Dois princípios supremos, o bem e o mal, caracterizavam o zoroastrismo.
Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se a grupos de guebros
no Irã e de parses na Índia, mas deixou traços nas principais
religiões, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Zoroastrismo é um antigo sistema religioso-filosófico que repousa
no postulado básico de uma contradição dualista, a do bem
e do mal, inerente a todos os elementos do universo. Os pressupostos do sistema
foram estabelecidos por Zoroastro, ou Zaratustra, que, nascido na Pérsia
no século VI a.C., que parece ter sido um reformador do masdeísmo
ou mazdeísmo, antiga religião da Média. A doutrina de Zoroastro
foi transmitida oralmente e recolhida nos gathas, os cânticos do Avesta,
conjunto de livros sagrados da religião.
As reformas de Zoroastro não podem ser entendidas fora de seu contexto
social. A sociedade dividia-se em três classes: a dos chefes e sacerdotes,
a dos guerreiros e a dos criadores de gado. Essa estrutura se refletia na religião,
e determinadas deidades (daivas), estavam associadas a cada uma das classes.
Ao que parece os ahuras (senhores), que incluíam Mitra e Varuna, só
tinham relação com a primeira classe. Os servos, mercadores, pastores
e camponeses eram considerados insignificantes demais para ser mencionados nas
crônicas e estelas, embora tivessem seus próprios deuses.
O zoroastrismo prescreve a fé em um deus único, Ahura Mazda, o
Senhor Sábio, a quem se credita o papel de criador e guia absoluto do
universo. Dessa divindade suprema emana seis espíritos, os Amesas Spenta
(Imortais Sagrados), que auxiliam Ahura Mazda na realização de
seus desígnios: Vohu-Mano (Espírito do Bem), Asa-Vahista (Retidão
Suprema), Khsathra Varya (Governo Ideal), Spenta Armaiti (Piedade Sagrada),
Haurvatat (Perfeição) e Ameretat (Imortalidade). Juntos, Ahura
Mazda e esses entes travam luta permanente contra o princípio do mal,
Angra Mainyu (ou Ahriman), por sua vez acompanhado de entidades demoníacas:
o mau pensamento; a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença
e a morte.
Como fruto dessa noção, há no zoroastrismo uma série
de exortações e interdições destinadas a dirigir
a conduta dos homens, para reprimir os maus impulsos. Através do combate
cotidiano a Angra Mainyu e sua coorte (que se manifestam, por exemplo, nos animais
de presa, nos ladrões, nas plantas venenosas etc.), o indivíduo
torna-se merecedor das recompensas divinas, embora tenha liberdade para decidir-se
pelo mal, caso em que será punido após a morte. Enquanto religião,
o zoroastrismo reduziu sensivelmente a importância de certos rituais indo-arianos,
repelindo alguns elementos cerimoniais correntes no Irã, como as bebidas
estimulantes e os sacrifícios sangrentos.
Após a adoção oficial do zoroastrismo pelos aquemênidas,
no reinado de Dario I, redigiu-se o Avesta ou Zend-Avesta, livro sagrado no
qual -- na parte denominada gathas, hinos metrificados em língua arcaica
-- encontra-se a sistematização tardia dessa religião,
que teria sido feita pelo próprio Zoroastro. Entretanto, sob os sucessores
de Dario, o zoroastrismo transformou seu caráter, convertendo-se em mazdeísmo
(ou masdeísmo), impregnado de crenças populares e mais complexo
dos pontos de vista escatológico e ritualístico. Apesar dos pontos
de contato entre o zoroastrismo clássico e o mazdeísmo aquemênida
(como a purificação ritual pelo fogo), permanecem sem resposta
conclusiva. Ainda se discutem entre os especialistas numerosas questões
relativas à influência que a reforma de Zoroastro por certo exerceu
sobre outros movimentos religiosos orientais, inclusive o judaísmo, o
cristianismo e o maniqueísmo.
(Extraído de Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda)