Nessa
última segunda, um cineasta americano de nome James Cameron apresentou
artefatos que, segundo ele, podem ter vindo da tumba de Jesus. Nesta,
haveria também os restos mortais de Maria Madalena e do filho deles, Judá
(fonte: O Globo). Como se trata de algo que vai de encontro à essência da
fé cristã, pois o cristianismo é uma religião estribada na história,
especialmente alicerçada no fato da ressurreição de Cristo, penso que a
tentativa de destruir a fé cristã, feita por este cineasta e sua equipe,
demanda uma resposta. Permita-me expressar em poucas palavras o meu ponto
de vista sobre o assunto.
A facilidade com que estes homens foram levados a crer é espantosa. Sim,
porque há fé no que eles estão dizendo. Eles crêem em Cristo. Só que num
Cristo que não venceu o maior inimigo da humanidade, que se chama morte.
Eu mesmo, para me tornar cristão, tive que contar com uma sorte muito
maior de evidências do que eles. Se os critérios que eles estão usando
para descrer fossem usados por eles para, de um modo imparcial, avaliar os
argumentos do cristianismo quanto a sua confiabilidade histórica, há muito
estes homens teriam se tornado cristãos.
Ora, com base nos achados desta tumba eles chegaram a seguinte conclusão:
os nomes que aparecem nos ossuários correspondem exatamente aos
personagens históricos descritos na Bíblia. Este cineasta, num passo
gigantesco de fé sem vínculo algum com a razão, afirma que há indícios de
que ali encontram-se os ossos de Cristo, Maria, José, Maria Madalena e um
certo Judá.
Ora, há formas diferentes de conhecimento que exigem metodologias
diferentes de aferição da verdade. Uma espécie de verdade é a que conheço
mediante uma análise feita num tubo de ensaio. Outra se relaciona ao que
só pode ser conhecido mediante ao raciocínio puro - as chamadas verdades
da metafísica. Uma categoria diferente de verdade é a de natureza
histórica. Esta exige a presença de evidência histórica. Os fatos
históricos devem estar bem atestados.
Bom, tudo o que precisamos saber quanto ao que foi dito é: como saber que
os nomes (comuníssimos na cultura judaica dos dias de Jesus) correspondem
aos nomes mencionados no Novo Testamento? Qual a evidência de que a
família de Jesus, que morava no norte de Israel, na cidade de Nazaré,
desceu para Jerusalém onde foi “achada” enterrada? Com base em que podemos
negar a credibilidade dos depoimentos das testemunhas oculares da morte e
ressurreição de Cristo, conforme o relato dos documentos históricos do
Novo Testamento? Como a história da ressurreição surgiu, se espalhou e
levou suas testemunhas a darem a vida pela sua mensagem? Sabemos que
pessoas podem dar a vida por uma mentira, por pensarem que não estão
enganadas. Mas, dar a vida por uma mentira sabendo que é mentira? Eles
diziam que tinham visto Cristo ressurgir dentre os mortos e tocado no seu
corpo. Este é o tipo de coisa acerca da qual não dá para se enganar,
especialmente quando se trata do testemunho de várias pessoas. Isto posto,
pediria que você considerasse os seguintes pontos:
1. Todo aquele que com base na linha de argumentação desses homens crê que
Jesus foi um personagem da história, e que seus ossos foram encontrados
naquela tumba, será forçado por uma questão de honestidade intelectual, a
considerar os argumentos cristãos quanto à historicidade de Cristo e da
sua ressurreição. Estes homens estão crendo (ou descrendo) com base em
dados que jamais seriam suficientes para levar uma pessoa inteligente à fé
(ou à descrença). Eu jamais acreditaria em alguma coisa que viesse
acompanhada de bases intelectuais tão frágeis.
2. Por que toda esta tentativa recente de desconstruir o cristianismo?
Será que a natureza da sua mensagem não é a causa de tanto desejo de
destruí-lo? Não se tem dado o tratamento que é dado a Cristo a outros
personagens da história. Somente uma forte pressão inconsciente para nos
fazer negar o que é ensinado pelo cristianismo. Reconheço que, para os de
nossa raça, é difícil conviver com declarações do tipo: “Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo”; “Vós que sois maus”; Dá a quem te pede”; “Amarás
ao Senhor teu Deus de todo coração”; “Arrependei-vos”; “Reconcilia-te com
teu irmão”; “Quem olhar para uma mulher com intenção impura no seu coração
já adulterou com ela”. Certamente, se Cristo corroborasse nossas taras não
seria tão irracionalmente atacado.
3. Destruir essa história de amor revelada pelo evangelho em nome de fama,
dinheiro e liberdade para pecar é arrancar da vida aquilo que neste mundo
de velhice, doença, dor, miséria e morte pode nos dar esperança.
Em todas as religiões o homem é levado a conduzir suas ofertas à divindade
a fim de comprar o seu favor. Muitas vezes para negociar com o seu deus o
homem chegou até mesmo ao ponto de oferecer um filho em sacrifício. O
cristianismo é a única religião na qual o ofertante não é o homem e sim o
Criador. Um Deus que traz nos seus braços o corpo ensangüentado do seu
Filho, a fim do homem poder se reconciliar com aquele contra quem pecou
tão gravemente. Não há história de amor mais bela. A prova da sua origem
divina é a sua excelência. Ela supera tudo o que os seres humanos têm
falado em termos de religião. Se há um caminho que reconduz o ser humano
ao seu Criador só pode ser esse, em razão da sua beleza.
Um ser malvado como o homem jamais conseguiria construir um conceito tão
apaixonante de Deus. Sua culpa não permitiria crer num Deus que em vez de
exigir o sangue do homem para satisfazer sua justiça, exigisse o sangue do
Seu próprio Filho. Sua maldade não o conduziria a conceber um Ser
moralmente tão belo e para cujo encanto moral não há paralelo nas relações
humanas. Seu orgulho não o levaria a admitir que seus pecados não podem
ser apagados pelo homem, e por isso exigiram preço tão alto a ser pago
pelo próprio Deus. Em Cristo, Deus desvia sua ira do homem e a traz para
si mesmo. Quem não vê beleza nessa mensagem, prova que está cego. Sua
própria incapacidade de sentir deleite nesta declaração do amor Divino,
testemunha da sua maldade: “Os limpos de coração verão a Deus”.
4. Os cristãos não crêem mediante um salto de fé cego. Sua fé está
alicerçada na história. O que ocorreu há dois mil anos na Palestina foi
registrado por testemunhas oculares, que pregavam contra a mentira,
odiavam o engano e trouxeram ao mundo um sistema de valores morais
excelente sob todos os aspectos. Essas mesmas testemunhas registraram o
que viram e ouviram nas páginas de um conjunto de livros chamado de Novo
Testamento. Leia-o. Seja coerente. Você não leu a reportagem que procura
lançar nuvem de dúvida sobre tudo isso? Comece pelos evangelhos. Um dos
seus autores diz: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração
coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos
transmitiram o que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e
ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo
Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das
verdades em que foste instruído” (Evangelho de Lucas, capítulo primeiro,
versículos de um a quatro).
Nós, que seguimos a Cristo e disto não nos envergonhamos, cremos não
apenas por causa das evidências históricas irrefutáveis do cristianismo,
mas devido à formosura do Deus cristão, cujo amor supera tudo aquilo que
poderíamos haver concebido. Essa beleza, porém, está oculta a todo aquele
cujo coração está imundo pela maldade do seu ser e dos seus atos. Embora
ninguém se converta sem razões, ninguém se converte pela razão. Um coração
inclinado para o mal é capaz de corromper todo julgamento racional. Não
basta conhecer arqueologia para acreditar no Deus dos cristãos. Não há
razão para a fé na vida daquele que em vez de estar interessado na
verdade, está mais preocupado com a satisfação dos seus desejos egoístas.
Este não precisa de um cérebro melhor, precisa de um melhor coração. Não
carece tanto estudar arqueologia para ser levado à fé, mas sim conhecer o
seu coração para se arrepender e crer. Isto pode acontecer mediante um
encontro com Cristo, cujo corpo está à destra do Deus Todo-Poderoso, de
onde virá para julgar os vivos e os mortos. Foi isso que Ele e seus amigos
ensinaram.
ANTONIO CARLOS COSTA
PASTOR DA IGREJA PRESBITERIANA DA BARRA
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