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Uma mensagem de Roger Olson

por Artigo compilado - dom maio 25, 11:19 pm

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Nota do CACP: O texto abaixo é escrito por um autor arminiano e Escritor do livro “A História da Teologia Cristã” da Editora Vida. Como já informamos, temos em nosso grupo de colaboradores calvinistas moderados, arminianos e wesleyano… O texto abaixo faz parte de vários artigos incluídos na coluna de debates evangélicos.

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Aprecio e concordo com tudo que Scot McKnight escreveu em seus artigos “Quem São os Neo-Reformados?” (Veja seu blog The Jesus Creed). Ele foi muito criterioso ao dar nomes. Isto é, dar nomes somente inflamaria a controvérsia e pioraria as coisas. “Se a carapuça servir [em alguém]….”

Eu gostaria de acrescentar que muitos calvinistas contemporâneos que estão abastecendo os “jovens, rebeldes e reformados” com o combustível para que eles saiam e causem problemas (um deles me disse que eu nem mesmo era salvo porque era arminiano!) deturpam totalmente o Arminianismo (isso sem falar de outras tradições).

Eis uma citação de um sermão de um pastor calvinista sobre a expiação limitada: “O arminiano limita a natureza, valor e eficácia da expiação de forma que ele pode dizer que ela foi realizada até mesmo por aqueles que morrem na incredulidade e são condenados. A fim de dizer que Cristo morreu por todos os homens da mesma forma, o arminiano deve limitar a expiação a uma oportunidade ineficiente para os homens salvarem-se a si mesmos de seu terrível estado de depravação.”

Agora, ou este instruído pastor conhece pouco sobre a teologia arminiana clássica ou ele está intencionalmente deturpando-a. Mas no primeiro caso ele deveria ter lido pelo menos meu livro Arminian Theology: Myths and Realities. Porque sua afirmação é simplesmente falsa. Ela completamente ignora a ênfase arminiana na graça preveniente.

Algo que acho terrível, mas que é freqüentemente praticado pelas pessoas que Scot chama de “neo-reformados,” é atribuir a outros crenças que eles não apenas não crêem mas explicitamente as negam. Quando confrontados, os neo-reformados dizem “Mas essa é a conseqüência necessária do que eles crêem.” Então eles deviam deixar isso claro e acrescentar “Mas eles na verdade não crêem nisso.”

Assim, os seguidores destes bem instruídos líderes dos neo-reformados os escutam e os lêem e saem pensando e dizendo “os arminianos crêem que as pessoas salvam a si mesmas.” Isso é conversa fiada e os líderes do movimento neo-reformado sabem disso.

Há muita desonestidade acontecendo neste “Gramado da Vila” que chamamos de evangelicalismo. E francamente, como o vejo, sua maior parte é resultado da deturpação grosseira do Arminianismo pelos neo-reformados para através isso tentar marginalizar os arminianos (e os anabatistas, que basicamente crêem na mesma teologia). Como? Convencendo os manda-chuvas do movimento evangélico que o Arminianismo está perigosamente perto da heresia.

Não posso ler seus corações e mentes, então eu não sei se eles estão deturpando o Arminianismo intencionalmente ou não. Mas tenho certeza que eles são instruídos o suficiente para ter checado suas representações do Arminianismo para ver se estão corretas. Ou eles não têm feito isso ou estão intencionalmente deturpando a teologia arminiana (ainda que somente dizendo o que eles acham a que a teologia arminiana leva e deixando de deixar claro que não é o que os próprios arminianos crêem).

Tenho lutado esta batalha para limpar o bom nome da teologia arminiana (mostrando quão diferente ela é do Semipelagianismo) por anos, agora com muito limitado sucesso. Percebo que a maior parte das pessoas que deturpam o Arminianismo e agressivamente afirmam que somente a teologia reformada possui precisão teológica têm pouco ou nenhum interesse em ser instruído sobre a verdadeira teologia arminiana. Eles já tomaram sua decisão; não os confundam com os fatos.

Todo ano tenho um grupo de pastores calvinistas de uma igreja reformada local em minha classe para discursar. Um deles foi logo dizendo “o Arminianismo é somente o Pelagianismo.” Após vários encontros infelizes dei a eles cópias do livro Arminian Theology: Myths and Realities na condição de que o lessem. Pelo que sei, eles nunca leram.

Ando recebendo e-mails e cartas de vários desses evangélicos “jovens, rebeldes e reformados” me agradecendo por esclarecer suas concepções equivocadas (que todos eles dizem que foram ensinados por líderes evangélicos reformados) sobre o Arminianismo. Mas não fiquei sabendo de um único líder reformado evangélico dizendo que algo que eu escrevi no livro fez alguma diferença na maneira que eles pensam ou falam ou escrevem sobre a teologia arminiana.

Sem qualquer dúvida, a metáfora do “Gramado da Vila” para o evangelicalismo não é boa. Afinal, o Gramado da Vila na Inglaterra e depois na Nova Inglaterra era simplesmente um lugar onde todos os cidadãos se reuniam para falar sobre o tempo, política ou negócios. O evangelicalismo é uma ampla coalisão de cristãos de opiniões e interesses comuns que reconhecem suas diferenças. Seu lema sempre foi “No essencial unidade, no não-essencial liberdade, em tudo caridade” (Veja o site da National Association of Evangelicals). A tenda do reavivamento multi-denominacional é uma metáfora muito melhor para o evangelicalismo.

Ultimamente, entretanto, tem havido problemas debaixo da tenda do reavivamento. Algumas pessoas estão tentando convencer os organizadores e patrocinadores do reavivamento e também os recém-chegados de que sua teologia particular é essencial e não não-essencial. Eles são muito cuidadosos na escolha das palavras; a rigor eles evitam classificar como “heresia” outras opiniões como o Arminianismo e até o Teísmo Aberto. Mas sua retórica é uma retórica de exclusão: “o Arminianismo está profundamente equivocado” e “o Arminianismo está no precipício da heresia” e “todos os arminianos caminham para o Teísmo Aberto,” etc., etc.

É hora dos líderes do evangelicalismo se levantarem e dizerem não – não ao Calvinismo mas àqueles calvinistas evangélicos que estão causando confusão no acampamento evangélico ao grosseiramente deturpar as crenças de outros evangélicos e implicando, se não afirmando, que sua teologia é a única teologia evangélica autêntica.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

Extraído do site arminianos.com em 22/05/2014


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