não-salvífico do termo. Ele ama a todos no sentido de providenciar bênçãos materiais, sol, chuva, prosperidade, mas só ama os eleitos no sentido de oferecer salvação. Sendo Assim, a crítica feita ao Arminianismo se aplica ao Calvinismo: “Se Deus ama e não salva, então é um amor fingido”. O fato de o amor de Deus poder ser recusado não implica que o amor seja fingido. Por exemplo, se um mendigo rejeita sua esmola, significa que foi uma “esmola fingida”? É óbvio que não. Essa crítica se for feita ao Arminianismo, não faz o menor sentido. (Lucas Martins)

3ª Objeção

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça.

A graça conforme o dicionário bíblico Wycliffe e a convenção geral sobre o significa do termo é “favor imerecido”. Portanto, se respeitarmos o significado conceitual das Escrituras para a palavra “graça”, desde que a pessoa não mereça, isto é, não haja méritos suficientes nela para a obtenção de tal favor, ainda que ocorra cooperação em nada se macula a graça.

Por exemplo, semanalmente em nossa igreja é levado café da manhã para moradores em situação de rua e até viciados, prostitutas, travestis se beneficiam desta caridade. Alguns se recusam a receber tal cuidado e outros estendem a mão e agradecem. Ainda que haja a participação deles no estender de mãos e o receber o kit de café da manhã isto não significa que eles merecem ou que a graça que eles receberam ao aceitar foi anulada. Muito pelo contrário, a graça foi estabelecida e aplicada quando os mesmos a receberam.

De modo similar acontece com a fé. Conforme Romanos capítulo 5 versículo 2, pela fé (o ato de receber) vemos a graça sendo estabelecida e aplicada em nós. Isto é, a fé estabelece a graça.

Mesmo após provarmos que a cooperação humana em nada anula a graça de Deus, mesmo assim, se faz importante destacar que a cooperação humana no processo salvífico nunca é iniciado pelo ser humano, pois é Deus quem o atrai primeiro (Jo. 12:32; Rm. 5:8) e depois dessa ação primeira de Deus o máximo que o homem é capacitado a fazer é responder com arrependimento e fé assentindo com sua vontade a obra que o Espírito Santo está a fazer. Se trata de um render-se, um ato de reconhecimento de sua total dependência e necessidade da graça salvífica conquistada por Cristo já que por seus próprios esforços ele reconhece que é incapaz de obter tamanha salvação.

(Luís Felipe Borduam)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a Graça?
Arminius já deu exemplo bom o bastante: se eu der dinheiro a um mendigo, há algum mérito no mendigo em estender a mão e recebe-lo? Esse ato é menos gracioso caso ele estenda a mão por vontade própria? O ato de receber o dom de Deus não é meritório: o requisito era cumprir toda a justiça, sem falhas, mas Deus estabelece que, contanto que eu o receba, ser-me-á dado o poder de ser feito filho de Deus (Jo 1), por meio da expiação de seu sangue. Creio que o texto de Atos 2:37-38, que conta o discurso de Pedro após receber o batismo com o Espírito Santo,  é bem ilustrativo:
“Quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que faremos? “Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.”
Se Pedro fosse um calvinista sincero, a resposta à pergunta dos israelitas seria um sonoro “nada”. Além disso, o dom do Espírito Santo não deixou de ser dom por que os israelitas deveriam se arrepender. Deus nos dá iluminação para que possamos negar a si mesmo, se arrepender e segui-lo, mas é eu que, sob este auxílio da graça, que me nego, arrependo-me e o sigo.

(Lucas Freitas)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?

A “cooperação”, que só pode ser feita através da capacitação de Deus, é a responsabilidade do homem. Se o homem não participa em nada, logo, ele não pode ser responsabilizado por nada também. (Wellington Mariano)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça.

            Antes de responder esta questão é necessário entender do que se trata a cooperação com a graça na teologia arminiana e depois analisar o que alguns textos bíblicos dizem a este respeito. O teólogo arminiano Roger E. Olson sintetiza muito bem este conceito ao dizer que:

“A cooperação não contribui para a salvação, como se Deus fizesse uma parte e os humanos a outra. Antes, a cooperação com a graça na teologia arminiana é simplesmente a não resistência à graça. É simplesmente a decisão de permitir que a graça faça sua obra ao renunciar a todas as tentativas de autojustificação e autopurificação e admitindo que somente Cristo pode salvar.” (OLSON, 2013. p. 46-47)

Portanto, o que inicialmente podemos observar é que a cooperação humana com a graça se trata apenas da não resistência a sua ação. Isto é, o homem contribui passivamente com Deus visto que em seu estado de depravação nada pode fazer qualquer coisa ativamente para sua salvação. Olson esclarece em outros pontos do seu livro Teologia Arminiana que a cooperação com a graça provém da própria graça (e.g. p. 197) e devido a isto devemos distanciar o sinergismo evangélico arminiano de outros tipos de sinergismo que não atribuem exclusivamente a graça de Deus o começo, progresso e consumação da salvação. Assim sendo a graça e a vontade humana embora cooperantes não cooperam em termos iguais, a graça sempre possuirá a primazia (OLSON, 2013. p. 223).

Então, se é pela graça que se coopera com a graça, logo a cooperação com a graça não a anula, pelo contrário, a estabelece! Jacó Armínio chama a atenção dos seus oponentes que, por exemplo, a recepção da fé como dom divino não envolve o entendimento meritório que o homem deva fazer ativamente alguma coisa a fim de mover Deus a operar o resto. Usando a analogia de um mendigo a receber esmolas de um homem rico, Armínio demonstra que o ato do homem rico em dar esmola não dependeu de qualquer mérito do mendigo, mas exclusivamente da sua bondade como doador. Receber um presente imerecido jamais poderá ser considerado um ato meritório (ARMÍNIO, 2015. p. 330). Certamente forçar o recebimento de uma esmola/presente é um ato de violência e não de bondade, então é próprio da graça não determinar ou impor uma escolha sobre o seu objeto.

Entendido que a cooperação com a graça é simplesmente não resistência a ela e que só podemos cooperar com ela através dela, alguns textos bíblicos podem ser analisados. Paulo, por exemplo, advertiu aos coríntios que não recebessem em vão a graça dispensada a eles por Deus (2Co 6.1). A salvação outrora recebida poderia não produzir (cf. Mt 13.22) o fruto desejado se eles não continuassem a cooperar com a graça. Para o apóstolo Paulo não há um botão de piloto automático no relacionamento com Deus nascido em Cristo (Comentário Bíblico Beacon. vol 8. p. 437). Há um perigo real dos cuidados do mundo sufocarem a semente da Palavra plantada em nós por Deus! Além de não cooperar com a graça recebida o homem também pode se recusar a não receber a graça, o evangelista Lucas registra certo episódio onde fariseus e doutores da lei rejeitaram o plano salvífico de Deus para eles recusando o batismo de João Batista (Lc 7.30). Posteriormente, Lucas também registra outro exemplo de resistência a graça no discurso de Estevão no Sinédrio, o qual disse aos fariseus “vós sempre resistis ao Espírito Santo”(At 7.51). Portanto, embora o Espírito oferecesse salvação para estas pessoas elas mesmas não quiseram receber o dom da vida eterna resistindo a mensagem que lhes foi apregoada.

Desta forma, podemos concluir que quer seja aceita ou rejeitada a graça, a cooperação com ela não a anula, pois é característico da graça libertar, iluminar, influenciar e convencer; contudo jamais determinar ou impor um resultado em seu objeto. Seria uma verdadeira desgraça para o caráter divino a compreensão da graça como violentadora da vontade da criatura que foi criada a imagem e semelhança de Deus. Tal imagem da graça como podendo ser resistida pelo homem não provém de um suposto antropocentrismo, mas da identificação do caráter de Deus revelado nas Escrituras. Esperamos que todos recebam a graça e frutifiquem desenvolvendo a salvação sabendo que Deus opera em cada um de nós, mas não no piloto automático (Fp 2.12-13). (Luis Henrique)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?

Qualquer cooperação humana só é possível pela graça. Então, a cooperação humana (fé) não pode anular a graça. Fé não é uma obra, mas é a livre aceitação da obra gratuita e dos méritos de Cristo. Suponha que uma mãe dê um presente ao seu filho, trabalhei tanto pra comprar! — Filho, Eu que trabalhei e te dei esse presente. Você só aceitou. — Mas meu professor de EBD é Calvinista, e ele disse que aceitar um presente equivale a trabalhar por ele… (Lucas Martins)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?

Uma objeção comumente feita pelos calvinistas à soteriologia arminiana é que a participação humana na resposta ao convite da salvação lança por terra o princípio sola gratia. Afinal, o pecador teve o mérito de escolher corretamente. Mas será que qualquer brecha para a cooperação humana anula a salvação pela graça?

Certamente a Bíblia enfatiza a salvação pela graça: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).

A ideia de cooperação, expressa pela palavra sinergismo (do grego: σύν ,“juntamente”; e ἔργον, “trabalho”), pode ser mal compreendida. No sistema arminiano, ela não pretende transmitir a ideia de que Deus faz uma parte da obra da salvação, deixando ao homem o encargo de outra parte. Não. Não é isso que o arminianismo ensina. Por isso, isso, diferenciamos o arminianismo de outras formas de sinergismo acrescentando a expressão “evangélico”: sinergismo evangélico.

Cooperar, no entendimento arminiano, é apenas consentir livremente. Não é fazer algo, mas receber algo. O próprio Armínio explicou isso através de uma analogia em sua Apologia contra trinta e um artigos difamatórios:

“Um homem rico concede, a um mendigo pobre e faminto, esmolas com que ele pode sustentar a si mesmo e à sua família. Isso deixa de ser um presente puro, porque o mendigo estende a mão para recebê-lo? Pode-se dizer, com propriedade, que ‘a esmola dependeu, em parte, da liberalidade do doador, e parcialmente da liberdade do recebedor’, embora o último não tivesse tomado posse da esmola, a menos que a tivesse recebido, estendendo a mão? Pode-se dizer, corretamente, porque o mendigo está sempre preparado para receber, que ‘ele pode ter a esmola ou não, conforme quiser?’ Se essas afirmações não podem ser feitas, verdadeiramente, sobre um mendigo que recebe esmolas, muito menos podem ser feitas a respeito do dom da fé, para cujo recebimento são necessários mais atos da graça divina!”.[1]

Certamente o mendigo não pode se gloriar de ter recebido a esmola, devido à sua escolha livre. O crédito é todo do doador, e não do recebedor. O ato de receber um dom pela fé não é mais meritório do que o de um mendigo recebendo ajuda.

E a Bíblia insiste no fato de que o homem deve consentir livremente com a oferta graciosa de Deus para receber a salvação (Jo 1.11-12; 5.40; Ap 22.17).

(Thiago Titillo)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?
Se essa objeção for verdadeira, teremos que assumir que as atitudes humanas não têm efeito sobre a Graça, se assumirmos isso, Deus terá que salvar a todos os homens.

(Alcino Júnior)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?
A graça não implica que a cooperação humana a invalida. Se alguém oferece esmola a um mendigo, e o mendigo aceita a esmola, a graça exercida pela pessoa é anulada porque o mendigo decidiu querer a esmola?
Essas objeções calvinistas são falhas.

(Marlon Marques)

             Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?
A fé humana não anula a graça divina, pois a fé não é considerada uma obra. Em Romanos 4:5, o apóstolo Paulo contrasta a fé com as obras ao dizer que “aquele que NÃO PRATICA [uma obra], PORÉM CRÊ naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”. A salvação é uma obra exclusiva de Deus e não do homem. Ao homem compete apenar “receber” tal obra divina pela fé. Portanto, o mérito da salvação só pode ser de Deus e jamais do ser humano.

Em suma, quaisquer acusações feitas contra o Arminianismo nos termos que você mencionou são absolutamente infundadas.

Abraços!

(Carlos Vailatti)

Qualquer brecha para cooperação humana anula a graça?

Sobre a terceira não é verdadeira. O homem sozinho não pode se Salvar para isso ele precisa que a graça chegue primeiro. Porém a função da graça é libertar o arbítrio. Assim o homem pode responder ao chamado do evangelho. O fato de a graça poder ser resistida não a anula, pois Deus decidiu que a salivação se daria assim. Veja que a graça possibilita a fé, mas Deus não vai crer por nós. A bíblia diz para não receber a graça de Deus em vão e mostra várias pessoas resistindo à graça de Deus. O problema das declarações que me apresentou, é que isso é uma petição de principio calvinista.

(Anderson de Paula)

Respondias por: Carlos Vaillati, Ildo Mello, Luis Felipe Borduam, Thiago Titillo, Wellington Mariano, Luís Henrique, Lucas Martins, Anderson de Paula, Marlon Marques, Lucas Freitas, Alcino Júnior, Robert Shank.

(A Ordem dos nomes não está relacionado á nenhum critério, a ordem das respostas é igualmente aleatória)

Este post é fruto de Conversas que tive com esses teólogos através das redes sociais (Exceto Robert Shank), ou seja, as respostas se originaram em um ambiente informal, e não tem por objetivo ter a rigidez de um texto acadêmico.

O Compilado das Respostas estará disponível para Download, Bom Estudo.

Compilado por Filipe Elias

[1] ARMÍNIO, Artigo XXVII (VII). In: As Obras de Armínio. Volume 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 330.

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