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Vitória de moderados e reformistas no Irã

por Artigo compilado - seg fev 29, 10:40 am

Aliança de reformistas e moderados consegue vitória no Irã

Presidente Rouhani comemora resultados de eleição parlamentar.
O atual parlamento iraniano estava dominado pelos conservadores.

Iranians stand in line at a polling station during the parliamentary and Experts Assembly elections in Qom, 125 kilometers (78 miles) south of the capital Tehran, Iran, Friday, Feb. 26, 2016. (Foto: Ebrahim Noroozi/AP)
Iranianos fazem fila para votar na sexta-feira (26) (Foto: Ebrahim Noroozi/AP)

A aliança “Esperança”, formada por reformistas e moderados conseguiu conquistar as 30 cadeiras do parlamento em Teerã, uma vitória importante para o governo do presidente Hasan Rohani, que busca reforçar seu poder frente aos conservadores.

Apurados 90% dos votos das eleições legislativas, o líder dos conservadores, Gholam Ali Hadad Adel, figura em 31º lugar e, portanto, ficaria fora do parlamento.

Cerca de 55 milhões de eleitores estavam habilitados a escolher os 290 membros do parlamento e os 88 membros da Assembleia dos Especialistas, duas instituições controladas pelos conservadores.

Rohani, um religioso moderado, quer capitalizar os avanços obtidos depois do acordo nuclear de julho com as grandes potências ocidentais e a suspensão das sanções contra seu país, com parlamento favorável a suas políticas de abertura.

O atual parlamento iraniano estava dominado pelos conservadores.

A aliança de reformistas e moderados na capital é liderada por Mohamad Reza Aref, ex-candidato dos primeiros à presidência em 2013, da qual abriu mão para favorecer Rohani.

Esse resultado contundente na capital iraniana contrasta com o resto dos resultados em outras regiões do país. Das 94 zonas provinciais onde os votos já foram apurados, 33 foram para os conservadores, 24 para os reformistas e 28 para candidatos independentes, 11 dos quais são ligados aos reformistas.

Outras 23 cadeiras serão atribuídas em um segundo turno em abril ou maio.

“As pessoas mostraram seu poder mais uma vez e deram mais credibilidade e força ao governo eleito”, disse Rouhani, acrescentando que iria trabalhar com qualquer um que ganhasse a eleição para construir um futuro para um país industrializado e exportador de petróleo.

Rouhani ganhou um forte voto de confiança e aliados reformistas garantiram ganhos no Parlamento que podem acelerar a emergência da República Islâmica de anos de isolamento.

Um afrouxamento do controle dos radicais anti-ocidente que atualmente dominam os 290 assentos do Parlamento pode reforçar o poder de Rouhani para abrir mais o Irã para o comércio exterior e investimentos, após o acordo nuclear firmado no ano passado.

Grande aliado de Rouhani, Akbar Hashemi Rafsanjani, um veterano pró-reforma e habilidoso negociador político, emitiu uma mensagem no Twitter dizendo que ninguém poderia resistir à vontade do povo.

“Ninguém é capaz de resistir contra a vontade da maioria do povo, e quem as pessoas não querem deve se afastar”, disse na mensagem.

Acima das expectativas

Os reformistas boicotaram as eleições legislativas de 2012 em protesto contra a reeleição do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad em 2009, que consideravam fraudulenta.

Em compensação, este ano se apresentara em massa, apesar de muitos candidatos terem sido vetados pelo Conselho de Guardiães da Constituição, que também controla as eleições.

Para fortalecer suas possibilidades de vitória, os reformistas se aliaram aos moderados e criaram a plataforma “Esperança”.

Os mais conservadores organizaram, por sua parte, uma grande coalizão em sintonia com o Guia Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, preocupado com a infiltração estrangeira em caso de vitória dos reformistas e moderados.

Khamenei, de 76 anos, aprovou o acordo nuclear, mas expressa com frequência sua desconfiança em relação às potências ocidentais, principalmente os Estados Unidos.

A maior parte dos conservadores mais radicais que se opunham ao acordo nuclear foi eliminada das eleições.

Ali Shakuri Rad, um político reformista, disse que os resultados estão acima das expectativas, mas se mostrou prudente na hora de comemorar.

Outro motivo de satisfação para o presidente iraniano é a vitória do ex-presidente Akbar Hachemi Rafsandjani como o candidato mais votado em Teerã para a Assembleia dos
Especialistas, que, entre outras coisas, escolhe o guia supremo da nação.

Das 88 cadeiras desta instituição, 16 correspondem ao distrito de Teerã, onde Rafsandjani conseguiu a maioria.

No entanto, dois aiatolás conservadores, Ahmad Janati e Mohamad Yazdi, provavelmente também entrarão na assembleia.

As eleições são vistas por analistas como um possível ponto de virada para o Irã, onde quase 60% da população de 80 milhões de pessoas têm menos de 30 anos e estão ansiosas para fazer parte do restante do mundo, depois da retirada da maioria das sanções.

Extraído do G1 em 29/02/2016


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