Xintoísmo
Conjunto
de crenças e práticas expressas em manifestações
sociais e atitudes individuais, o xintoísmo preservou seu espírito
ao longo dos tempos embora não tenha fundador, escrituras sagradas oficiais
ou dogmas.
Xintoísmo é a religião nacional do Japão, que se
constitui de crenças e práticas religiosas de tipo animista. De
origem chinesa, o termo xinto significa "caminho dos deuses". O xintoísmo
reconhece um poder sagrado cuja natureza não pode ser explicada em palavras,
o kami, e que se acha difundido na natureza sob a forma do Sol (Amaterasu),
da Lua (Tsukiyomi), da tempestade (Susanoo) e muitas outras. Os espíritos
dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família
ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande
relevo.
Origens
A tradição religiosa do xintoísmo
formou-se no período anterior ao budismo, que ganhou força no
Japão no século VI. A partir de então, contatos entre o
xintoísmo e o budismo modificaram ambas as religiões. Os budistas
adotaram divindades dos xintoístas, e estes, que consideravam seus deuses
espíritos invisíveis e sem formas precisas, aprenderam com o budismo
a erigir imagens e templos votivos. Houve quem proclamasse que as duas religiões
eram manifestações diferentes da mesma verdade, o que originou
uma tendência sincretista.
As narrativas míticas da tradição xintoísta foram
registradas por escrito no Kojiki (712; Anais das coisas antigas), e no Nihongi
(720; Crônicas do Japão), as mais antigas fontes literárias.
Os mitos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa
amorfa e indistinta, "como num ovo". Os deuses surgiram desse caos.
A partir do final do século XVII teve início um movimento nacionalista
que pretendeu restaurar o xintoísmo mediante a promoção
das práticas antigas e a proclamação de uma ética
nacional e de ritos patrióticos que originaram o xintoísmo estatal
(Kokka Xinto). Os principais teóricos desse movimento foram Mabuqui,
estudioso do Kojiki e do Nihongi, e Motoori Norinaga, que sistematizou as correntes
religiosas de modo a combinar o culto da natureza com o dos heróis. Com
a instauração do imperador Meiji, em 1868, o xintoísmo
estatal foi proclamado religião oficial, liberto tanto das influências
budistas como dos costumes do xintoísmo popular. O xintoísmo nacionalista
exaltava a raça japonesa e divinizava o imperador, mas no final da segunda
guerra mundial os Estados Unidos obrigaram o imperador a desfazer o mito de
sua divindade.
Os deuses
Segundo o Kojiki, o advento dos deuses iniciou-se
com cinco divindades: Amenominakanushi (Senhor do augusto centro do céu),
Takamimusubi (Alto gerador do deus prodigioso), Kamimusubi (Divino gerador do
deus prodigioso), Umashiashikabihikoji (O mais velho soberano do cálamo)
e Amenotokotachi (O que está eternamente deitado no céu).
A seqüência prossegue com as "sete gerações divinas",
dois deuses e mais cinco pares: Kuminotokotachi (Eternamente deitado sobre a
terra); Toyokumonu (Senhor da integração exuberante); Uhijini
(Senhor da lama da terra); e Suhijini (Senhora da lama da terra); Tsunuguhi
(Embrião que integra) e Ikuguhi (Aquela que integra a vida); Ohotonoji
(O mais velho da grande morada) e Ohotonobe (Senhora mais velha da grande morada);
Omodaru (Aspecto perfeito) e Ayakashikone (Majestosa); Izanagi (Varão
que atrai) e Izanami (Mulher que atrai). Essas entidades recebem a designação
de kami ou "espíritos divinos".
O último casal da série teogônica, Izanagi e Izanami, desempenha
na cosmogonia xintoísta o papel da criação e, como tal,
é a partir dele que se estrutura o corpo de mitos etiológicos
que mostram, por exemplo, o aparecimento das ilhas japonesas e das divindades
secundárias associadas a cada uma destas. A catábase (descida
aos infernos) de Izanagi, realizada após a morte de sua mulher em conseqüência
do parto do fogo, faz parte dessa categoria de mitos. Segundo a narrativa tradicional,
Izanagi contemplou o corpo putrefato de Izanami e se purificou num rio ao retornar
ao mundo dos vivos. De seus trajes abandonados e das impurezas que lhe saíram
do corpo nasceram as divindades maléficas, além da deusa solar
Amaterasu e dos deuses Susanowo e Tsukiyomi (Lua).
As relações entre o culto dos mortos e o culto dos kami manifestam-se
no Kashikodokoro, santuário do palácio imperial de Tóquio,
onde o imperador e sua corte rendem homenagens aos antepassados kami durante
as grandes festas nacionais. O Kashikodokoro constitui, no Japão moderno,
o centro onde se preservam as remotas tradições do xintoísmo.
Extraído de Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações
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