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Uma análise de Hebreus 10.26-31

por Artigo compilado - dom jun 15, 2:39 pm

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“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10.26,27)

Que o texto fala de pessoas que foram salvas, isso é dedutível do fato de que o autor da epístola estava escrevendo a judeus convertidos, ou seja, ao povo cristão. Nos versos anteriores, por exemplo, ele diz:

“Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras” (Hebreus 10.22-24)

Corpos lavados com água pura, apego à fé que professa, incentivo ao amor e às boas obras. Tudo isso é uma linguagem referente a pessoas cristãs, que já passaram pelo primeiro estágio, o da regeneração. Elas já receberam o “pleno conhecimento da verdade” (v.26), e, para isso, era necessário que Deus lhes abrisse os olhos para que elas compreendessem a totalidade do evangelho, coisa que só ocorre com pessoas regeneradas (At.26.18).

Mesmo assim, ao invés de ele dizer a tais pessoas que elas já estavam garantidas e confirmadas na fé até o fim e que de modo algum poderiam perder a salvação, ele afirma justamente o contrário: que ainda é possível pecar voluntariamente e que, neste caso, resta-lhes apenas o fogo do juízo que lhes irá devorar. É uma linguagem forte, especialmente usada para mostrar a condenação que lhes espera em caso de apostasia.

Se aquelas pessoas não fossem salvas, teríamos que presumir que um descrente, ao ter conhecimento do evangelho e mesmo assim continuar vivendo no pecado, já não tem mais chance de salvação. Isso é irracional e nenhum teólogo (de qualquer linha) ensina isso, pois, de fato, o texto trata de pessoas já regeneradas, que, da mesma forma, podem perecer no dia do juízo, caso passem a pecar voluntariamente.

Por fim, a conjuntura indica que esses indivíduos estavam na fé, pois diz:

“Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve ‘Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele’” (Hebreus 10.36-38)

Se é possível alguém “retroceder”, é porque antes estava no caminho. Não era um descrente, mas um regenerado, convertido, alguém que estava na fé, mas precisava perseverar neste caminho até o fim e não retroceder dele. Embora alguns teólogos insistam que este “retroceder” não se refere à perda da salvação, mas apenas da recompensa, todo o contexto mostra claramente que tais pessoas não perderão apenas a recompensa, mas serão condenadas no dia do juízo. O autor de Hebreus demonstra isso ao dizer:

“Quem rejeitava a lei de Moisés morria sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’; e outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’. Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!” (Hebreus 10.28-31)

Em primeiro lugar, a analogia com a lei de Moisés já deveria encerrar a questão. Os que pecavam na lei perdiam apenas a recompensa ou eram de fato mortos? A resposta é óbvia: eram mortos. O autor de Hebreus mostra que o castigo que aguarda tais pessoas é maior do que o castigo que passou aqueles que pecaram sob a lei. Enquanto ali era apenas uma morte passageira (primeira morte, pois ainda havia a ressurreição), agora é uma morte eterna (segunda morte, a morte final e irreversível). Logo, pela analogia já podemos perceber que o texto não trata apenas de perda de recompensa, mas do castigo da morte eterna.

Outros elementos no texto também demonstram isso, como, por exemplo, o fato de tal pessoa ter pisado os pés no Filho de Deus (v.29), profanado o sangue da aliança (v.29) e insultado o Espírito Santo (v.29). Será que uma pessoa que pisa em Jesus, que profana o Seu sangue e blasfema contra o Espírito Santo é salva, e apenas perde uma recompensa? É lógico que não. Tais pessoas são, obviamente, apóstatas, que se desviaram não parcialmente, mas totalmente da fé. O verso final mostra isso com ainda mais clareza, ao dizer que terrível coisa é cair nas mãos de Deus (v.31). Será que essa coisa tão terrível é estar no Céu sem recompensa?

À vista de tudo isso, o “retroceder na fé”, como mostra o contexto (Hb 10.36-38), não se trata apenas da perda de galardão para uma pessoa salva, mas da perda da salvação para alguém que caiu a tal ponto que pisou os pés em Cristo, profanou o Seu sangue, blasfemou contra o Espírito Santo e que terá um terrível castigo mais severo que a morte daqueles que estavam sob a antiga aliança, aguardando uma “certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (v.27). Se isso não é a descrição de um perdido em uma condição de condenação, sinceramente não sei como isso poderia ser expresso em palavras.

Obras consultadas:

– A Excelência da Nova Aliança; Wiley, Ed. Central Gospel

– A Doutrina da Salvação, Gibbs, EETAD

– Apostila “Fatalismo X Arminianismo”.


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